O Bairro

Situado na região oeste de Belo Horizonte, o Buritis é um bairro privilegiado pela sua localização, áreas verdes preservadas, comércio diversificado, várias instituições de ensino, que vão da pré escola ao doutorado. Isso faz a região do Buritis atraente e cobiçada.

O Buritis teve crescimento recorde entre todos os bairros da América do Sul há poucos anos, e crescimento médio populacional de mais de 27% ao ano. Está em franca expansão. Uma das características mais marcantes é o grande número de empreendimentos comerciais, especialmente bares e restaurantes. Além disso, o bairro possui uma infra-estrutura completa em termos de escolas, academias, quadras e campos de futebol e tênis, universidades, shoppings, escritórios e cinemas. O metro quadrado é um dos mais caros de Belo Horizonte.

A beleza da região, as ruas arborizadas e a localização privilegiada são características que fazem do Buritis um dos espaços mais disputados da capital. Grandes jardins embelezam a fachada dos prédios luxuosos e ruas com passeios largos dão uma característica diferenciada ao projeto urbanístico local.

O bairro encabeça a lista dos que oferecem o maior número de unidades habitacionais, conforme levantamento do Instituto de Pesquisas Administrativas da Universidade Federal de Minas Gerais (IPEAD/UFMG), realizado em novembro de 2005. O Buritis é um bairro jovem, bem localizado, com infra-estrutura e vida próprias. Pelo menos é assim que boa parte dos moradores o descrevem.

 

História

Quem imaginaria que o Buritis nasceu como um golpe do destino, desencadeado por uma série de eventos.

Muitos sabem, a fazenda deu lugar ao loteamento Buritis, que pertenceu ao químico industrial Aggêo Pio Sobrinho. Entretanto, não foi ele o responsável pela criação do bairro. Foi outro Aggêo.

Ainda, se você já se pegou pensando no motivo do local ter esse nome e não ter nenhuma árvore Buriti, hoje chegou o dia de descobrir o porquê.

O JOVEM AGGÊO PIO SOBRINHO

O jovem Aggêo Pio Sobrinho nasceu em 1902, em Dores do Indaiá, e veio estudar em Belo Horizonte quando tinha 14 anos de idade. Apesar da família ter o sobrenome Ribeiro, foi o único a ser Sobrinho por causa da homenagem que o pai fez a um parente e amigo farmacêutico, chamado Aggêo Pio.

Jovem_Aggeo_Pio_Sobrinho

Aparentemente, o jovem teve problemas e precisou voltar a Dores do Indaiá. Todavia, o repórter, professor e inspetor federal Dr. José Oswaldo de Araújo era amigo do pai do garoto e ficou sensibilizado com a situação, por isso, ofereceu custódia para que Aggêo voltasse a estudar na capital. Mais tarde, em 1938, o Dr. José viria a se tornar prefeito da cidade.

Aggêo voltou e estudou muito. Em 1921, concluiu o curso de farmácia na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte; a partir de 1922, trabalhou como professor de Química Bromatológica e Toxicológica na Faculdade de Medicina de Minas Gerais.

Em 1925, concluiu o curso de Químico Industrial pela Faculdade de Engenharia de Belo Horizonte. Continuou estudando por muito tempo e virou cientista, mas vamos nos ater a essa profissão, que foi a divisora de águas na vida de Aggêo e do bairro Buritis.

Muitos amigos ilustres apareceram na caminhada acadêmica do químico. O professor Baeta Vianna foi um deles. Criou, com Aggêo, a fórmula do remédio Iodobisman, responsável por curar sífilis.

Na época, ainda não existia a penicilina e, por isso, o remédio virou sucesso no mundo inteiro, o que trouxe várias possibilidades a Aggêo. Inclusive, a oportunidade de comprar terras na zona oeste de Belo Horizonte.

