A venda de espetinhos de carnes e cervejas, principalmente perto de uma faculdade, tornou-se receita infalível para o sucesso e se alastra cada vez mais pela cidade. Os estabelecimentos estão sempre lotados e, na maioria deles, o dia de maior movimento é a quinta-feira. A moda teria começado com um desses comércios no bairro Prado, na região Oeste da capital, próximo à faculdade Estácio de Sá. O local fica lotado há mais de cinco anos.

Seja no Buritis ou no Prado, ambos na mesma região, os espetinhos são comprados por meio de fichas, assim como os baldes de cerveja. Todos os clientes permanecem de pé, ocupando calçadas e ruas. No Grajaú, também na região Oeste, dois espetinhos na avenida Silva Lobo atraem estudantes do Centro Universitário Newton Paiva e de outros bairros. A reportagem esteve no local na última semana, e, no mesmo dia, uma operação de fiscalização da prefeitura foi realizada com o apoio da Polícia Militar.

A denúncia era de barulho, mas a equipe de fiscais não levou o medidor de decibéis. Eles fizeram medições com fita métrica na calçada, que estava tomada por mesas e pessoas em pé. Procurada, a administração da Regional Oeste não respondeu se o local foi autuado e por qual motivo. O dono do Bar do Careca, identificado como Júnior Careca, diz que faz o que pode para se manter dentro da lei. “Tenho esse bar há dois anos, é uma luta diária ser comerciante. Quem vê o bar cheio, faturando, pensa que é fácil, mas pagamos muitos impostos. Não tem como a gente controlar o que o cliente faz na rua”, afirma ele, que precisa da ajuda da polícia para fechar as portas à meia-noite nas quintas-feiras e, só assim, mandar os clientes embora.

Entre os frequentadores, ninguém sabe explicar por que a quinta-feira é o dia dos espetinhos. “Não sei, é uma tendência em BH. A gente é da UFMG, que está de greve, então nós viemos para cá beber”, disse o estudante Guilherme Oliveira, 22, acompanhado das amigas Thaís Andrade, 21, e Lívia Campos, 20.

Mesmo quem não é universitário aderiu à moda e relembra a época de estudante. “Formei na Una, lá era sensacional (o boteco)”, ironizou Alexandre Mozzeli, 36, profissional de TI.

“O que tem para fazer em BH é isso: ir para o boteco”, concluiu o colega ao lado, que não quis ser identificado.

Moradores do entorno da PUC Minas, no bairro Coração Eucarístico, e do Centro Universitário Uni-BH, no bairro Buritis, são unânimes em dizer que os alvarás para abertura de bares nas regiões são concedidos sem critérios ou fiscalização. Eles reclamam que os donos dos estabelecimentos conseguem a licença eletronicamente, e os fiscais não verificam se o estabelecimento foi instalado de acordo com as regras.

Presidente do Movimento das Associações de Moradores (MAM-BH), Fernando Santana afirma que a liberação desenfreada de alvarás está sendo discutida com a prefeitura. “O indivíduo entra no sistema, faz a solicitação e consegue o alvará. Não há fiscalização da prefeitura antes, para ver se aquela atividade está compatível com o lugar”.

A Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização (Smafis) informou que promove ações de forma planejada e atende o cidadão. “A fiscalização verifica se o estabelecimento tem alvará e se condiz com a atividade desenvolvida. Em vias onde prevalece o uso residencial, o bar é permitido até uma área de 100 m²”, diz a pasta.

No caso do Buritis, os espetinhos são pequenos, mas o público extrapola os limites do bar. No Coração Eucarístico, após quatro anos de transtorno com as calouradas, os moradores agora conseguem dormir antes das 23h. O Ministério Público estabeleceu que os botecos devem fechar às 17h. “Eu sentia a vibração do som no quarto e usava tampão no ouvido”, contou o artista Adolfo Sifuentes, 54.

Já os estudantes não gostaram da mudança. “O assassinato e a bagunça não são culpa dos bares, mas da falta de segurança”, disse Lanna Antunes, 22.

Fonte: O Tempo

1 Comentário
  1. Braulio 4 anos atrás

    Fico feliz em saber.

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