Entrevista com o vereador Braulio Lara candidato a deputado federal
Braulio Lara fala sobre Buritis, mobilidade, Copasa, impostos e STF em entrevista ao Meu Bairro Buritis

O Meu Bairro Buritis entrevistou Bráulio Lara, vereador de Belo Horizonte pelo NOVO e candidato a deputado federal nas eleições de 2026. Morador do Buritis e ex-presidente da Associação do Bairro Buritis (ABB), Lara construiu sua trajetória política a partir de demandas relacionadas à região.
A entrevista aborda tanto a atuação do candidato no Buritis e no Estoril quanto propostas que fazem parte de sua campanha para a Câmara dos Deputados. Entre os temas estão mobilidade urbana, poluição sonora, emendas parlamentares, redução de impostos, privatizações, a situação da Copasa, a relação com o governador Romeu Zema e suas propostas para o Judiciário.
As respostas abaixo foram publicadas integralmente, conforme enviadas pelo candidato. Quando há afirmações factuais que exigem contexto ou que não puderam ser verificadas de forma independente, o Meu Bairro Buritis acrescenta uma verificação logo após a resposta.
1. Quais resultados concretos o senhor considera ter entregue ao Buritis?
Após quase seis anos como vereador e uma trajetória anterior à frente da Associação do Bairro Buritis, quais são os três resultados concretos que o senhor considera ter entregue ao bairro? E qual é a principal demanda que reconhece não ter conseguido resolver?
Resposta de Bráulio Lara:
Nosso bairro tem diversas demandas, todas prioritárias. Porém, relato quatro entregas marcantes do nosso mandato para o Buritis:
1) Entrega de duas passagens de pedestres e uma ligação de via: da Rua Elza Beatriz de Araújo, ligando as Ruas Tereza Mota Valadares e Maria Heilbuth Surette, e da Rua Margaret Thatcher, ligando a Av. Protásio de Oliveira Pena até a Rua Prof. Miguel de Souza; e da Rua Jornalista Hélio Fraga ligando a Rua Deputado Fábio Vasconcelos com Av. Deputado Sebastião Nascimento.
2) Revitalização da Pista de Cooper da Rua Henrique Badaró Portugal (em execução) e da quadra e dos brinquedos do Parque Aggeo Pio Sobrinho.
3) Revitalização de todos os Parques da região: Bandeirante Silva Ortiz, Estrelinha e Estrelão.
4) Recapeamento de diversas vias do Buritis como, por exemplo, Dr. Lucídio Avelar, Jornalista Guilherme Apgáua, Francisco Fernandes dos Santos, José do Patrocínio Carneiro, Engenheiro Aluisio Rocha, Ulisses Marcondes Escobar, Henrique Furtado Portugal, Rubens Berardo, Ignácio Alves Martins, Walter Guimarães Figueiredo, Marco Aurélio de Miranda e José Amaury Ferrara.
Agora, sobre o que ainda não conseguimos resolver, além de recapeamentos, posso falar que é a melhoria concreta do trânsito em nosso bairro. Conseguimos algumas ações como mudança de circulação de via, mas estou convencido que para melhorar o trânsito do Buritis precisamos de obras estruturantes que dependem de projetos e grandes orçamentos. Por isso agora estruturamos os cinco principais projetos de mobilidade para a região do Buritis, o B5M. É ele que queremos tirar do papel e tornar realidade.
