carluxo

Carlo Di Franco Michell, ou simplesmente Carluxo, como é conhecido entre os amigos, é um para-atleta brasileiro do tênis de mesa (o nosso ping pong) muito experiente e tem várias competições e grandes títulos no currículo. Em Toronto ficou com a honrosa medalha de bronze, mas já possui seis ouros parapan-americanos na carreira.

É verdade que o terceiro lugar veio com sabor indigesto, uma vez que o ouro valia a vaga brasileira nas Olimpíadas do Rio, onde o nosso mineirinho queria muito representar o Brasil. Desta vez não deu, mas nada que desanime este excepcional atleta, tanto que ele trouxe apenas boas impressões da disputa, seja do país-sede ou mesmo dos adversários. “Foi lindo, super bem organizado, o povo sensacional. O que mais marcou foi o respeito e a alegria do adversário que ganhou de mim na semifinal, o americano Ari Arratia. Ele me chamou de lenda do esporte e grande campeão, e que aquele dia ficaria marcado para sempre na vida dele”, emociona.

 

Em tempos de denúncia de corrupção em órgãos que coordenam os esportes, Carluxo traz uma notícia muito positiva: o apoio dado pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). “Impressionante esta entidade. Com 15% somente da verba que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) recebe do Ministério do Esporte, ele consegue fazer cinco vezes mais medalhas. Realmente um trabalho muito profissional”.

 

Uma história de superação

 

Carluxo nasceu com uma doença rara chamada Artrogripose, que atacou todas as articulações de seu corpo. A primeira cirurgia foi feita com apenas 20 dias de nascido e hoje com 45 anos já completou a 52ª. Seu primeiro contato com o esporte foi a natação. Aprendeu a nadar com dois anos de idade, sendo que somente foi andar aos três. Começou a praticar tênis de mesa aos 14 anos. Aos 15 já fazia parte da seleção mineira infantil. Aos 26 descobriu o esporte paralímpico e, desde então, faz parte da seleção brasileira, sendo o grande destaque da equipe.
Quando iniciou no tênis de mesa, em 1984, Carluxo conta que não era normal um deficiente físico fazer esporte. O preconceito era muito evidente. O único jogador deficiente que havia em Belo Horizonte era ele. Teve que ouvir muitas vezes que ali não era o seu lugar e muitas vezes chegou a acreditar que, realmente, não era. Contudo, não desistiu. Ouviu seu coração e seguiu seu sonho. “É engraçado. Muitos atletas se negavam a jogar comigo devido à minha deficiência. Hoje é diferente. Todos querem bater uma bolinha comigo. Mas foi bom passar por essas dificuldades, pois os meus adversários acabaram moldando a minha personalidade esportiva. Com eles, aprendi que a minha força de vontade tem de ser maior do que qualquer obstáculo e que os sonhos podem sim se tornar reais”.
Mais que um vencedor no esporte, o morador do Buritis é um vencedor na vida e um exemplo para as futuras gerações. “Sempre tive muita sorte e olho sempre para frente. Não fico perdendo meu tempo com o que eu não posso fazer, e sim ocupando meu tempo com tudo o que posso ser. Se me pedissem para nascer de novo escolheria a mesma vida que tenho”, diz.
Depois de tantas histórias de superação e vitórias é hora de passar tudo isto adiante. O maior objetivo profissional do nosso morador do Buritis agora é colocar em prática o seu projeto para treinar crianças portadoras de deficiência. “Quero que todas elas tenham a mesma felicidade de viver que eu tive e o esporte, sem dúvidas, é o melhor caminho”, finaliza Carluxo.

 

Fonte: Jornal do Buritis

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