FAZENDA DOS TEBAIDAS

No início da década de 1930, Aggêo começou a adquirir glebas na zona oeste de Belo Horizonte. Ao todo, comprou 19 pedaços de terra, os quais totalizavam, aproximadamente, 5 milhões de metros quadrados.

Os terrenos faziam divisa com as regiões do Olhos D’Água, Barreiro, Milionários, Cidade Industrial, Estrela D’Alva e a zona sul da capital. Juntos, formaram a Fazenda dos Tebaidas.

A Fazenda possuía uma sede onde fica, atualmente, o empreendimento da MRV que deu nome ao loteamento Buritis II. Em frente à casa, por obra do sr. Aggêo Pio, foi feito um grande lago.

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Entre 1920 e 1940, dona Leocádia, uma farmacêutica casada com o sr. Aggêo, teve quatro filhos: Rubens, Carlos, Aggêo Lúcio e Paulo. Todos receberam o sobrenome Ribeiro.

A família morava no centro da cidade. Os filhos, como Aggêo Lúcio, foram criados nas ruas Guarani e Gonçalves Dias. Naquelas décadas, a Fazenda dos Tebaidas serviu a todos os parentes, que aos finais de semana se reuniam no lugar.

Dona Leocádia gostava muito de festas juninas e organizava várias no local. Aggêo Lúcio conta como teve uma infância maravilhosa na Fazenda dos Tebaidas.

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O DESTINO ENTRA NA HISTÓRIA

Apesar da Fazenda ser um local mágico, uma série de acontecimentos culminou para que o lugar fosse desmembrado. Os primeiros problemas surgiram quando, segundo Aggêo Lúcio, houve a expansão da Cidade Industrial.

Fazenda_dos_Tebaidas_Foto_Arthur_Scafutto_e_Ney_Felipe

Algumas pessoas que habitavam ali entravam na Fazenda, roubavam ou matavam o gado e o descarnava no próprio local do abatimento.

De acordo com Aggêo Lúcio, outra região limítrofe, o Olhos D`Água, foi posse de Cândida Maria de Souza Guimarães no século XVIII e trouxe grandes problemas de invasão. Os herdeiros da senhora não sabiam quais eram suas terras e, por vezes, cercavam partes da Fazenda dos Tebaidas como se fossem suas propriedades.

A família precisou retirar várias vezes as cercas que estavam em local errado.

Em paralelo, com o advento da penicilina, o remédio Iodobisman ficou obsoleto e saiu de circulação. O Laboratório Iodobisman caminhou para o encerramento se suas atividades.

O químico, então, foi admitido pela Companhia de Seguros Minas Brasil, de seu amigo Dr. José Oswaldo de Araújo. Mas, cansado de tantos problemas, o sr. Aggêo Pio decidiu doar o terreno para a Santa Casa De Misericórdia.

Neste momento, houve a virada do destino. O filho de Aggêo Pio, Aggêo Lúcio, disse ao pai:

“Espera aí. O senhor tem quatro filhos. Deixe eles assumirem o problema”.

Com medo de perder parte da Fazenda, entre as décadas de 1950 e 1960, os filhos lotearam, às pressas, a área que fazia divisa com a Cidade Industrial, Milionários e Barreiro. Mantiveram apenas a região montanhosa, onde ficava a sede.

Aggeo_Lucio_Gualberto_Ribeiro_Foto_William_Araujo

O espaço deu luz ao bairro Palmeiras e, segundo Aggêo Lúcio, o loteamento foi um sucesso tão grande que chegaram a vender 400 lotes em dois dias.

Contudo, as invasões continuaram no lado do Olhos D’Água. Além disso, o acesso à Fazenda ainda era precário e se mantinha pela zona oeste de Belo Horizonte.

Por isso, apesar da Fazenda dos Tebaidas ter um laranjal e nutrir a capital com mercadorias, os problemas se acumularam e levaram os filhos a lotearem o restante do terreno. Assim nasceu o bairro Buritis, por meio de um loteamento iniciado em novembro de 1976.

