Quem passa hoje pelo bairro Buritis mal consegue imaginar que essa verdadeira selva de pedras era até a pouco tempo uma enorme e pacata área verde. O bairro, que é atualmente o segundo mais populoso da capital, teve um crescimento meteórico que o levou de um loteamento pouco valorizado a um dos bairros  mais concorridos da cidade.

Na década de 30, Aggeo Pio Sobrinho, um químico industrial provindo de família abastada de Dores do Indaiá, no interior do estado, adquiriu as terras, que somavam mais de 5 milhões de metros quadrados, fundando a fazenda Tebaidas. Nas décadas seguintes, Aggeo e sua família moravam no centro de BH, e a fazenda era área de lazer que servia a toda a família. Com o crescimento da cidade se aproximando cada vez mais da região, em dado momento a fazenda começou a sofrer invasões. “Algumas pessoas passaram a invadir o nosso terreno. Eles botavam fogo, matavam os bois e levavam a carne”, afirma Aggeo Lúcio Ribeiro, de 80 anos, o terceiro filho do senhor Pio Sobrinho. Diante de tamanha dor de cabeça, o pai não teve dúvidas: decidiu doar as terras para a Santa Casa de Misericórdia. Aggêo Lúcio e seus irmãos, já maiores de idade, intervieram. “Pedi calma a ele, pois poderíamos assumir a fazenda. Foi o que aconteceu”, diz Aggêo Lúcio.

Por volta da década de 50, com medo de perder a posse, a família resolveu lotear as terras.  Assim, criaram a Arcap Imobiliária. Foi vendida  a área que originou os bairros Cidade Industrial, Milionários e Barreiro. Manteve-se a região mais montanhosa onde ficava a sede da fazenda. Desta, metade foi loteada inicialmente e ocupada pelo bairro Palmeiras. O loteamento, conta Aggêo Lúcio, foi às pressas. E o valor, a preço de banana. A procura foi grande, e pouco tempo depois resolveram fazer o mesmo com outra área da fazenda, a que daria origem ao bairro Buritis, em novembro de 1976. Porém, dessa vez a ideia era fazer um planejamento mais detalhado e criar um bairro “padrão zona sul”. Mas o terreno, altamente acidentado, espantou os possíveis interessados. A expansão da Av. Raja Gabaglia, pouco mais tarde, veio trazendo o crescimento da área nobre da cidade cada vez mais perto da região.

Mas o loteamento continuou com poucas casas. Em 1989, apenas 64 lotes do total de 1.135 estavam com projetos implantados ou em processo de implantação.  Até que a Prefeitura de Belo Horizonte, em 1992, mudou o zoneamento da região, permitindo que fossem construídas residências multifamiliares. Nesse momento, houve o boom imobiliário do bairro Buritis. A partir da década de 90 essa área começou a mudar drasticamente.

Quem se mudou pra cá nessa época, ou antes disso, lembra com saudades dos tempos de tranquilidade e contato direto com a natureza. “Íamos fazer piquenique na mata onde hoje é o Parque Aggeo Pio Sobrinho. Tinha uma cachoeira vários pontos de mina, ar puro…. No caminho comíamos goiabada, mangas, abacates e outras frutinhas nativas da região. Passávamos horas maravilhosas, conta Ana Lúcia Sobrinho.

Outra moradora, Silvia Novaes, também se lembra de como era: “Cheguei em 1996. Minha mãe ficava super preocupada por eu morar num lugar ermo. E olha que já tinha muitos prédios. Vi a chegada do Super Nosso, o crescimento da Trigopane, que era uma padaria pequena na rua José Rodrigues, a mudança na Mário Werneck, que era mão dupla em frente ao Paragem e que não ia até a Barão, o fim da Dynamis dando lugar ao Verdemar… Nossa, muita coisa mudou!”

Outra que conta suas lembranças de infância na região é Patrícia Martins: “Moro aqui desde que nasci em 1983. Lembro quando criança a rua não era asfaltada. Minhas irmãs mais velhas contam que tomavam banho e lavavam as roupas no córrego do cercadinho.”

“As ruas que ligavam o Jardim América à Mendes Júnior eram de minério. Eu e meus amiguinhos passeávamos muito por esta região. Nesta época as crianças podiam andar pra lá e pra cá.”, conta Gianini Brum.

Segundo Valéria Souza: “A polícia passava duas vezes por dia e buzinava para avisar e saber se estava tudo bem com todos. Vacas dormiam no portão da min ha residência. Eu passeava com meus 5 pastores soltos, pois não encontrávamos ninguém no caminho.”

Hoje, tudo mudou. Não temos mais essa tranquilidade e contato com a natureza. Mas outras vantagens vieram no lugar destas.  O Buritis é um bairro cosmopolita. Aqui tem de tudo e as pessoas afirmam que não se precisa sair  do bairro para praticamente nada. Apesar dos problemas característicos de área urbanas, do trânsito intenso, poluição sonora, e grande volume de pessoas por metro quadrado, a maioria afirma que não pretende sair do Buritis.

 

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