Ao passear pelas ruas do Buritis não é difícil perceber que o bairro tem fortes traços de desenvolvimento. Edifícios imponentes e comércio diversificado: tudo por aqui respira modernidade. Entretanto, quem faz uma observação mais detalhada consegue perceber que o nosso bairro ainda mantém antigas tradições da cultura mineira. Uma delas, por exemplo, está bem na região central, mais precisamente na Praça Aroldo Tenuta, na Avenida Professor Mário Werneck. 

Há exatos 11 anos, Eduardo José de Souza e sua esposa todas às manhãs de sexta-feira monta sua barraca de produtos orgânicos na avenida, onde comercializa leguminosas, folhosos e frutas, além de cereais e compotas. Mais do que uma relação vendedor/cliente, ao longo dos anos, Eduardo construiu uma relação de amizade e confiança com todos eles, o que talvez explique a permanência de sua barraca mesmo diante de tantos percalços encontrados pelo caminho.

A Mário Werneck foi escolhida pela Prefeitura de Belo Horizonte para ser um dos pontos da capital a receber o projeto de feira orgânica. No início haviam cinco, seis barracas, mas um a um os comerciantes foram sumindo do local até que, há cerca de sete anos, apenas a barraca de Eduardo se mantém presente. Para a maioria, seria questão de tempo para que ele também desistisse e a feira fosse encerrada. Porém a persistência, e principalmente o bom trabalho, fez com que o comerciante seguisse na ativa. Produtor, junto com a família, de todos os alimentos que vende, Eduardo enxerga nessa razão o principal motivo para superar todas as dificuldades.

“A qualidade e diversidade de produtos é fundamental. Muitas vezes o cliente chega e pede por exemplo uma couve. Naquele dia não posso ter, mas tenho outra folha verde que lhe agrada. O que não pode é ele não ter nenhuma opção, senão é grande a possibilidade de ir embora e não voltar mais”. Para conseguir manter esta diversidade de produtos, Eduardo cultiva todos os seus alimentos em um grande terreno da família na cidade de Capim Branco. Só com esta estrutura poderia ser possível manter o trabalho sem uso de máquinas e agrotóxicos. “Cada alimento precisa de um tempo e clima específico. Então, quando um está fora da época, preciso compensar o cliente com outro”, completa.

Eduardo sai de Capim Branco às 03h30 da manhã. Por volta de 04h30 chega ao Buritis e começa a montar a barraca para que às 07h tudo já esteja pronto para o cliente. Entretanto, isto não significa que as vendas comecem às 07h. “Tem cliente que passa aqui às 05h. Alguns por ser o melhor horário, outros porque acreditam que  vai pegar o alimento mais fresco. Assim, enquanto estou montando a barraca ele já vai escolhendo o produto”.

Clientes fieis

Como 11 anos não são 11 dias, muitos clientes já se tornaram amigos do comerciante. Qualidade no produto e confiança são adjetivos que fazem com que o comércio se estabelecesse no bairro. A dentista Anaílda Costa Teixeira há cinco anos frequenta a barraca de Eduardo e já construiu esta relação de amizade. Contudo, ressalta que o principal é a qualidade do alimento que é oferecido. “Gostaria que a barraca fosse todos os dias. Tempos atrás fui obrigada a fazer compras em um sacolão convencional e a comida não saiu como queria. Os produtos daqui são diferenciados”. A vendedora Lucinéia Mendes também não passa uma sexta-feira sem ir à barraca. “É muito bom mesmo! Qualidade no produto e no atendimento. Meu almoço de sexta-feira é muito mais saboroso e saudável”.

Já no caso da advogada Silvana Aiala, comprar na barraca de Eduardo se tornou uma tradição de família. Ela e a mãe não deixam passar uma sexta-feira sequer sem fazer compras. E agradar a matriarca da casa não é tarefa nada fácil. “Minha mãe é muito exigente com os alimentos que compra. Talvez por isso esteja com 77 anos e com uma saúde de dar inveja. Ela só compra aqui na barraca e sempre escolhe os produtos com todo o cuidado. Além disso, os preços sempre estão em conta”, ressalta.

Por toda esta confiabilidade do cliente Eduardo não relaxa no trabalho. Se dedica cada vez mais e espera que muitos outros anos de atuação no Buritis ainda estejam por vir. “Tenho cliente que foi conhecer a minha produção. Não só abri as portas, como fiz questão de que fizesse a visita. Resultado: hoje vai com frequência para lá para passar o fim de semana. São histórias que sempre vou me orgulhar”.

 

Fonte: Jornal do Buritis

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