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Do Vale do Jequitinhonha ao Buritis: Da menina de Datas à mulher que transformou sua história em solidariedade

Conheça a história de Mirian Reis, moradora do Buritis há mais de 20 anos e responsável pela trajetória da ASPRAMI e seu trabalho de solidariedade.

Meu Bairro Buritis·01 de outubro de 2026
Do Vale do Jequitinhonha ao Buritis: Da menina de Datas à mulher que transformou sua história em solidariedade

Mirian Reis: da menina de Datas à mulher que transformou sua história em solidariedade no Buritis

Moradora do bairro há mais de 20 anos, Mirian Reis construiu uma trajetória marcada por trabalho, superação e solidariedade. À frente da ASPRAMI, ela transformou parte das oportunidades que recebeu ao longo da vida em cuidado e dignidade para centenas de pessoas.

Antes de se tornar uma das figuras ligadas ao trabalho social e à convivência comunitária no Buritis, Mirian da Aparecida Reis Vaschetto era uma menina de Datas, no Vale do Jequitinhonha, acostumada desde cedo a uma vida de muito trabalho.

A cidade pequena, próxima a Diamantina e ao Serro, continua ocupando um lugar especial em sua memória. Foi ali que Mirian nasceu em uma família humilde, na qual todos precisavam contribuir para garantir a sobrevivência.

“Buscávamos lenha para vender, minha mãe lavava roupa para outras pessoas e todos nós fazíamos o que era possível, sempre com muito trabalho e honestidade”, conta.

Ainda muito jovem, Mirian se casou. Aos 16 anos, tornou-se mãe de uma menina que nasceu em casa, com impressionantes 5 quilos e 400 gramas.

Um ano depois, aos 17, veio uma decisão que mudaria sua trajetória. Mirian olhou para a própria vida e percebeu que precisava buscar outro caminho.

“Essa não é a vida que eu quero. Preciso ir embora e construir uma história diferente”, pensou.

Um novo começo em Belo Horizonte

A mudança para Belo Horizonte não significou uma transformação imediata. Mirian precisou trabalhar e começou a construir sua vida pouco a pouco. Trabalhou em casas de família, como faxineira e em outras atividades que surgiram pelo caminho.

Ela faz questão de lembrar dessa fase com uma palavra: dignidade.

Foram anos de trabalho para construir a própria história, até que, há 25 anos, conheceu aquele que se tornaria seu companheiro de vida.

Italiano, ele se tornou uma presença importante em sua trajetória. Uma das frases que Mirian guarda desse relacionamento é também uma síntese do acolhimento que recebeu: “Fome você não passa mais”.

Ao lado dele, teve a oportunidade de conhecer diferentes lugares do mundo e viver experiências que jamais havia imaginado quando ainda era aquela menina de Datas.

Mas as mudanças não ficaram apenas na vida pessoal. Foi também ao lado do marido que Mirian encontrou condições para dedicar parte de sua vida ao voluntariado e construir o projeto que se tornaria a ASPRAMI.

Mais de duas décadas criando raízes no Buritis

Mirian vive no Buritis há mais de 20 anos. Foi no bairro que criou novas amizades, estabeleceu vínculos e encontrou um lugar para chamar de seu.

“É emocionante pensar que uma menina que saiu de uma cidade tão pequena como Datas chegou ao Buritis e encontrou aqui um lugar para criar raízes, construir amizades e realizar tantos sonhos”, diz.

Essa relação com o bairro ultrapassa a condição de endereço. Ao longo dos anos, Mirian passou a participar da vida comunitária e a desenvolver atividades que aproximaram moradores, voluntários, alunos e instituições.

É nesse contexto que a história pessoal de Mirian se encontra com a história da ASPRAMI.

Uma história que virou projeto social

A ASPRAMI — Associação ao Projeto A Melhor Idade — desenvolveu no Buritis uma atuação que reúne atividades de convivência, cultura, saúde, lazer e assistência social.

