Todos os moradores do Buritis conhecem o jornal impresso mais tradicional da região, o Jornal do Buritis. Por trás do projeto está Alexandre Adão, 33 anos. Formado em Jornalismo da Newton Paiva, Alexandre foi convidado por seu professor, ainda no segundo período do curso para estagiar no Jornal de Casa, pertencente ao Jornal Diário do Comércio. Foi produtor e repórter do Programa Meio Ambiente da rádio 104,9 FM, em Carmópolis de Minas e estagiário de Jornalismo no Condomínio Morro do Chapéu Golfe Clube, em Nova Lima. Em 2005, já formado, foi convidado para trabalhar no Jornal do Buritis como repórter e fotojornalista. Até 2009 desempenhou tais funções e de lá para cá se tornou editor responsável pelas edições mensais do jornal. Também trabalhou na Vitória Marketing Político para a campanha de reeleição do então governador de Minas, Aécio Neves. Em 2007 fundou, junto com um amigo de faculdade, o Jornal do Bairro Castelo onde permaneceu até 2009 quando saiu para se dedicar a novos projetos. Foi também assessor de comunicação na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Conversamos com Alexandre para saber um pouquinho mais do seu trabalho no Jornal do Buritis.

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Meu Bairro Buritis: Como surgiu o projeto do Jornal do Buritis?
Alexandre Adão: Nosso jornal foi fundado em março de 2004. A ideia básica surgiu pelo fato de o Buritis ser noticiado pela grande mídia somente em casos negativos como, por exemplo, o trânsito. A partir daí pensamos: será que aqui no bairro só tem coisas ruins para serem mostradas? Será que não temos moradores, empresas e demais setores que têm algo positivo para falar? E foi assim que surgiu o Jornal do Buritis. Um periódico mensal que é pautado única e exclusivamente por temas e assuntos que estejam diretamente ligados ao bairro. Todas as matérias têm uma abordagem sob a ótica dos moradores e dos interesses da nossa comunidade em geral. A preocupação com a qualidade de vida é uma das prioridades da linha editorial do Jornal do Buritis.

MBB: Como era o Buritis na época da abertura do jornal?
AA: O Buritis carecia de infraestrutura. Em 2004 o bairro já estava bombando e os serviços públicos não acompanhavam este crescimento. Até por isso as notícias negativas sobre nossa região. Claro que com o passar dos tempos as coisas foram melhorando e evoluindo. Lembro que na edição número 1 do Jornal do Buritis já falávamos sobre a chegada de centros comerciais no bairro, no caso específico mostramos o Espaço Buritis.

MBB: Na sua opinião quais os pontos fortes do Buritis e região?
AA: O crescimento do bairro é vertiginoso. É quase uma cidade dentro de Belo Horizonte. E esse crescimento acontece em quase todos os setores. Vou destacar aqui como ponto forte o comércio do Buritis. Atualmente não precisa sair do bairro para fazer a maioria das coisas. Temos uma gama de produtos e serviços. Temos lojas masculinas, femininas, infantis. Temos cinema, bons restaurantes e excelentes bares. Shoppings, farmácias, imobiliárias, supermercados, parques municipais, escolas e faculdades. Ou seja, um comércio bastante variado e que atende perfeitamente ao nosso morador.

MBB: O Buritis ainda é um bairro no qual vale a pena morar, apesar de todo o crescimento descontrolado? O que o bairro tem de diferente dos outros?
AA: Acho que vale a pena morar aqui sim. Esse crescimento descontrolado já está estagnado. O Buritis 2 ainda receberá novos moradores, mas o Buritis tradicional já está saturado e acho que não passa disso. Com intervenções pontuais o poder público pode melhorar ainda mais no nosso bairro. O diferencial do Buritis em relação a outros bairros é o nosso morador e o nosso comércio.

