Toda uma geração de mineiros, que viveu sua infância nos anos 80, tinha como grande atração e referência, um programa de TV local. Esse programa acabou servindo como uma das influências para o surgimento de muitos outros muito famosos pelo Brasil, inclusive o mais conhecido deles: o Xou da Xuxa, da Rainha dos Baixinhos.

O Clubinho da Tia Dulce era transmitido apenas em Minas Gerais, pela extinta TV Itacolomi, que mais tarde acabou se tornando a TV Alterosa. Feito com poucos recursos financeiros, o programa era gravado, a princípio, em um canto de uma sala no estúdio da pequena emissora, estreando no ano de 1979. Mas o sucesso da atração foi crescendo, e a estrutura foi aumentando. O programa passou depois a ser gravado em um grande estúdio, com arquibancada para receber as pessoas. Em 1985 a Tia Dulce era um sucesso gigantesco. Foi marcado um show no Mineirinho para comemorar o aniversário do Clubinho. As atrações seriam as bandas Dominó e Trem da Alegria. Seria a primeira vez que o espaço sediaria um evento que não fosse esportivo. Apareceram 45  mil pessoas.

“Foi uma loucura. Ninguém esperava por aquele público e não tínhamos estrutura para tal. Foi uma emoção enorme, mas a preocupação com a segurança não deixou que fizéssemos uma grande apresentação. Não queria que as crianças dançassem com medo de um acidente. Depois fizemos mais dois shows no Mineirinho, aí sim, com limite de público e uma estrutura para garantir a segurança da garotada”, conta Dulce Rosa Melo, a Tia Dulce, em entrevista recente ao Jornal do Buritis. Ela, hoje com 83 anos, mora aqui no Buritis, com o filho.

foto: Jornal do Buritis

O programa ficou no ar por 10 anos. “O Clubinho aconteceu numa época em que a televisão estava carente de programação. O essencial para trabalhar com público infantil é gostar de criança. E eu amava. Elas que eram a principal atração do programa.”, conta. O idealizador do programa foi o falecido narrador esportivo Fernando Sasso. Além da apresentadora, a atração tinha a participação de dois animadores de palco, os palhaços Rapadura e Pituchinha. “Nossa relação era maravilhosa! Tia Dulce, na verdade, era nossa mãe e amiga. Éramos uma verdadeira família. Viajamos muito juntos para shows em circos e eventos em várias cidades de Minas, com sucesso total. Chegávamos nas cidades e éramos recebidos como celebridades”, lembra Jonas Santos, o primeiro Rapadura (foram somente dois) e criador da personagem.

O Clubinho alcançava índices de audiência  surpreendentes para a emissora mineira naquela época, e permanecem como recordes. Ao longo de todo o tempo que esteve no ar, Tia Dulce e o Clubinho fizeram shows pelos quatro cantos de Minas Gerais, sempre batendo recordes de público. “Na TV não ganhávamos dinheiro, então investimos muito nos shows. Foi uma época de muitas viagens e grandes recordações”. Dulce conta que ainda hoje é reconhecida nas ruas por fãs. Ela mora no bairro há cerca de 10 anos e relembra com carinho sua carreira. Desde sua entrada na TV Itacolomi, em 1956, ela fez de tudo ou quase tudo na televisão. Foi garota propaganda, animadora de show, apresentadora de tele-jornal (âncora), fez tele-novela, tele-teatro, programas de sorteio de prêmios e de entrevistas. No Cine Brasil, fez programa da Mobiliadora Inglesa e Casas Levi. Na Rádio Nacional, Dulce fez programa de auditório no Teatro Francisco Nunes.

O Clubinho da Tia Dulce saiu do ar em 1989. O programa entrou de férias e acabou não retornando. Já era uma nova época e as atrações que vinham da matriz do SBT, em São Paulo, estavam chamando mais a atenção.

“Com o fim do “Clubinho”, em 1989, continuei fazendo rádio e shows por Minas Gerais, depois fui convidada para trabalhar na Prefeitura de Betim, pelo prefeito Osvaldo Franco, que veio a falecer em um acidente, dois dias após ter me feito o convite. Seu vice, na época, o hoje deputado Estadual Ivair Nogueira, manteve o convite. Trabalhei com ele como assessora no gabinete. Me sinto feliz e agradeço a Deus por tudo.”, diz orgulhosa. Dulce chegou até a se candidatar à Câmara Municipal em 2012.

campanha a vereadora em 2012

Hoje, a programação infantil passa por um momento de vacas magras. Dulce comenta a redução drástica, principalmente na TV aberta: “O tempo mudou, a tecnologia mudou, e o interesse da criança também. Antes a presença até mesmo da família era maior. E, claro, o computador e o celular, e principalmente as redes sociais, ocupam o espaço e a maior parte do tempo dessas crianças.”

 

 

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