Eu tenho certeza de que você ficou uns instantes parado para pensar no título do texto, né? Deve ter achado estranho… mas sabe o que é? É que hoje eu quero escrever sobre o corretor pornográfico. Ops… eu quis dizer “corretor ortográfico”. Afff… acho que todo mundo já teve problemas com esse recurso que veio para facilitar nossa vida, mas que sempre nos coloca numa enlatada, enroscada, emboscada… esquece.

Essa semana eu ouvi uma frase ótima e vou contar aqui o que é. Você pode até achar que não tem muito a ver com o texto, mas vou falar sobre a frase e você vai de onde veio minha vontade de escrever sobre esse tema. Minha professora de Pilates, aqui do bairro, ficou tão contagiada com meu hábito de criar bactérias no leite, que me trouxe de presente, do interior, leite de vaca. É estranho falar assim, né? “Leite de vaca”… Então o “leite de caixinha” não é “leite de vaca”? Mas todo mundo entende, quando eu falo “leite de vaca”, que é aquele leite tirado lá dos peitinhos da mãe do bezerro, aquela lá que fica o dia inteiro mastigando capim pra fazer leite para os filhos dela. No caso, nós também. Certo? Pois não é que ela trouxe leite de vaca para mim? Olha que frase bacana que ela disse: “A vida funciona assim: quem está no interior quer as coisas da cidade grande. Quem está na cidade grande quer as coisas do interior”. Parace trava-língua, mas não passa de pura verdade.

Só sei que, com o leite de vaca, fiz o queijo. Combinamos um café para comer a “vaca enqueijada”, mas a pobre professora está passando por uns problemas de saúde e precisou ir à farmácia. Aquela que tem aos montes espalhadas pelo bairro. Pelo bairro não. Pela cidade inteira. Sabe qual? Aquela que a gente mal pode passar na porta que chove vendedor em cima da gente, com umas plaquinhas brancas na mão para receberem seu “por cento”. Pois então… tinha o leite, fiz o queijo, coei o café e ganhei o bolo. Ela ficou constrangida de não ter vindo, e me mandou uma foto, de dentro da farmácia. No canto direito da foto, havia muitos descolorantes, ops, desodorantes… e aí entra a conversa sobre o maldito corretor ortográfico. Descolorante! Agora me conta aqui uma coisa: e esse trem de corredor, ops, corretor ortográfico nos ajuda mesmo? É que a gente lê e fica meio sem entender a massagem, ops, mensagem do outro que, na verdade, é a mensagem do corretor para a crente, ops, para a gente.

Lembro de uma ocasião: uma amiga, atoladíssima com o curso de doutorado que está fazendo, levou a filha ainda criança ao salão para fazer as unhas. Postou uma foto linda dos dedinhos coloridos, com a legenda: “Unhas com esmalte rosa e bordas doutorado”. Talvez isso seja o inconsciente querendo sacanear a gente. Outra vez encontrei uma amiga na rua, havia muitos anos que não nos encontrávamos. Ela estava linda. Depois, em conversa pelo celular, mandei: “Nossa, você estava super galinha naquele dia!” Pensa que drama! Eu queria dizer “gatinha”, saiu “galinha”.

 

 

Bruno de Assis Freire de Lima é formado em Letras, professor de Língua Portuguesa e Literatura, mestre em Linguística e doutorando na mesma área. Possui livros infanto-juvenis, crônicas e contos publicados. Atualmente, colabora com o site Meu Bairro Buritis, onde publica textos sobre a vida no bairro. 

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