MBB: Na sua opinião, quais as principais conquistas do Jornal do Buritis para a região em toda a sua existência?
AA: Foram muitas. Sem falsa modéstia. Mas deixo claro que não foi uma luta só nossa. Houve a participação da comunidade, dos moradores e também da Associação de Moradores. Cada um fazendo o seu trabalho e que no final geraram resultados positivos para o Buritis. O jornal já faz parte do dia a dia do bairro. O Jornal do Buritis é hoje um porta-voz das reivindicações da comunidade junto ao poder público. Através de um jornalismo sério, moderno e informativo, o Jornal do Buritis se consolida cada dia mais como um veículo identificado com a comunidade. Vou citar cinco conquistas que acho que foram bastante importantes. 1) Finalização e asfaltamento do início da Mário Werneck (ligação com a Barão Homem de Melo) e construção de rotatória no local. Esta obra estava emperrada desde 1986, quando fortes chuvas e erosões destruíram a via. 2) Construção e instalação de delegacia ao lado da 126ª Cia da PM. 3) Transformação em mão única da Mário Werneck no trecho entre as ruas Engenheiro Carlos Goulart e José Rodrigues Pereira, bem como toda a reforma da própria José Rodrigues Pereira e construção da sua alça de ligação com a Mário Werneck, ao lado do UniBH. 4) Muitos moradores devem se lembrar, mas uma das obras mais reivindicadas pela comunidade e pelo Jornal do Buritis foi o alargamento de uma ponte estreita que existia na rua Paulo Piedade Campos, ao lado do restaurante Rancho Fundo. Passar dois ônibus (cada um de um lado) era praticamente impossível. 5) A reforma do parque Aggeo Pio Sobrinho, com plantio de novas árvores e troca da grama.

Recebendo o troféu de melhor jornal de BH

MBB: Em sua opinião, a que se deve o sucesso dos jornais de bairro?

AA: Sinceramente falando os jornais de bairro se aproximam realmente do leitor. Aquele jornalista que quer tocar o seu leitor tem que estar perto dele. E isso o jornalismo de bairro, que também chamo de jornalismo comunitário, faz muito bem feito. Percebo que hoje os leitores (moradores) querem saber o que se passa perto deles, perto de onde moram e vivem com suas famílias. A grande mídia já noticia assuntos de repercussão nacional. Portanto, esses temas certamente não seriam pauta em jornais de bairro. Preferimos noticiar, por exemplo, que irá acontecer um festival de música em um parque do bairro, pois com certeza terá mais leitura. Em 12 anos de vida, o Jornal do Buritis já é considerado pelos profissionais de imprensa como o melhor jornal de bairro de Belo Horizonte e recebeu o Prêmio PQN de Ouro, o Oscar da imprensa mineira.

 

MBB: Como é a cobrança que tem um repórter de jornal de bairro? É parecida com a pressão que se tem em grandes jornais?
AA: Na realidade no jornal de bairro o repórter tem mais tempo para fazer a reportagem. No caso do Jornal do Buritis, o jornalista tem um mês para se dedicar ao texto. Portanto, a pressão é menor do que no jornalismo diário, onde o repórter tem que entregar o texto todo dia no final da tarde para já ir para diagramação, revisão e impressão. No jornal de bairro temos um tempo maior para a edição, revisão e diagramação. Em casos extremos a pressão aumenta quando o repórter não entrega os textos até o dead line combinado. Ai a correria é grande.

MBB: Como é a publicidade em jornais de bairro?
AA: O que sustenta o jornal de bairro é o anunciante. Salve engano todos os jornais de bairro de Belo Horizonte são gratuitos, ou seja, não temos renda na venda de jornal. Para chegarmos a um valor de publicidade levamos em consideração gastos fixos como aluguel, luz, água, condomínio, salários, distribuição, impostos, diagramação e impressão. A partir daí dividimos o jornal em centímetros por coluna e definimos um valor para essa medida. O anunciante pode também contratar pacotes e formatos preestabelecidos, cada um com seus valores.

MBB: Como é distribuído o jornal? Ele é só distribuído no bairro?
AA: A distribuição é uma das partes mais importantes em um jornal de bairro. Se ela for mal feita todo trabalho do mês pode ir por água a baixo. O Jornal do Buritis tem tiragem de 10 mil exemplares por edição e é distribuído em todas as ruas e avenidas do bairro Buritis e nas principais ruas e avenidas do bairro Estoril, além da Câmara Municipal de BH e na Assembleia Legislativa de MG. Atualmente temos uma empresa especializada em distribuição de volumes que faz o serviço de entrega do Jornal do Buritis. Ela é feita porta a porta, nos prédios e casas do bairro, e também no comércio. Contamos ainda com 10 expositores espalhados por pontos comerciais de grande movimento no bairro como, por exemplo, a Drogaria Araujo onde o morador pode retirar o seu exemplar gratuitamente.