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GUIMARÃES ROSA E O BAIRRO BURITIS

Muitos pensam que o nome Buritis derivou da presença desta espécie de árvores no local. Entretanto, de acordo com Aggêo Lúcio, nunca houve um pé de buriti na região.

O nome foi dado por uma amiga da família e Secretária de Planejamento Urbano da capitalDra. Ismaília de Moura Nunes.

Ela era apaixonada por Guimarães Rosa e, como o escritor era um amante das árvores Buritis, destacadas no livro “Grande Sertão: Veredas”, pediu, gentilmente, que Aggêo Lúcio homenageasse o autor.

Daí surgiu o nome do bairro Buritis, em novembro de 1976.

Trecho do livro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.

“Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul, e não se aparta de sua água – carece de espelho”.

No início, o empreendimento foi criado para assentamento unifamiliar (uma casa por lote), mas ficou estagnado muito tempo. O contrato formalizado com a Convap Engenharia e Construções, de acordo com Aggêo Lúcio, previa que a empresa urbanizasse o local em troca de 43% dos lotes obtidos.

Assim, nasceram as atuais avenidas e ruas do bairro. A av. Professor Mário Werneck recebeu o nome em alusão ao diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas poucos sabem que o estudioso era amigo do Sr. Aggêo Pio Sobrinho e, por isso, foi escolhido para dar nome à via.

Quando a família Ribeiro fez o loteamento do bairro Buritis, precisou salvaguardar terrenos para que fossem mantidas áreas verdes. No entanto, destinaram uma parte muito maior do que a exigida à preservação, e dali nasceu o parque Aggêo Pio Sobrinho – o segundo maior de Belo Horizonte, com 600 mil m2.

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O parque possui três nascentes que dão vazão ao córrego Cercadinho – alimentador da bacia do Rio Arrudas. O riacho recebeu esse nome por conta do bandeirante paulista João Leite da Silva Ortiz, que se estabeleceu por ali no início do século XVIII com uma propriedade rural, a qual foi batizada como Fazenda do Cercado.

O loteamento continuou com poucas casas até que a Prefeitura de Belo Horizonte, em 1992, mudasse o zoneamento da região, permitindo que fossem construídas residências multifamiliares. Nesse momento, houve o boom imobiliário do bairro Buritis.

Foto_Aerea_Loteamento_Buritis_apos_mudanca_de_zoneamento_Fonte_Convap_Jornal_Daqui_BH

De um ano para o outro, os prédios surgiram. Muitos, muitos empreendimentos aportaram no local, e as pessoas que procuravam um espaço próximo à zona sul de Belo Horizonte encontraram uma alternativa. O Buritis começava a ser o novo polo verticalizado da capital.

O letreiro “Buritis”, ideia de Aggêo Lúcio que indicava a região de loteamento do bairro, ficava no quarteirão entre as ruas Ernani Agrícola e Stella Hanriot, onde, hoje, existe um residencial.

As escolas também ajudaram o Buritis a se desenvolver. Aggêo Lúcio é um grande amigo do missionário Raymond Herbert Meisenhalder, pastor da Igreja de Cristo, e cofundador da Escola Americana de Belo Horizonte (EABH) – na época, sediada no Izabela Hendrix.

Antes mesmo do loteamento, em 1970, os irmãos comercializaram parte do terreno para o pastor, que, posteriormente, assentou a EABH. Décadas depois, quando a PBH já havia mudado o tipo de zoneamento da região, outros institutos de educação apareceram, como o Colégio Magnum e o Centro Universitário de Belo Horizonte – UniBH (onde antes existia a empresa Mendes Jr).

Daí em diante, o local atraiu muitos comércios, outras escolas e se tornou o que é hoje, o segundo mais populoso bairro de Belo Horizonte e o mais verticalizado da capital. Virou o que conhecemos como o bairro Buritis.

 

Fonte: Jornal Daqui

 

 

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