Estudos vêm mostrando que mais da metade das pessoas que fazem regime passa boa parte da vida adulta tentando emagrecer. Para essas pessoas, a vida se torna um penoso ciclo que começa com um regime mirabolante, acaba caindo nos excessos da comida e termina com sentimentos de culpa. Até que surge a promessa de um novo regime e o ciclo recomeça.

Nunca se falou tanto de nutrição e dietas, e nunca a população ganhou tanto peso! Pense, há um paradoxo aqui.

Estamos sendo bombardeados com dicas de dieta, de alimentos supostamente milagrosos, que vão mudar a nossa vida, ou nutrientes que se tornam quase veneno –  glúten, lactose, carboidratos… Com a tecnologia disponível hoje, estas informações, geralmente pouco qualificadas e baixo nível de evidências, se espalham por todos os lados. E as pessoas seguem estas dicas!

Estamos cada vez mais em guerra com o nosso corpo. Em vez de cuidar bem dele, tentamos obrigá-lo a seguir numa direção que ele muitas vezes não quer ir.

O nosso metabolismo foi formatado ao longo de milhares de anos, quando a falta de comida era comum. Quem sobrevivia naqueles tempos era quem tinha gordura. Ainda hoje, o cérebro enxerga a gordura como proteção.

Fazer uma dieta restritiva, é uma das coisas que mais assusta e estressa o  seu corpo e o seu cérebro. Este vai perceber a restrição e a perda drástica de peso como um grande perigo, desenvolvendo mecanismos de adaptação para proteger você.

Veja só o que acontece: o seu cérebro vai aumentar o seu apetite, diminuir o seu metabolismo e aumentar cada vez mais a sua obsessão por alimento, justamente para que coma e não corra o risco de perder gordura.

A dieta também muda o seu humor, a sua relação com a comida, deixa você mais obcecado pelos alimentos, especialmente pelos alimentos “proibidos”. Resumindo, a dieta restritiva muda o seu foco e o seu bem-estar. O cérebro fica estressado e quer fazer você comer!

Devemos ter em mente, que a Nutrição não é uma ciência exata. Um dos exemplos mais marcantes dos erros da ciência da nutrição foi a demonização da gordura. Em 1950, um estudo mostrou uma associação perfeita entre consumo de gordura e doenças do coração. Este estudo foi a base de novas diretrizes sobre gordura. A gordura virou um vilão.

Começou um movimento de décadas que mudou profundamente a indústria alimentícia, a medicina, a nutrição e toda a sociedade. Só recentemente a gordura está sendo reabilitada como um nutriente interessante e importante para nosso equilíbrio.

No final de 2013, uma pesquisa publicada no Bristsh Medical Journal mostrou que esta fobia da gordura saturada era um mito. A gordura não é o inimigo quando se trata de doença cardiovascular, ganho de peso, saúde do cérebro e tantas outras questões.

Em 2014, outra pesquisa, publicada na revista Annals of Internacional medicine, mostrou que as pessoas que consumiram mais gordura saturada não tinham um maior risco de apresentar doença cardiovascular.

Então, como se alimentar para prevenir as doenças cardiovasculares? Um grande ensaio clínico de 2013 mostrou que uma dieta mediterrânea, com mais nozes e azeite de oliva extra virgem, reduziu ataques cardíacos e derrames em comparação com uma dieta com baixo consumo de gorduras e com mais carboidratos. Paradoxalmente, os produtos com menor teor de gordura aumentaram o risco de doenças cardiovasculares.

Dá pra pirar, não é? Mas isto tem explicação.

Essa guerra contra a gordura fez com que a indústria alimentícia desenvolvesse novos produtos, light ou diet. Só que quando se retira a gordura do alimento, ele deixa de ser gostoso! Para resolver isto, e dar um aspecto mais interessante a estes alimentos, foi acrescentado mais açúcares, amido modificado, xarope… A troca foi bem aceita porque deixou o alimento com menos calorias (1g de gordura equivale a 9 calorias e 1g de açúcar equivale a 4 calorias). Assim fomos evitando gordura e acrescentando carboidratos na nossa alimentação, tudo em prol de comer menos calorias.

Quando você começa a ler rótulos, vê a quantidade de açúcar que é adicionada nos chamados alimentos saudável, como iogurte, barra de cereal, molho de tomate, sucos de frutas, dentre outros.

Então, é o açúcar que faz mal ao coração?

Uma publicação de 2014 no Journal of the American Medical Association mostrou que o açúcar ingerido é ligado a um risco maior de ataque cardíaco e de demência, bem como de outras doenças inflamatórias, resistência à insulina e diabetes tipo 2, obesidade, problemas no fígado, artrite, redução dos níveis de colesterol HDL, aumento de triglicérides e câncer.

Fica cada vez mais difícil saber o que comer!

Agora não se pode comer determinado alimento porque ele representa um risco para o coração; passado um tempo, outro alimento passa ser o vilão. Passado mais um tempo, aquele produto que ameaçava o coração agora faz bem a ele. Complicado, não é?

Mas é importante não se assustar e não passar a comer gordura e cortar todo açúcar. O importante é ter moderação em tudo, sem demonizar nenhum alimento!

A pergunta que fica é: como perder peso, alimentar corretamente e evitar uma série de doenças, sem afetar o organismo nem o prazer que a comida oferece?

O que defendo é a substituição das dietas pela reeducação alimentar, com ênfase na comida de verdade. Como? Abandonando gradualmente os hábitos alimentares indesejáveis, mantendo as condutas saudáveis e incorporando, aos poucos, novos comportamentos alimentares.

Só que isto é conversa para outra coluna!

Até lá.

 

Laine de Araújo Barbosa é Nutricionista, formada na UFV, Especialista em Nutrição Clínica e Terapêutica Nutricional, Coaching Nutrição e Personal Diet, com cursos de atualização em Nutrição e Suplementação do Atleta, Nutrição Materno Infantil, Imunonutrição, Avaliação Nutricional de Crianças e Adolescentes, Alterações Endócrinas e Metabólicas, Avaliação Nutricional de Populações. Atende na Rua Senador Lima Guimarães 129, Sala 04 -Clínica Biocenter. Buritis. Fone: 3378-9557 / 3378-2965

 

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

FALE CONOSCO

Envie-nos uma mensagem

Enviando

©2019 Meu Bairro Buritis | Todos os direitos reservados

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?