MBB: Você acredita no crescimento dos jornais de bairro em longo prazo ou acha que vão se manter estáveis?
AA: Eu acredito cada vez mais no crescimento dos jornais de bairro. No mês de março de 2016 o Jornal do Buritis completou 12 anos de vida. Nunca deixou de circular um mês sequer e sempre cumprindo o seu propósito, que é o de informar as coisas boas do bairro aos seus moradores/leitores. Hoje possuímos uma Associação de Jornais de Bairro de Belo Horizonte com 17 veículos cadastrados. São 170 mil exemplares todo mês nas ruas da capital mineira. Temos um longo alcance e comunicamos em todas as partes de Belo Horizonte. Tenho visto o surgimento de novos jornais de bairro, alguns com qualidade e outros nem tanto. Neste momento vejo que o leitor/morador é quem avalia a qualidade daquele novo veículo. Se ele cumprir o seu papel informativo e de notícias realmente relevantes com certeza se manterá no mercado.

MBB: Quais as suas expectativas para o futuro do bairro? O que podemos esperar para os próximos anos?
AA: As expectativas são as melhores. Espero que a tão falada crise acabe e que o comércio volte a movimentar. Espero também que o poder público olhe com mais carinho para o bairro. Nós, enquanto veículo de comunicação, fazemos nossa parte e cobramos. Mas de nada adianta se quem detém o poder da caneta não olha para nós. Sigo fazendo a minha parte e sempre visando fazer do Buritis o melhor bairro da capital mineira para se viver.

MBB: Muitos nos questionam a respeito da Associação de Moradores. Alguns dizem nem conhecer e acham que falta mais efetividade e presença na região. O que você conhece do trabalho da associação e o que acha que eles fazem e podem fazer pelo bairro?
AA: A Associação de Moradores é a representante legal do bairro. Eu não participo da ABB, mas eles têm um trabalho de 20 anos em prol do Buritis. Já participei de 3 reuniões e o que percebi foi pouca adesão da comunidade. Todos que lá estão não recebem nada por isso. Estão lá por amor ao Buritis e dedicam seu tempo ao bairro. Eu respeito muito o trabalho de todos os colaboradores. Acho que não há desculpa do morador em participar das reuniões e fazer do nosso bairro um lugar melhor para se viver. A associação tem muitas conquistas para o Buritis. Cito aqui a da coleta seletiva: o Recicla Buritis.

MBB: O que podemos esperar das próximas eleições para vereador? Você acha que seria importante o bairro eleger um representante local?
AA: Eu penso que a Câmara Municipal terá uma boa renovação. Na eleição de 2012 foi mais de 50% de renovação e pelo atual cenário político penso que as pessoas vão querer mais mudanças. Acho extremamente importante eleger um representante da comunidade. Já sabemos que o bairro terá candidatos e temos que fazer esforços para que um seja eleito. O Buritis sempre foi doador de votos para candidatos forasteiros. Agora temos que fazer com que esses votos fiquem aqui no nosso bairro, para os candidatos daqui. Eles poderão cobrar mais incisivamente das autoridades as várias melhorias que precisamos para nossos queridos Buritis e Estoril. É só ficar de olho e prestar atenção que o Buritis tem sim pessoas qualificadas para nos representar na Câmara Municipal. Temos pessoas com trabalho verdadeiro para a comunidade.

MBB: Agradecemos pela entrevista. Tem algum recado que você queira passar para os moradores e leitores do Jornal do Buritis?
AA: Continuem lendo e enviando críticas e sugestões para o Jornal do Buritis. Fazemos as edições pensando nos moradores e nas melhorias para nosso bairro. Nosso e-mail de contato é [email protected] e nosso telefone é (31) 2127-2428. Um abraço a todos.

 

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