Uma das coisas interessantes em se administrar um grupo de comunidade é a informação que acabamos recolhendo com o passar do tempo. Conseguimos perceber muito de como a população local pensa e se comporta, e também aquilo que ela conhece bem e o que eventualmente desconhece. Por isso resolvemos começar a fazer textos sobre alguns temas, dentre os quais percebemos haver algum tipo dúvida generalizada, ou que haja um grupo de pessoas maior do que deveria, que não o conhece tão bem. Informação nunca é demais. Ao contrário, é essencial que todos saibamos pelo menos o básico sobre certos assuntos, para sabermos como agir em diversas situações.

O primeiro desses temas que gostaríamos de abordar é bastante complexo, mas vamos tentar resumir pelo menos as informações mais básicas. Há alguns dias o assunto surgiu em um post no grupo Meu Bairro Buritis no Facebook, e percebemos diversas pessoas que comentaram demonstrando não saber bem do que se trata. Com isso, pedimos aos participantes, que fossem especialistas na área, para que nos escrevessem de forma resumida e didática sobre o AUTISMO. Recebemos diversas contribuições, e gostaria de agradecer muito  a todos que se dispuseram a nos escrever ou encaminhar informações. Dentre eles, agradecemos especialmente às doutoras Mércia Lacerda, Juliana Rodrigues e Cristina Silveira. Faremos abaixo um compilado com informações que elas nos enviaram.

 

TEA – Transtorno do Espectro do Autismo

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social. O termo médico mais amplo é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O Transtorno do Espectro Autista é definido pela presença de “Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, atualmente ou por história prévia”.

A pessoa que tem autismo, geralmente possui as seguintes características: Podem ou não existir atrasos no desenvolvimento, tem preferencia pelo mundo interno em relação ao externo, assim como há preferencia por “coisas” em relação às pessoas. Pode afetar tanto homens, quanto mulheres. Se apresentam em 03 (três) tipos: Autismo com deficiência cognitiva (inteligência abaixo da média com atraso de fala), Autismo de Alto Funcionamento (atraso de fala com inteligência media) e o Asperger (sem atraso de fala e com inteligência media a alta).

Alguns autistas são considerados de Alta Funcionalidade: eles tem os mesmos prejuízos porém, em grau leve. Conseguem estudar, trabalhar, constituir família. Existem muitos por aí sem diagnóstico. Mais os de grau mais severo são pessoas que precisam de acompanhamento constante. Não pense que todo autista é como os normalmente retratados em Hollywood. O espectro é amplo.

Mas em todos os casos, os pensamentos são contínuos, com um fluxo involuntário, onde diálogos e imagens povoam suas mentes. Esse fluxo intenso impede a pessoa de interagir adequadamente nos grupos sociais, já que não consegue controlar seus pensamentos, perdendo com isso a continuidade de um dialogo, prejudicando a sua troca social , uma vez que sua atenção está voltada para seus próprios pensamentos internos. Por isso, o autista realiza colocações fora do contexto nas situações sociais e nos diálogos com o outro. Tal dificuldade se agrava devido a outro fator neurológico de que a pessoa com autismo olha pouco, com baixa frequência, mesmo quando está comunicando algo. Ou seja, é um sujeito socialmente “desajeitado”. preferindo ficar isolado e fora de grupos de sua faixa etária. Podem ainda apresentar problemas de comportamento, sendo vítimas constantes de bullying. Ficam isolados. Quando crianças preferem brincar sozinhos ou com pessoas mais velhas.

As causas não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que esta síndrome pode estar relacionada a:

  • Deficiência e anormalidade cognitiva de causa genética e hereditária;
  • Fatores ambientais, como o ambiente familiar, complicações durante a gravidez ou parto;
  • Alterações bioquímicas do organismo caracterizadas pelo excesso de seratonina no sangue;
  • Anormalidade cromossômica evidenciada pelo desaparecimento ou duplicação do cromossomo 16;
  • Fatores externos como a poluição do ar, complicações durante a gravidez, infecções causadas por vírus, alterações no trato digestivo, contaminação por mercúrio.

Estudos nos EUA sugerem que o autismo e seus distúrbios relacionados são muito mais comuns do que se imagina. Não está claro se isso se deve a um aumento na taxa da doença ou à maior capacidade de diagnóstico na atualidade. Ele afeta quatro a cinco vezes mais meninos do que meninas. Renda familiar, educação e estilo de vida parecem não influenciar no risco de autismo. Alguns médicos acreditam que a maior incidência de autismo se deve a novas definições do transtorno. O termo “autismo” agora inclui um espectro mais amplo de crianças. Por exemplo, hoje em dia, uma criança diagnosticada com autismo altamente funcional poderia ser simplesmente considerada tímida ou com dificuldade de aprendizado há 30 anos.

Os Aspergers em especial podem ter gostos extravagantes ou fora do comum, com um interesse obsessivo especial, podendo ter inclusive coleções. Esses interesses podem ser dinossauros, carros, geologia, história, pedras, planetas e outros temas em que ficam hiperfocados.

Se concentram em padrões e rotinas, e tendem a ter uma forma exagerada de organizar coisas, chegando a ser obsessivos com isso. Quando crianças podem fazer filas ou torres com os brinquedos, classificando-os por cor ou qualquer outro padrão. Quando maiores podem apresentar gostos diferentes, por musicas fora de sua faixa etária, usar roupas formais ou descombinadas e ainda ter a fala muito robuscada com palavras pouco usuais.

