Ter filhos é a realização do sonho de muitos casais. Muitas vezes é planejado, outras vezes simplesmente acontece. Na maioria das vezes é motivo de muita felicidade e de mudanças na vida, tanto de pais quanto de mães. É comum vermos casais orgulhosos à espera dos seus bebês, planejando o futuro. Mas, após o nascimento muitas vezes acaba havendo um certo desnível na balança. Tradicionalmente, a mulher acaba ficando com a maior carga do trabalho na criação dos filhos. Mas isso vem sofrendo uma metamorfose, aos poucos. Com as mudanças na nossa sociedade, principalmente referentes ao papel da mulher no mercado de trabalho, os homens estão cada vez mais percebendo a necessidade de divisão igualitária das tarefas domésticas e da criação dos filhos. Não existe, ou pelo menos não deveria mais existir, aquela coisa do pai sair pra trabalhar e a mãe ficar em casa cuidando da educação da prole. Antigamente  esse universo que envolve tudo referente a crianças, educação infantil, e famílai girava muito ao redor da figura da mãe. Mas, hoje em dia, isso não existe mais e “pai tem que fazer de  tudo”.

Foi com esse pensamento que Bruno Santiago criou o projeto Pai Tem que Fazer de Tudo. O desejo de ser pai esteve presente desde o início de sua relação com a ex-esposa, que conheceu ainda nos tempos de faculdade. Após o casamento eles começaram a tentar engravidar, mas descobriram um empecilho: Bruno tinha problemas de fertilidade. Mas, após o tratamento com especialistas eles finalmente conseguiram o tão sonhado positivo no teste de gravidez. Muita festa do casal. Infelizmente após algumas semanas eles perderam o bebê. “Depois de inúmeros testes de farmácia, pressão, angústia… exatamente um ano depois do primeiro teste positivo, o filme se repetiu. Grávidos novamente! Foi um alívio e tensão ao mesmo tempo, pelo medo de tudo se repetir”, conta Bruno.

Mas dessa vez deu tudo certo e o pequeno Samuel veio trazer a realização do sonho. Começava a tarefa de fazer tudo da melhor forma possível na criação do filho. E Bruno não estava disposto da ser um pai à moda antiga.  “Melhorei como homem após a chegada do Samuca, que me ensinou a quebrar alguns padrões pré-estabelecidos em minha mente. Me tornei um homem mais sensível e com vontade de cuidar dele”, diz. Ele começou a se sentir incomodado com a cultura da parentalidade que parecia toda voltada ao universo feminino. Ele explica: “Os vídeos no YouTube em que grandes enfermeiras davam dicas de saúde, ou nutricionistas passando receitas deliciosas de papinhas “conversam” somente com as mamães. Fora os cursos de gestantes e locais públicos! Tudo pensado na mãe que cuida e os pais pagadores de contas. Nada voltado para mim. Um pai! Com esta angústia, decidi começar a escrever. Colocar minhas vivências, dificuldades, dores e felicidades para fora.”.

Foi aí que surgiu o projeto. O Pai tem que Fazer de Tudo é uma Comunidade criada e iniciada no dia 19 de fevereiro de 2015. O objeto era quebrar a cultura de que o pai é ajudante de mãe, coadjuvante de uma cuidadora já mega sobrecarregada. Os textos foram ganhando destaque inicialmente no Facebook, depois Instagram, vídeos no YouTube. Milhares de seguidores e grande engajamento. Muitas mensagens de mulheres desabafando de madrugada, mães mandando fotos dos maridos, pais que fazem de tudo e os próprios papais enviando seus relatos. “O objetivo é romper com os nossos medos e com a cultura de que o PAI é só para jogar bola, fazer bagunça, pagar as contas do mês, comprar as melhores bonecas/carrinhos e colocá-los nas melhores escolas. E a mãe é quem cuida, troca fralda, faz comida”.

Mesmo após o fim do casamento, Bruno seguiu firme em seu propósito de pai presente. Ambos compartilham a guarda e os cuidados com a criança. Bruno fica com o menino em dias alternados e continua com os mesmos cuidados que sempre teve: banho, alimentação, brincadeiras… “Hoje o Samuca tem duas casas e uma rotina que já reconhece e se sente feliz! Aqui não tem pai ou mãe protagonista. Nós três somos importantes. E assim vivemos felizes e participando de tudo na vida do Samuca”, diz.

A Comunidade que criou cresce cada vez mais. Ele faz palestras em eventos e empresas, além de dar diversas entrevistas e virar referência sobre o assunto. Bruno também comemora os pequenos avanços que a paternidade vêm conquistando na sociedade. “É um alívio saber que hoje temos uma corrente de homens realmente interessados em serem pais de verdade. Aquela cultura que o homem da casa era apenas o provedor e não se relacionava com os filhos está mudando. Para mim ser pai é ser presente. É cuidar e se doar com tudo o que puder”, fala.

Ele também vem tentando mudar algumas coisas referentes a leis. No ano passado e nesse intermediou e negociou a votação de um projeto de lei em Belo Horizonte que obrigaria os locais públicos a terem fraldários no banheiro masculino ou espaço família. “Consegui lutar para o PL fosse votado nos dois turnos na Câmara dos Vereadores, onde foi aprovado. Porém infelizmente foi vetado depois. Vou continuar lutando por isso”, conta.

Outras iniciativas do empreendedor, no entanto, foram bem sucedidas do início ao fim. “Trocamos a sinalização de uma grande loja de decoração, que se transformou de “espaço materno” em “espaço família”, com ícone visual que fazia com que o homem se sentisse acolhido naquele local. O manual de operações de uma outra marca também contou com intervenções minhas sobre a paternidade, acolhendo melhor os homens. E um instituto instalou fraldário masculino após uma palestra que tive o prazer de fazer lá, enquanto outros dois shoppings tiveram a construção de espaços família, cujas obras eu acompanhei pessoalmente. São coisas tão pequenas, mas que fazem muita diferença para a equidade de gênero, tirando a carga mental e física das mulheres também”, acredita.

O projeto surgiu enquanto Bruno morava aqui no Buritis. Recentemente ele se mudou, mas muitos devem ter visto seu carro rodando por aqui. Enquanto os estabelecimentos não criam espaços família, Bruno segue fazendo sua parte: transformou o próprio carro num desses espaços. E muita gente para Bruno na rua para perguntar do que se trata. Ele encontra aí mais uma oportunidade de conscientização da importância do papel paterno na vida do filho. “Quando levo o carro para eventos públicos, pais e mães podem usá-lo para trocar as fraldas do bebê, ter um conforto para amamentar, dar comida à criança. É muito bacana ver isso acontecendo. As pessoas ficam surpresas com o acolhimento, segurança e inovação”, conta.

Apoie o projeto Pai Tem que Fazer de Tudo. Curta página no Facebook, visite o website, compre o livro.

 

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