Continuamos tentando conhecer melhor e apresentar a todos os candidatos a vereador residentes na região para as próximas eleições. Entrevistamos então mais um dos candidatos. Ou melhor, candidata. A psicóloga Luciana Crepaldi traz um sopro de representatividade feminina, entre tantos candidatos do sexo masculino. Vamos saber quais são suas ideias e pretensões caso eleita, e o que ela tem a oferecer ao Buritis e região.

MEU BAIRRO BURITIS: Conte para gente por favor um pouco da sua história pessoal.

LUCIANA CREPALDI: Nasci em Belo Horizonte e sempre morei na regional oeste. Sou viúva e tenho um filho de 19 anos. Sou formada em Psicologia, pós graduada em Criminologia e mestranda em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência na UFMG.

Comecei minha carreira profissional como bancaria e posteriormente passei a atuar como psicóloga na área jurídica e social.

Iniciei no Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário Portador de Sofrimento Mental (PAIPJ) do TJMG. Trabalhei como psicóloga na Delegacia de Mulheres de BH e como Coordenadora de projetos de penas alternativas e no programa inclusão social de  egressos do sistema prisional na Superintendência de Prevenção a Criminalidade na Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS).

A partir de 2009 fui para a Prefeitura de Belo Horizonte fui assessora de políticas sociais na regional Barreiro, supervisora dos Juizados de Conciliação no projeto do TJMG e PBH, Coordenadora de Direitos da Mulher e Coordenadora de Direitos Humanos. Entre os projetos desenvolvidos, coordenei o programa de enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e a Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil. Fui Diretoria Executiva do Consórcio Mulheres das Gerais, Presidente do Conselho da Mulher de BH e Sou fundadora da Rede Metropolitana de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.

Como Conselheira Municipal, participei do Conselho dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA) comissão de Medidas Sócio Educativas e Acompanhamento dos Conselhos Tutelares, do Conselho de Politicas sobre Drogas, Conselho de Cultura e Conselho de Assistência Social. Participei ainda de diversos Comitês e Fóruns relacionados às políticas sociais do município. Dois exemplos são o Comitê de População em Situação de Rua e do Comitê Gestor de Políticas de Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e ampliação do acesso à documentação básico.

Em síntese, posso afirmar que pautei minha vida profissional sempre na luta pela garantia dos direitos das pessoas, e no enfrentamento à violência contra Mulheres, Crianças e Adolescentes.

 

MBB: Conte um pouco também sobre sua história no Buritis e sua vivência no bairro.

LC: Sempre morei e vivi na regional Oeste. Estudei na Escola Estadual Bernardo Monteiro no Prado e morei no Gutierrez e no Barroca. O Buritis era sonho antigo, realizado em 2011.

Aqui encontramos tudo que precisamos, o que faz com que possamos usufruir de uma vida com qualidade, realizar todos as atividades comerciais e de serviços e onde podemos nos inserir nos debates da comunidade.

Utilizo o transporte público, frequento as lojas, os restaurantes, os salões de beleza, o parque Aggeo, os supermercados. Inclusive sou membro da Igreja Batista Getsemani Missão Buritis e uma das fundadoras do Comitê de Segurança do Bairro Buritis (COMSEBB).

 

MBB: Muitos moradores nos questionam dizendo que sequer conheciam a ABB ou que acham que ela tem pouca efetividade. O que você acha sobre isso? Os moradores tem razão de reclamar ou falta as pessoas procurarem de envolver mais?

LC: Ainda não posso responder pelas pessoas do bairro. Mas posso dizer que há, entre aqueles com quem mais convivo, uma percepção sobre a baixa participação. Entendo contudo, que uma Associação de Bairro se faz com a interação das pessoas e como a busca do senso comum.

A motivação e o tempo das pessoas são condicionantes para a participação e, talvez, nos falte a compreensão de que não se precisa mais que duas horas por semana para participar da vida da comunidade. Ainda há as pessoas que investem esse pouco tempo que nos resta em ações comunitárias, mas de outras formas, que não a própria Associação. Fato é que precisamos potencializar as Associações de Bairro e elas precisam nos representar de maneira ampla.

No meu caso, por exemplo, como fui da Comissão de Segurança Pública do Barreiro – COMSEP, logo que mudei para o bairro procurei me informar sobre a Associação e sobre os Conselhos. Cheguei fazer minha inscrição, mas senti pouca receptividade. Depois, em função de outras atividades no mesmo dia e horário, deixei de procurar.

