Você já notou que tem dias que a gente espera a chuva o dia inteiro e ela não vem? O céu fica escuro, volta e meia você tem a sensação de que viu um relâmpago, o vento frio bate com mais intensidade… e a chuva não vem? Pois é. Essa semana teve isso aqui no Buritis. Só que a chuva veio, bem no início da noite. Chuva fina. Gelada. Aquela que arrebenta a chapinha, sabe? Pois é. Aí vem a treta.

Nas calçadas disputam espaços dois grupos: os que estão com guarda-chuva e os que estão sem guarda-chuva. Não precisa nem dizer quem está melhor na inútil tarefa de tentar manter-se seco: todo mundo enganado pela chuva. Ela molha. Acontece que essa tarefa idiota de querer ficar seco também acontece de modo ilícito: alguns umbigos querem ficar sob as marquises com seus guarda-chuvas em riste. FO-DA-SE se você está precisando de um pedaço de marquise também. FO-DA-SE se você está sem guarda-chuva. Essa gente aí, dona do guarda-chuva, acha “está na melhor”, mas em essência, estão todos na ruína. Falta-lhes noção de espaço. De respeito. De cidadania.

Dias antes, em frente àquela padaria que vende tudo caro, mas mesmo assim muita gente frequenta e acha bacana, tem um espaço chamado “calçada”. Vamos lá no Dicionário Houaiss buscar o significado de calçada (porque, afinal de contas, tem gente no Buritis que desconhece o que seja). Lá diz o seguinte: “substantivo feminino: caminho calçado de pedras; rua de paralelepípedos ou outro tipo de revestimento de pedra”. Aqui em Minas também é conhecido como “passeio”. Pois é. Dias antes, ali na calçada, uma mulher muito bonita, muito loira, de pele muito alva, pele fina, pétala-flor. Visivelmente cheirosa e olfativamente bem arrumada. Casca podre. O que dá a si o direito de parar sobre a calçada com sua meiga, singela e pura pretensão de “ir ali rapidinho comprar pão”? FO-DA-SE se você precisa usar a calçada como se ela fosse… calçada! FO-DA-SE se você está a pé, desvie, pegue outro rumo. O umbigo é dela e ela vai estacionar seu umbigo onde quiser. Para gente “desse tipo”, de beleza rasa, falta educação. Não aquela educação comprada nas “melhores escolas de Beagá”, mas aquela que considera o espaço público como espaço do outro, coletivo. BHTrans? Alô! Você está aí? Vamos multar essa turma que acha que pode estacionar seus umbigos nas calçadas?

E por falar em estacionar, você já reparou que sempre tem um tipo que consegue a façanha de parar em duas vagas? É… duas vagas… ali mesmo na padaria que cobra caro. Ou mesmo naquele supermercado cujo nome lembra alguma coisa de oceano, sabe? Também naquele outro supermercado mais pro fim da avenida principal, que tem preço de “Gourmet”? Lembrou? Pois é. Tem um tipo que não está nada preocupado se você vai chegar ali também, precisando de vaga. FO-DA-SE se você está precisando fazer compras. FO-DA-SE se você quer estacionar seu carro. O mais engraçado disso tudo é saber que esse tipo geralmente tem um carro grande. Carro espaçoso. Carro alto. Digamos: carro de bundão, sabe? Pois é. Ambiguidade no ar. O Buritis, com tanta gente folgada, não é de se surpreender que haja vizinhos que peidam sem abrir um milímetro do cu. E por falar em bundão e cu: #ForaTemer!

 


Bruno de Assis Freire de Lima
é formado em Letras, professor de Língua Portuguesa e Literatura, mestre em Linguística e doutorando na mesma área. Possui livros infanto-juvenis, crônicas e contos publicados. Atualmente, colabora com o site Meu Bairro Buritis, onde publica textos sobre a vida no bairro. 

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