Além disso, tem muitas entregas que ainda não são percebidas. Mas todas fui encaminhando emendas impositivas de execução obrigatória. Muitas estão em desenvolvimento de projetos e espero que em breve virem realidade (eu nem ouso falar de prazos pois a Prefeitura é muito lenta para resolver os problemas e já descumpriram muitos prazos conosco):
- Das nossas 14 ruas de pedestre que nunca tinham sido implantadas, 3 foram feitas, 2 estão para iniciar (verbas alocadas), 4 tem projetos prontos e os outros 5 devem ser entregues até o fim desse ano. A Rua Márcio Maia Ferreira (liga a Av. Prof. Mário Werneck na Rua Eli Seabra Filho) tem projeto e tem verba alocada (aguardamos a Prefeitura contratar a obra e executar). Ligação da Rua Tito Guimarães com Rua Maria Heilbuth Surette tem projeto e tem verba alocada (aguardamos a Prefeitura contratar a obra e executar). Os projetos prontos e que não temos ainda dinheiro para fazer são: Travessa Djanira Martins (liga a Rua Esmeraldo Botelho na Alessandra Salum Cadar), Travessa José Barcelos (liga a Rua Tereza Mota Valadares na Rua Consul Walter), Travessa Célio Moreira de Carvalho (liga a Rua Consul Walter na Rua Silvio de Oliveira Martins), Travessa Oswaldo França Junior (liga a Rua Francisco Fernandes dos Santos na Rua Esmeraldo Botelho).
- Praça do Mirante na Rua José Rodrigues Pereira tem projeto e tem verba alocada (aguardamos a Prefeitura contratar a obra e executar).
- Praça Paulo Roberto dos Santos na Rua Moisés Kalil tem projeto e tem verba alocada (aguardamos a Prefeitura contratar a obra e executar).
- Projeto de monitoramento de segurança Muralha BH: fui o vereador que mais destinou recursos para a segurança em BH e o Buritis será contemplado com câmeras de monitoramento e base da Guarda Municipal.
- Projeto de melhorias de tráfego na Mário Werneck entre o UNI-BH até a Rua Marco Aurélio de Miranda que serão implementadas no cumprimento de condicionantes de licenciamento da Universidade.
Esses são os mais significativos mas tem várias outras ações como sinalização de vias e iluminação pública que também estão à caminho.
O que o MBB verificou — contexto sobre as emendas
Há documentação oficial que confirma a destinação de recursos por Bráulio Lara para projetos relacionados ao Buritis. Entretanto, a expressão “emendas impositivas de execução obrigatória” precisa de contexto: a obrigatoriedade de execução está sujeita às regras legais e à existência de impedimentos técnicos.
Em documentos de acompanhamento da Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, duas emendas de Bráulio Lara de 2025 aparecem com status de “impedimento técnico”: uma de R$ 250 mil para melhorias viárias na região da Avenida Professor Mário Werneck com a Rua Líbero Leone e outra de R$ 250 mil para videomonitoramento na região do Buritis e parques da região.
Isso não significa que recursos destinados por um vereador não possam resultar em obras. A distinção importante é entre destinação orçamentária, elaboração de projeto, contratação e execução efetiva da obra.
2. Por que trânsito, mobilidade e poluição sonora continuam sendo problemas?
Trânsito, mobilidade e poluição sonora continuam entre as principais reclamações dos moradores. Por que esses problemas permanecem sem solução significativa após sua atuação política no bairro e na Câmara Municipal?
Resposta de Bráulio Lara:
Sobre o trânsito do Buritis posso afirmar que sempre foi um dos meus principais focos de trabalho. Inclusive sou o presidente da Comissão de Mobilidade Urbana da Câmara Municipal de BH. Porém, nem sempre as coisas saem como a gente quer e a prefeitura é bastante morosa nessas questões. Por isso, encabecei, junto com a Associação de Moradores do Buritis (ABB), o Projeto B5M (Buritis em 5 Minutos) que traz um pacote de cinco obras públicas estruturantes focado em transformar a mobilidade urbana da região do bairro Buritis. E a verba para destravar essas obras está em Brasília. Essas obras já estão listadas no Programa VIURBS da prefeitura e queremos trazer este assunto à tona. Creio que seja a solução imediata para nossos problemas no bairro. Em questão mais ampla sobre mobilidade urbana discutimos questões de novos modais de transporte para a cidade, como por exemplo, o metrocable (teleférico) que poderia fazer integração de bairros com estações de ônibus e de metrô. E sobre a poluição sonora posso afirmar que sou um dos poucos vereadores de BH que discute esse assunto a fundo. Inclusive em julho realizei audiência pública para cobrar da prefeitura a proposição de uma lei que atualize a lei de limites de pressão sonora e aumente o rigor contra pessoas e empresas que desrespeitam tal lei.