Recentemente, em função da minha experiência e militância na área de segurança pública, fui convidada para uma reunião que tinha a participação da ABB. Nesta, tive o prazer de encontrar pessoas com interesses comuns e com olhar coletivo e participativo.

Ajudei a fundar recentemente o COMSEBB (Comissão de Segurança do Bairro Buritis) – um projeto em conjunto com a 126ª Cia a PMMG – para atuar efetivamente para a redução da criminalidade e aumentar a sensação de segurança no bairro. Nessa comissão conheci pessoas novas na ABB. Espero que seja o sinal de um novo tempo que chegou na Associação, mas que demanda participação de mais gente.

 

MBB: A participação nas redes sociais é importante e tem sido bastante intensa. Dá pra levar isso pra “mundo real” e fazer acontecer o que se reivindica no virtual?

LC: Não tenho dúvidas do fundamental papel das redes sociais como fator de mobilização social. Existe uma militância virtual que não pode ser desconsidera e pode muito contribuir. Trazer pra o mundo real é um grande desafio, mas possível. A COMSEBB é uma prova de que seja possível.

 

MBB: Você se lançou como pré-candidata a vereadora nas próximas eleições. Quais seus projetos, caso eleita?

LC: A minha candidatura é fruto de alguns fatores que se completam: uma trajetória de vida pessoal e profissional voltada para a luta pela garantia dos direitos das pessoas, a percepção de que a Câmara Municipal tem sido omissa nas discussões dos temas importantes da nossa cidade e da certeza que posso contribuir ainda mais para ampliar a participação do cidadão nas decisões coletivas.

Aprendi como podemos utilizar as ferramentas do poder público na busca da unidade por melhorias das condições de vida das cidades, e minhas propostas vão ao encontro da ideia de ampliação dos direitos sociais e da formulação de leis que ampliem e humanizem as relações das pessoas na cidade.

Precisamos ampliar os horários de funcionamentos dos parques e espaços culturais, humanizar as relações nos postos e centros de saúde, ocupar o espaço urbano, melhorar nosso sistema de transporte público, atuar junto ao executivo para melhor os serviços públicos prestados na ponta, baratear o funcionamento da máquina pública para investir nos belos projetos que existem na assistência social e na educação. Mas também precisamos melhorar o ambiente de negócios e dar melhores condições de trabalho para nossos empreendedores, comerciantes e empresários.

BH precisa voltar a ter orgulho de ser BH e as pessoas precisam sentir que seus impostos são bem utilizados. Vou postando aos poucos minhas ideias na minha Fan Page (@lucrepaldibh). Quero e vou ouvir bastante o que as pessoas esperam, querem dos seus legisladores e construirmos juntos um mandato participativo, transparente e decente.

Outra função nossa que quero exercer com seriedade é de fiscalização do executivo para trazer informações mais claras para o cidadão. Depois de oito anos na gestão municipal conheço de perto as dificuldades e estraves da máquina pública e orçamento. Hoje, muito dificilmente uma pessoa consegue entender como a prefeitura arrecada bilhões de reais e onde gasta ou investe todo esse dinheiro.

Quero dizer aos moradores do Buritis que atualmente não me sinto representada na Câmara como moradora do nosso bairro ou da nossa região. Há serviços públicos na região que não temos notícia, as nossas ruas estão precisando de maior carinho e nossa regional precisa reconhecer nosso potencial. Precisamos mudar isso! E vou levar o Buritis para dentro da Câmara Municipal e vocês vão ter livre acesso ao gabinete

 

MBB: Na sua opinião, seria importante para a comunidade eleger um representante local nestas eleições?

LC: Claro que sim! E acredito que o Buritis consegue eleger esse representante. Obviamente que a região que abrange Estrela Dalva, Estoril, Havaí e Palmeiras conseguem eleger até mais.

Nosso bairro sempre foi usado como trampolim de votos por candidatos que não moram na região. Mas depois de eleitos eles vão embora e nos esquecem. Precisamos mudar essa história e trabalhar efetivamente para que nossa região seja lembrada e assistida.

 

MBB: Em que um vereador eleito pelo bairro poderia ajudar, especificamente?