A memória é excepcional. Decoram datas, nomes, placas, e outras coisas com muita facilidade e ainda possuem uma inteligência lógica elevada.

A sensibilidade sensorial também é outra característica importante. São sensíveis a barulhos diversos, a alguns tipos de roupas e sapatos e geralmente apresentam seletividade alimentar. Costumam apreciar coisas que rodam (ventiladores, maquinas de lavar, etc)

 

Sintomas e características

Como dissemos, o espectro é amplo. Todos estes abaixo podem ser sintomas e características do TEA:

• Dificuldade na interação social, como contato visual, expressão facial, gestos, dificuldade em fazer amigos, dificuldade em expressar emoções;
• Prejuízo na comunicação, como dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo da linguagem;
• Alterações comportamentais, como não saber brincar de faz de conta, padrões repetitivos de comportamentos, ter muitas “manias” e apresentar intenso interesse por algo específico, como a asa de um avião, por exemplo.
• Ter visão, audição, tato, olfato ou paladar excessivamente sensíveis (por exemplo, eles podem se recusar a usar roupas “que dão coceira” e ficam angustiados se são forçados a usá-las);
• Ter uma reação emocional anormal quando há alguma mudança na rotina;
• Fazer movimentos corporais repetitivos;
• Demonstrar apego anormal aos objetos.
• Não poder iniciar ou manter uma conversa social;
• Comunicar-se com gestos em vez de palavras;
• Desenvolver a linguagem lentamente ou não desenvolvê-la;
• Não ajustar a visão para olhar para os objetos que as outras pessoas estão olhando;
• Não se referir a si mesmo de forma correta (por exemplo, dizer “você quer água” quando a criança quer dizer “eu quero água”);
• Não apontar para chamar a atenção das pessoas para objetos (acontecem nos primeiros 14 meses de vida);
• Repetir palavras ou trechos memorizados, como comerciais;
• Usar rimas sem sentido.
• Existem diversos sintomas que podem indicar autismo, e nem sempre a criança apresentará todos eles.
• Entre os grupos de sintomas que podem afetar uma pessoa com autismo estão:
• Não faz amigos;
• Não participa de jogos interativos;
• É retraído;
• Pode não responder a contato visual e sorrisos ou evitar o contato visual;
• Pode tratar as pessoas como se fossem objetos;
• Prefere ficar sozinho, em vez de acompanhado;
• Mostra falta de empatia.
• Não se assusta com sons altos;
• Tem a visão, audição, tato, olfato ou paladar ampliados ou diminuídos;
• Pode achar ruídos normais dolorosos e cobrir os ouvidos com as mãos;
• Pode evitar contato físico por ser muito estimulante ou opressivo;
• Esfrega as superfícies, põe a boca nos objetos ou os lambe;
• Parece ter um aumento ou diminuição na resposta à dor.
• Não imita as ações dos outros;
• Prefere brincadeiras solitárias ou ritualistas;
• Não faz brincadeiras de faz de conta ou imaginação.
• Acessos de raiva intensos;
• Fica preso em um único assunto ou tarefa (perseverança);
• Baixa capacidade de atenção;
• Poucos interesses;
• É hiperativo ou muito passivo;
• Comportamento agressivo com outras pessoas ou consigo;
• Necessidade intensa de repetição;
• Faz movimentos corporais repetitivos.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. Feito por profissionais especializados. Não existe um exame para detectar o transtorno, Seu diagnóstico é baseado no histórico do indivíduo. As causas podem ser variadas, incluindo fatores genéticos, infecções durante a gravidez da mãe e mal-formação cerebral.

 

Tratamento

Não existe cura para o TEA, mas um programa de tratamento precoce, intensivo e apropriado melhora muito a perspectiva de crianças pequenas com o transtorno. A maioria dos programas aumentará os interesses da criança com uma programação altamente estruturada de atividades construtivas. Os recursos visuais geralmente são úteis.

Os tratamentos são basicamente: Terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia, além do aparato médico caso seja necessário medicar.  A psicologia atua junto à família e a psicopedagogia atua com o aluno e a escola.

 

Conclusão

Um dos maiores problemas relacionados ao TEA hoje é a desinformação e o preconceito. Esses dois aspectos devem ser arduamente combatidos. A informação consegue desmistificar muitos tabus e conceitos errados como, por exemplo, a associação do mesmo com a vacina contra o sarampo e a visão de que elas não podem se desenvolver de modo a serem autônomas, produtivas, integradas e felizes.

Pessoas com TEA são apenas diferentes, mas quem não é?

 

NOTA DO COLUNISTA: Se você conhece alguém que é considerado meio estranho, fora do padrão ou diferente, talvez possa ser alguém dentro do espectro, com um grau leve de autismo, talvez nunca diagnosticado. Inclusive eu mesmo tenho dúvidas se talvez me encaixe dentro dessa característica. Mas enfim, vamos nos informar e largar nossos pré-conceitos de lado. 😉

 

 

 


Leonardo Orrico
Publicitário, entusiasta das redes sociais, administra o projeto Meu Bairro Buritis junto com sua esposa e seus oito gatos, tentando fazer sua parte para um mundo melhor, começando pelo seu bairro. 

 

 

 

 

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