O que o MBB verificou — recurso do B5M
O Projeto B5M é uma iniciativa apresentada publicamente pela Associação do Bairro Buritis com participação de Bráulio Lara e reúne propostas de intervenções estruturantes para a mobilidade da região. O MBB conseguiu verificar a existência do projeto e sua relação com estudos e projetos municipais de mobilidade.
Já a afirmação de que “a verba para destravar essas obras está em Brasília” não foi confirmada de forma independente pelo MBB nas fontes públicas consultadas. Por isso, ela é apresentada aqui como uma informação fornecida pelo candidato.
O que o MBB verificou — poluição sonora
Em julho de 2026, a Câmara Municipal realizou audiência pública para discutir a legislação sobre poluição sonora, a partir de requerimentos que incluíram Bráulio Lara. A audiência tratou, entre outros pontos, da necessidade de atualização da legislação e de maior rigor na fiscalização e nas penalidades.
A realização da audiência, portanto, é um fato documentado. Isso não significa, por si só, que o problema da poluição sonora tenha sido resolvido.
3. O que um deputado federal poderá fazer pelo Buritis e pelo Estoril?
O senhor construiu sua carreira política a partir de demandas locais. Como deputado federal, quais medidas concretas poderá tomar pelo Buritis e pelo Estoril que estejam dentro das atribuições de um deputado federal?
Resposta de Bráulio Lara:
Como deputado federal, poderei contribuir ainda mais para a nossa região. Sabemos que as verbas impositivas em nível federal são bem maiores que as municipais. Assim sendo, poderei destinar essas emendas para a viabilização de obras necessárias para o Buritis e região, como por exemplo, as cinco obras estruturantes do Projeto B5M. Um deputado federal consegue destravar pautas burocráticas que podem ajudar os municípios e vou fazer isso quando chegar lá. Quantas pessoas em Brasília conhecem de fato a realidade da sua cidade? É o município que deve saber quais são as necessidades urgentes para uso do dinheiro público. Chega de dinheiro para pagar farra de político, carro blindado para deputado e viagem internacional. Vamos redistribuir os impostos garantindo mais recurso para as cidades. Além disso, tantas leis federais que atrapalham a vida das cidades como por exemplo a legislação sobre fios e cabos partidos e sobre moradores de rua. Ambos assuntos atuei no contexto municipal no limite da minha possibilidade. Em Brasília tenho como atuar em cima de diversos temas que vão gerar impacto na vida das cidades.
O que o MBB verificou — atuação sobre fios e cabos
Bráulio Lara de fato apresentou atuação legislativa municipal relacionada à organização de fios e cabos aéreos. Uma lei municipal de sua autoria sobre o tema foi posteriormente afetada por decisão do Supremo Tribunal Federal, e ele apresentou nova proposta legislativa sobre o assunto. A Câmara Municipal registra a atuação do vereador também em outras matérias relacionadas à infraestrutura urbana.
4. O que deveria ser reduzido para viabilizar um Estado menor?
O NOVO defende menos Estado, redução de impostos e maior participação da iniciativa privada. Quais gastos ou políticas públicas o senhor considera que devem ser reduzidos para viabilizar esse projeto?
Resposta de Bráulio Lara:
Defender menos Estado é cortar na própria carne e focar no essencial: saúde, segurança, mobilidade, infraestrutura e educação. Sou a favor da desburocratização e da redução de impostos. Da fusão ou privatização de estatais ineficientes que geram déficit ao Tesouro e a enxugada em estruturas burocráticas e secretarias/ministérios desnecessários. Reduzir a máquina pública não significa cortar serviços básicos ao cidadão, mas sim eliminar os desperdícios e a ineficiência estatal para devolver o dinheiro dos impostos para o bolso de quem produz. No nosso país, trabalhamos 5 meses em 12 para pagar impostos. Ou seja, é mais do que 40%! Isso é muito pesado para o cidadão, afasta os investimentos e dá espaço para a ineficiência. Gosto sempre de lembrar que quando os impostos chegaram a 20% (o famoso quinto), Tiradentes se rebelou, foi enforcado e esquartejado. Hoje já passamos do dobro. Não é para ficar indiginado?
