Projeto Muralha Rosa convocou ativistas para promover plantio de árvores

Projeto Muralha Rosa convocou ativistas para promover plantio de árvores

No último domingo, 13 de junho, aconteceu o Projeto Muralha Rosa, que promoveu o plantio de árvores próximo a uma das nascentes do Córrego Ponte Queimada, afluente do Cercadinho, na Rua Rubens Camporali Ribeiro, no Buritis. O nome do projeto é homenagem ao escritor Guimarães Rosa (que também inspirou o nome do Bairro Buritis). Foram convidadas mulheres ativistas ambientais e sociais de toda BH e Contagem para plantar uma árvore. Cada árvore representa vários projetos na preservação das águas, das matas, dos animais.

“Muitas são as mulheres a frente de projetos ambientais e sociais. Mas não são reconhecidas.”, diz Carla Magna, idealizadora da ação. Ela é ativista ambiental, criadora dos projetos Córrego Cercadinho e Ponte Queimada, entre outros.

Durante o plantio foram recolhidos depoimentos dessas mulheres, no que irá virar um documentário, chamado A Muralha Rosa, ainda sem previsão de lançamento. “Estamos pensando ainda na plataforma. Mas gostaria muito que fosse cinemas de bairro, como no Paragem, por exemplo. Mas vamos ter que esperar a pandemia passar”, diz Carla.

Fernanda Castro, uma das fundadoras do grupo Buridogs foi uma das convidadas. “Participar de uma ação de reflorestamento em nosso bairro foi muito especial. Plantamos mudas de ipê rosa que vão ficar lindas quando florescerem. A intenção é deixar mais bonita e mais verde essa área tão especial do Buritis, que tem uma nascente, braço do Córrego Cercadinho. É muito bom fazer uma atitude concreta pelo meio ambiente, especialmente quando isso se dá no quintal de casa.”, diz Fernanda.

ATIVISMO

Muitos são os projetos e ações desenvolvidos por Carla Magna na região. Ela é, por exemplo, criadora de um bloco de carnaval ecológico infantil. Realizou plantio de mudas durante a pandemia, em parceria com a escolinha Verde Vida, onde as crianças deixavam as mudas na porta da escola e os voluntários do projeto plantavam. Lançou o curta metragem Nascente Ponte Queimada, mostrando as plantas e jardins que as pessoas plantam a beira do Córrego Ponte Queimada. Também participou da Mostra Córregos Vivos promovida pela UFMG. “O projeto tem objetivo preservação do meio ambiente, mas de forma criativa e interativa. Em defesa das águas dos rios e suas nascentes, percorrendo pela periferia até o Rio São Francisco. Fui ensinada pelo senhor Apolo, um dos maiores ambientalistas do Brasil, do Projeto Manuelzão. Sou ambientalista há quase 20 anos”, diz.

Carla relata a importância de proteger as nascentes: “A proteção das nascentes começa quando a comunidade tem ciência de que ali é uma nascente, de que não é um vazamento da Copasa. Que aquela nascente faz parte da história ambiental do bairro. Para defender é preciso saber o nome, onde nasce, percorre, como está. As escolas deveriam ter o mapa dessas nascentes e ensinar seus alunos.”.

Ela tem uma longo história na luta pela preservação ambiental A defesa do meio ambiente, aqui na região existe desde quando o Parque Jaques Cousteau era um lixão. Nossa região era pra ser um lixão. Foi graças à luta desses ambientalistas que foi possível preservar ao menos algumas partes. A luta dos moradores contra os primeiros lixões de BH continuou com o crescimento rápido do Bairro Betânia e entorno. Houve a questão das obras de canalização da Av. Tereza Cristina, quando os ambientalistas se colocaram contra, mas foram vencidos. E foi seguindo até a construção do próprio Bairro Buritis.

“Plantei árvore com 15 anos de idade, já visando tentar proteger. Tivemos também a tentativa de reduzir a estação Cercadinho. Foram anos acompanhando todos os processos. Eu sou ativista desde criança. Creio que todo ativista ambiental é desde criança. Lutar pelo Meio Ambiente é muito difícil, é muito doído. São muitas perdas, enfrentamentos. Plantar é cuidar constantemente. Até a árvore florir tenho que fazer visitas 3 vezes por semana, molhar, etc. É difícil. E a maioria das pessoas não tem essa disposição. Mas tenho vários grupos que me apoiam. Assim como eu apoio eles. Então a gente se junta quando preciso. Mas na verdade no dia-a-dia , a maioria das lutas ambientais, as lideranças, faço sozinha.”, diz Carla.

E sobre o apoio do poder público? Carla avalia que nos últimos anos, em alguns pontos, houve melhora, mas em outros, piora e maquiagem. “A questão do lixo às margens do Córrego melhorou. Mas, tem sido aprovados construções em áreas de APP ( Preservação Ambiental ). Por exemplo, querem construir a 15 metros do Córrego Cercadinho. Entramos com uma ação via Ministério Público para tentar impedir. O Supremo Tribunal já tem parecer que tem ser respeitado, o Código Florestal. Mas estamos acompanhado. Se isso ocorrer o córrego não terá sua área natural de inundação. Com isso os alagamentos na região poderiam ser maiores. Além de causar desequilíbrio na natureza, por exemplos as aranhas de beira de córrego que tem sido vistas no Buritis ultimamente. Temos ainda as práticas de queimada, que não são fiscalizadas e punidas e causam desequilíbrio ambiental. Mas a prefeitura tem apoiado as ações. Com projetos como o Adote o Verde, Ponto Limpo, etc. Tenho visto avanço por meio da Regional Oeste nesse sentindo. Mas nas fiscalizações e nas aprovações em construções em áreas de APP me entristece profundamente”, completa.

Grupos quer participaram / apoiaram a ação Muralha Rosa: @ Greenpeace Voluntários, S.O. S Vargem das Flores , Pomar BH , Ong Palha de Milho, projeto agroecológico Germinar , Mutirão Verde , Pró-Vargem, Boi Rosado , Cercadinho e Ponte Queimada Córregos Vivos, Projeto Cercadinho Vivo. Mata do Planalto , Projeto Capão, Projeto Deixa o Onça Beber água, Defesa Serra Curral, Movimento Pelas Águas do Oeste, Mundo Eco, Leal Sustentabilidade, Castração ecológica, Projeto Serra da Guardella e escola Verde Vida .

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