A entidade tem uma trajetória ligada principalmente à população idosa, mas seu trabalho também alcança pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ao longo dos anos, o projeto passou a oferecer diversas atividades e construiu parcerias que ajudaram a ampliar seu alcance. Entre elas está a relação com o UniBH, que cede espaço para atividades da associação.

A ASPRAMI também desenvolveu ações de arrecadação e distribuição de doações. Entre os itens destinados às pessoas atendidas estão alimentos, roupas, cadeiras de rodas, cadeiras de banho e, especialmente, fraldas geriátricas.

Durante a pandemia, quando as atividades presenciais foram interrompidas e parte da estrutura de arrecadação foi afetada, surgiu também o Bazar Solidário da ASPRAMI. A iniciativa transformou roupas, calçados, acessórios e outros objetos recebidos por meio de doações em recursos para manter o trabalho social.

Centenas de pessoas alcançadas

Hoje, segundo Mirian, a ASPRAMI reúne mais de 300 alunos e mais de 200 pessoas assistidas que recebem fraldas geriátricas.

São números que ajudam a dimensionar o tamanho que aquele projeto alcançou, mas, para Mirian, a essência do trabalho não está nos números.

“Nosso propósito é justamente esse: viver a lei do retorno, transformando tudo que recebemos em cuidado, solidariedade e dignidade para outras pessoas”, explica.

A ideia de devolver à sociedade parte daquilo que recebeu ao longo da vida ajuda a entender por que a ASPRAMI ocupa um espaço tão importante em sua trajetória.

A menina que precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família passou a dedicar seu tempo a pessoas que também enfrentam dificuldades. A mulher que um dia precisou recomeçar encontrou no trabalho voluntário uma forma de ajudar outras pessoas a atravessarem seus próprios momentos difíceis.

Uma família que cresceu

A história de Mirian também mudou profundamente desde os tempos de Datas.

A filha que teve ainda adolescente cresceu e, hoje, Mirian fala com orgulho da família que construiu. Aos 60 anos, tem uma filha que considera sua, dois netos e um bisneto.

“Família cresceu com muito amor e dignidade”, resume.

Ao falar sobre sua trajetória, ela também faz questão de reconhecer a importância do marido, que há 25 anos divide sua vida com ela e, segundo Mirian, sempre fez de tudo para vê-la feliz.

Para ela, essa parceria foi fundamental para que pudesse exercer o voluntariado e se dedicar à ASPRAMI.

“Há 25 anos tenho ao meu lado uma pessoa que faz de tudo para me ver feliz e que me deu a oportunidade de ser a voluntária que sou hoje”, afirma.

Uma história que ainda está sendo escrita

Mirian diz que aquilo que contou é apenas uma parte de sua história. Se fosse contar tudo, brinca, seriam horas de conversa.

E talvez seja justamente essa a melhor definição para sua trajetória: uma história que começou muito antes do Buritis, mas que encontrou no bairro um dos seus capítulos mais importantes.

Há mais de duas décadas, aquela menina que deixou Datas para construir uma vida diferente encontrou no Buritis um lugar para criar raízes.

Construiu uma família, fez amigos, viveu experiências que jamais imaginara e transformou parte das oportunidades que recebeu em uma rede de solidariedade que hoje alcança centenas de pessoas.

Por isso, quando fala do bairro, Mirian não fala apenas do lugar onde mora.

“Tenho uma gratidão enorme por tudo que o Buritis representa na minha vida e na história do Asprami.”

No fim, sua história pessoal e a história da ASPRAMI acabaram se tornando praticamente inseparáveis. Uma nasceu das experiências da outra: do trabalho, das dificuldades, dos encontros, das oportunidades e, sobretudo, da vontade de transformar aquilo que a vida lhe proporcionou em cuidado para outras pessoas.

Publicado em 01 de outubro de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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