LC: Há muitas questões do dia a dia que podem ser tratadas facilmente apenas como telefonemas e relacionamento. Dessa forma, ser um morador do bairro e viver diariamente as dificuldades me possibilita conhecer na prática o que necessitamos mudar e/ou criar, onde acionar os responsáveis pelos serviços públicos muito rapidamente.

Além disso, no âmbito do legislativo e junto às Secretarias podemos inserir o Buritis nas ações de planejamento, o que inclui receber intervenções de urbanização, na área social, em atividades de lazer e esporte, apoio e atividades culturais.

Um vereador do bairro pode (E DEVE) ampliar a audição dos moradores e ampliar as reuniões e audiências públicas para discutir soluções para problemas nossos. Na Conferência das Cidades realizada em Vitória no ano passado, o prefeito das cidade disse que baixou a criminalidade e ampliou a abrangência dos projetos sociais a partir do momento em que saiu do gabinete e foi para as ruas ouvir as soluções que tinha a população. O BURITIS precisa disso. E eu vou fazer desde já, na campanha vou para as ruas conversar com a população.

 

MBB: Quais você acha que são os pontos fortes do bairro e quais os principais problemas? E quais suas sugestões para resolvê-los

LC: O Buritis possui uma estrutura boa de comércio e bancos, tem opções de lazer como o no Parque Aggeo, e, se ampliarmos para a região do entorno, temos serviços (inclusive públicos) razoáveis.

Mas faltou ao Buritis planejamento efetivo, e isso se reflete nas questões imobiliárias e na questão crônica do esgotamento das vias de trânsito. O reflexo é sentido até no atendimento dos serviços de segurança e saúde com dificuldade de deslocamento de viaturas nos horários de rush. Outro problema relaciona-se com a percepção de insegurança. E esse é um problema geral no município e potencializado aqui no bairro.

Para a questão da segurança pública precisamos ampliar a participação dos moradores na “Rede Protegida” e continuar o planejamento que iniciamos com a COMSEBB e na ABB. Com relação à questão imobiliária, precisamos imediatamente aprovar o novo plano diretor e trabalhar pela regulação de uso dos espaços públicos. É UM ABSURDO O BOICOTE DOS VEREADORES À APROVAÇÃO DO PLANO DIRETOR.

A resolução da questão do trânsito é complexa por que envolve melhoria no sistema de transporte coletivo e intervenções viárias. A criação de vias para saída de veículos e até mesmo a reforma do Anel Rodoviário com a criação do trevo do Buritis entram nesse planejamento.

Apesar de complexo, vamos enfrentar a discussão e no mínimo pautar o assunto junto ao executivo municipal incansavelmente.

 

MBB: Quais suas expectativas para o bairro e região no futuro próximo? Dá para esperar melhorias ou novidades?

LC: Acredito em um Buritis SEGURO, CIDADÃO e MELHOR de VIVER.

Mas antes de tudo, a grande necessidade será unir a comunidade em prol da região e pressionar a Prefeitura e a Regional, a Câmara Municipal e os órgãos públicos para caminhar conosco e para nós.

Não existe melhoria sem envolvimento. Não existe política pública sem cidadão. Precisamos de um representante do Buritis na Câmara Municipal de BH e estou me colocando à disposição com muita vontade de trabalhar sério e honestamente. Eu acredito que é possível.

 

MBB: Muito obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar algum recado para os moradores e frequentadores?

LC: Quero agradecer a oportunidade de dizer um pouco sobre meus sentimentos e sonhos em relação ao nosso bairro e nossa cidade. Dizer aos moradores e frequentadores do Buritis que precisamos tratar melhor nosso quintal e exigir respeito como cidadãos que somos.

Mas, mais que isso, quero pedir para que conheçam minhas propostas e que colaborem com ideias para nosso trabalho. (@lucrepaldibh no Facebook ou [email protected]). Toda e qualquer contribuição será bem-vinda. Me coloco a disposição para ir até quem quiser me conhecer pessoalmente, vou estar circulando no bairro diariamente.

Quero finalizar dizendo que com a minha trajetória profissional me habilitada a trabalhar na Câmara Municipal, que tenho um partido que me ajuda a qualificar a prática política e legislativa e que ao assumir vou disponibilizar o aplicativo “Lu Crepaldi Vereadora” para interagir com nosso querido Buritis.

Abraço, OBRIGADA! O MELHOR DE BH SÃO AS PESSOAS, O MELHOR DO BURITIS SÃO AS PESSOAS.

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