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Do palco do Mr. Olympia ao Buritis: o fisiculturista que transformou um sonho em uma escola de treinamento

Conheça a trajetória de Fernando Maradona, fisiculturista que chegou ao Mr. Olympia e há 20 anos constrói sua história profissional no Buritis.

Meu Bairro Buritis·28 de setembro de 2026
Do palco do Mr. Olympia ao Buritis: o fisiculturista que transformou um sonho em uma escola de treinamento

Fernando Maradona: do sonho de ser atleta à construção de uma história no Buritis

Fisiculturista, profissional de diferentes áreas ligadas à saúde e ao treinamento, Fernando Maradona construiu ao longo de duas décadas no bairro uma trajetória que vai muito além dos palcos das competições

Há histórias que começam muito antes de chegar ao Buritis. A de Fernando Noronha de Almeida, conhecido por muita gente como Fernando Maradona, começou ainda na juventude, quando descobriu na musculação algo que acabaria se tornando muito maior do que uma atividade física.

O fisiculturismo entrou em sua vida em 1997, quando Fernando foi morar em Juiz de Fora. Na academia Pump Iron, conheceu Bruno Roberto Marinho, seu primeiro treinador, que teve papel importante naquele início, quando ele ainda descobria o que poderia construir como atleta.

A estreia em competições aconteceu no Noite dos Campeões. Fernando saiu de lá vencedor. Depois veio o Mister Santos, uma competição nacional em que terminou entre os três primeiros de sua categoria, competindo com 75 quilos.

Os primeiros resultados aumentaram a vontade de continuar. A partir daquele momento, o fisiculturismo deixou de ser apenas uma paixão e passou a exigir uma dedicação cada vez maior.

Uma carreira construída com disciplina

Para Fernando, a preparação de um fisiculturista está muito longe de se resumir às horas passadas na academia. É uma rotina que envolve treinamento, alimentação, disciplina e constância, inclusive nos dias em que ninguém está olhando.

Foi seguindo essa filosofia que ele construiu uma carreira que se estendeu por décadas, passando por competições nacionais e internacionais.

Entre os momentos mais importantes estão os títulos de campeão brasileiro nas duas federações pelas quais competiu, IFBB e NABBA, em 2004 e 2006. Cada conquista, segundo ele, representava muito mais do que alguns minutos sobre um palco: era o resultado de meses de preparação.

Em 2011, veio outro passo decisivo. Fernando conquistou o Pro Card, credencial que abriu as portas para o circuito profissional.

Naquele mesmo ano, venceu um campeonato profissional no Texas e conseguiu a classificação para o Mr. Olympia, uma das competições mais importantes do fisiculturismo mundial.

O palco que durante anos ele havia acompanhado como admirador do esporte passou a fazer parte de sua própria história.

Fernando competiu no Mr. Olympia pela primeira vez em 2011 e voltou à competição no ano seguinte. Em 2012, em Las Vegas, alcançou o nono lugar na categoria 212.

Para ele, estar entre aqueles atletas representava a realização de um sonho que havia começado muitos anos antes, ainda na academia Pump Iron, em Juiz de Fora.

Do atleta ao profissional

A vida profissional de Fernando, porém, nunca esteve limitada às competições.

Sua primeira formação foi em Fisioterapia, concluída em 2002. Depois vieram a Educação Física, a Nutrição e o aprofundamento dos estudos relacionados ao treinamento esportivo. Fernando também se tornou doutor em treinamento desportivo.

A experiência prática como atleta e a formação acadêmica passaram a caminhar juntas. O que ele aprendia nos estudos influenciava sua maneira de treinar, enquanto aquilo que vivenciava no fisiculturismo contribuía para sua forma de ensinar.

Essa combinação acabaria se tornando uma das marcas de sua atuação profissional.

O sonho que nasceu no Buritis

Em 2006, Fernando deu outro passo importante: nasceu no Buritis o Centro de Treinamento Fernando Maradona.

Na época, ele morava no Sion. O objetivo inicial não era simplesmente abrir uma academia. Seu sonho era ser atleta e ter um espaço onde pudesse treinar e se preparar com a seriedade que sua carreira exigia.

Ao mesmo tempo, queria compartilhar com outras pessoas aquilo que vinha aprendendo com o fisiculturismo.

O espaço que nasceu para atender às necessidades de sua própria preparação acabou se transformando em algo maior.

Aos poucos, o centro passou a ser também um lugar de ensino. Para Fernando, treinar não deveria significar apenas receber uma lista de exercícios e executá-la mecanicamente. Era importante compreender o movimento, aprender a técnica e entender por que cada exercício estava sendo realizado.

Uma escola de treinamento

É por isso que Fernando costuma dizer que seu espaço não é apenas uma academia, mas uma escola de treinamento.

