Vamos falar sobre os meninos de rua - Meu Bairro Buritis

Ontem foi dia de mais uma polêmica no nosso grupo do Facebook. Quando um membro do grupo fez um post falando sobre as crianças que ficam pedindo esmolas, ou comida, em alguns locais do bairro, como em frente ao McDonalds por exemplo, eu ja sabia o que viria. Me apressei em dizer que estaria de olho nos comentários e pedir a todos que mantivessem a educação e cortesia, sem agressões. É comum nesse tipo de publicações que as pessoas fiquem mais exaltadas, e acabem discudindo umas com as outras, levando a grosserias, xingamentos e coisas do tipo. Faz parte do ambiente de rede social, infelizmente. Especialmente nesse caso, onde o autor do post se posicionou pedindo que as pessoas não dessem esmolas ou comida para essas crianças, de forma que elas não marcassem o ponto no local. Eu sabia que viria uma saraivada de críticas. É mais um desses assuntos bastante complexos e que costuma render discussões que opõem lados opostos.

Mas nesse caso não deu tempo de chegar a isso. Alertado por alguns comentários, percebi que na pressa na hora da análise para aprovação do post, eu não havia reparado que as fotos exibiam o rosto de algumas dessas crianças. Sem autorização isso é contra a lei e pode gerar muitos problemas. Sendo assim precisei apagar o post, e com ele o debate inflamado que já se estabelecia nos comentários.

Uma pena porque, excetuando os já citados excessos que sempre ocorrem nesses casos, o debate é bom. É enriquecedor. Acho importante o diálogo sobre esses temas. Ouvir os dois ou mais lados e analisar a situação de todos os ângulos é que faz com que, talvez, consigamos chegar a denominadores comuns e ajudar como for possível.

Muitos diziam apoiar, porque acham que os meninos são na verdade explorados por suas famílias ou outros adultos, e que dar esmola ou comida não vai resolver o problema deles. Outros criticavam isso com veemência, dizendo ser uma questão de humanidade alimentar quem tem fome, e acusando o outro lado de não ajudar por não querer que os meninos fixem ponto no bairro de classe média-alta, assim afastando o problema pra longe dos olhos. Mas quem tem razão? Ou melhor, alguém tem razão? Eu consigo concordar com os dois lados.  Talvez seja impossível se chegar a um consenso.

Há algum tempo atrás houve um outro caso, também em nosso grupo do Facebook. Tratava-se de um menino que ficava pedindo ajuda em frente a uma drogaria do bairro, junto com seu cachorro. Esse menino causou muita comoção. O post bombou e várias pessoas se dispuseram a ajudá-lo. Depois de algum tempo recebi relatos de algumas dessas pessoas, dizendo que visitaram a casa do garoto. Diziam que ele era explorado pelos familiares, que eram pessoas que provavelmente tinham problemas com drogas, e que não haviam sido muitos amistosas com quem foi até lá. Pode ser que eles o obrigassem a ficar nas ruas pedindo dinheiro, para levar para eles gastarem com drogas. Complicado.

Tá, mas, e aí? Os meninos tem fome. E como dizia o Betinho, “Quem tem fome tem pressa”.  Devemos mesmo virar o rosto e fingir não ver uma criança nessa situação? É humano ajudar quem precisa. Realmente, alimentá-los ali por um breve momento não resolverá o problema deles. E sozinhos não podemos fazer muito mais. Mas pelo menos ajudamos de alguma forma, um pouco. Acalmamos nossa consciência e tocamos em frente nossa vida privilegiada. E assim o mundo segue girando, milhões seguem passando fome, frio, necessidade… e seguimos nessa encruzilhada.

O problema é muito complexo, e na verdade isso é só a pontinha do iceberg. Mas enquanto ficamos aqui sem saber se ajudamos dando esmola ou se ajudamos mais negando-a, que tal focar no que realmente pode ajudar a resolver a questão de forma mais ampla? Ser um cidadão consciente não é coisa de babaquinha, nem de mauricinho ou de tio chato. Precisamos ser corretos, exercer nossa cidadania e fazer nossa parte em  todas as esferas sociais. E especialmente, nos informarmos e sermos muito ativos na hora de eleger, acompanhar e cobrar dos representantes em cargos públicos. E aqui nem me refiro só a eleições. Estou falando mesmo de qualquer funcionário público, que trabalhe sendo pago com dinheiro dos nossos impostos, e que tenha como função servir a população. É só assim, e no longo prazo, que vamos conseguir começar a ver os problemas do nosso bairro, cidade, estado, país ou até mesmo do planeta, serem resolvidos. Trate a todos com respeito e educação, seja civilizado, faça tudo como deve ser feito, mantenha-se informado e consciente, cobre, procure, ajude, esteja disponível. Tudo depende de você. Começando pelo seu bairro.

 

 


Leonardo Orrico
Publicitário, entusista das redes sociais, administra o projeto Meu Bairro Buritis junto com sua esposa e seus quatro gatos, tentando fazer sua parte para um mundo melhor, começando pelo seu bairro. 

 

 

 

2 Comentários
  1. Kelli Ayres 9 meses atrás

    Confesso que o assunto é complexo. Já ajudei algumas vezes. Mas depois que um garoto chutou meu carro na esperta do drive do Macdonalds confesso que me tornei dura nesse assunto. Não ajudo mais.

  2. Salina 9 meses atrás

    Parabéns pelo post, eh lamentável e impotente porque pessoas de bem, tumultuadas pela rotina muitas vezes não sabe nem mesmo como ajudar. Dispensar tempo para fazer o bem, ter um local ou ambiente para falar com essas pessoas, seria o ideal. Não somente ajuda financeira, mas ajudar ouvindo, mobilizando, eis o desafio da humanidade. E seguimos fazendo cada um sua parte acreditando ser o máximo que podemos fazer. Não se se temos como nós mobilizar de forma diferente, se conseguimos fazer através de igrejas ou outras entidades sociais para que possamos orientar essas crianças a pedir socorro. Um help pela vida. Afinal, todos merecem um caminho para aprender a sobreviver.

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