Ao longo dos anos, ele acompanhou alunos que chegaram sem conhecer profundamente o universo da musculação e que, com o tempo, passaram a compreender melhor seus próprios movimentos, prestar atenção à execução e entender a importância de um treinamento bem orientado.

A experiência também alcançou profissionais. Estagiários, professores e treinadores passaram pelo centro e posteriormente construíram suas próprias trajetórias na área de Educação Física.

Para Fernando, ajudar a formar profissionais que posteriormente ensinarão outras pessoas é uma das partes mais importantes de seu trabalho.

“Ensinar alguém a treinar bem é importante; ajudar a formar profissionais que vão ensinar outras pessoas amplia ainda mais o alcance desse trabalho”, resume.

Vinte anos de histórias no Buritis

Ao longo de duas décadas no bairro, a relação de Fernando com o Buritis também deixou de ser apenas profissional.

Em um espaço de convivência próxima, alunos, professores e profissionais passaram a compartilhar muito mais do que horas de treinamento.

Fernando conta que passou a conhecer as pessoas pelo nome, acompanhar suas histórias, perceber momentos difíceis e comemorar conquistas. Muitas vezes, o treino era o motivo que levava alguém até o centro, mas os vínculos construídos faziam com que o lugar passasse a ocupar outro espaço na vida dessas pessoas.

É essa atmosfera de proximidade, atenção e acolhimento que ele considera uma das características mais marcantes do trabalho construído ao longo dos anos.

“Foi no bairro que construí uma parte importante da minha história profissional e pessoal”, afirma.

O Método MX10

Toda a experiência acumulada como atleta, fisioterapeuta, professor e pesquisador também contribuiu para o desenvolvimento do Método MX10.

A proposta nasceu da intenção de reunir experiência prática e conhecimento científico sobre treinamento em uma metodologia que pudesse ser compreendida tanto por quem está começando quanto por quem busca melhorar sua performance.

Para Fernando, o ponto de partida está na base: aprender a se posicionar, compreender a técnica, executar corretamente e, a partir daí, evoluir.

Uma frase resume sua maneira de pensar o treinamento: “A postura precede a técnica; a técnica conduz à execução bem feita; e a qualidade da execução permite evoluir.”

A filosofia é baseada na ideia de que resultado e qualidade de execução não devem ser tratados como coisas separadas. O objetivo é fazer com que a pessoa compreenda o próprio corpo, saiba o que está fazendo e consiga perceber sua evolução ao longo do tempo.

O último palco

Depois de décadas competindo, Fernando decidiu encerrar sua carreira nos palcos.

Em 28 de agosto de 2024, viveu o que chamou de seu “Last Dance”, sua despedida das competições de fisiculturismo.

Foi organizado um campeonato profissional especialmente para marcar esse momento. Fernando subiu ao palco pela última vez e recebeu uma homenagem com uma espada da vitória.

Mas havia algo ainda mais especial naquela ocasião: sua família estava presente.

Depois de tantos anos de preparação, competições e dedicação ao esporte, encerrar aquele ciclo diante das pessoas mais próximas deu ao momento um significado especial.

A despedida das competições, porém, não significou o fim de sua relação com o fisiculturismo.

Uma nova fase

Fernando continua trabalhando, estudando e ensinando. A experiência acumulada nos palcos permanece presente na forma como orienta outras pessoas.

Hoje, ele também olha cada vez mais para questões relacionadas à saúde, funcionalidade e longevidade. A intenção é utilizar tudo aquilo que aprendeu ao longo da carreira para ajudar outras pessoas a treinarem melhor e cuidarem de si com seriedade.

Os títulos e as competições fazem parte de sua história. O Mr. Olympia representa um dos grandes sonhos realizados. Os campeonatos nacionais e internacionais registram a trajetória do atleta.

Mas, depois de tantas décadas, Fernando acredita que existe algo ainda maior naquilo que construiu.

São as pessoas.

Os alunos que aprenderam com ele. Os profissionais que passaram pelo centro. As relações construídas ao longo de 20 anos. E o conhecimento que continua sendo transmitido para quem chega.

A história de Fernando Maradona começou muito antes do Buritis. Foi no bairro, porém, que um sonho individual de atleta ganhou uma dimensão coletiva.

O que nasceu como um espaço para que um fisiculturista pudesse treinar e se preparar para suas competições transformou-se, ao longo dos anos, em um lugar de aprendizado, trabalho, convivência e formação.

No Buritis, Fernando Maradona construiu uma parte importante da própria história — e, ao longo dessas duas décadas, também passou a fazer parte da história de muitas outras pessoas.

Publicado em 28 de setembro de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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