O que o MBB verificou — carga tributária
A afirmação de que os brasileiros trabalham “cinco meses em 12” para pagar impostos é uma forma de representar a carga tributária em linguagem de calendário, mas não corresponde diretamente à metodologia oficial de cálculo da carga tributária.
Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária bruta do Governo Geral em 2024 foi de 32,32% do PIB. O indicador considera a relação entre o total de tributos arrecadados pelas três esferas de governo e o PIB. Portanto, não é metodologicamente correto simplesmente transformar esse percentual em “meses trabalhados” e compará-lo diretamente como se fossem a mesma medida.
As afirmações de que a carga tributária afasta investimentos e aumenta a ineficiência estatal são avaliações econômicas e políticas do candidato, e não conclusões que possam ser extraídas apenas do indicador citado.
5. Existe alguma posição de Zema ou do NOVO da qual o senhor discorde?
Romeu Zema é o candidato do NOVO à Presidência. Existe alguma posição relevante de Zema ou do próprio NOVO da qual o senhor discorda? Qual?
Resposta de Bráulio Lara:
Sou um defensor convicto dos princípios do NOVO e da gestão técnica de Romeu Zema, que resgatou Minas Gerais do caos financeiro deixado pelos governos anteriores. O diferencial do nosso partido é que não praticamos o culto à personalidade; a discordância saudável faz parte da democracia. Divergências pontuais ocorrem na velocidade de implementação de pautas ou no alinhamento de certas estratégias políticas locais. Contudo, em relação aos valores fundamentais como responsabilidade fiscal, privatizações necessárias, combate ao inchaço do Estado e liberdade para empreender, estou plenamente alinhado com o nosso ex-governador e candidato a presidente Zema e com a diretriz do NOVO.
O que o MBB verificou — avaliação sobre a gestão Zema
A afirmação de que Romeu Zema “resgatou Minas Gerais do caos financeiro” é uma avaliação política do candidato, e não um dado objetivo com uma única métrica capaz de comprovar a formulação.
Minas Gerais entrou no governo Zema em uma situação fiscal grave e posteriormente aderiu ao Propag, programa federal de renegociação da dívida dos estados. O saldo devedor informado pelo próprio Governo de Minas para a adesão ao programa foi de aproximadamente R$ 179,3 bilhões, refinanciado em 360 meses. Assim, a situação fiscal de Minas continua envolvendo um passivo de grande dimensão, mesmo após a mudança das condições de pagamento.
6. Privatização da Copasa e os problemas de abastecimento no Buritis
O senhor apoia a privatização da Copasa conduzida pelo governo Zema? Diante dos recentes problemas de abastecimento no Buritis, quais garantias considera necessárias para assegurar qualidade, continuidade e universalização do serviço?
Resposta de Bráulio Lara:
O governo Zema fez a escolha certa: uma vez que Minas Gerais tem uma dívida bilionária com a União, herdada de governos anteriores, e que só aumenta com os juros absurdos cobrados pelo Governo Federal, a saída para pagar a conta e conseguir refinanciar a dívida com juros menores (PROPAG) é por meio de vendas de ativos. A participação acionária da COPASA era um desses ativos. Além disso, a empresa sendo do governo sempre tem dificuldade de captar recursos para investir e renovar sua estrutura. Ou seja, sem dinheiro, a infra-estrutura vai envelhecendo, apenas com ações corretivas pontuais, não existe expansão da mesma e de repente começam os problemas como o que vimos com o rompimento da adutora na Barão Homem de Melo com Rua Xapuri. Se os investimentos em expansão de rede tivessem feitos no passado, talvez não teríamos tido tanto transtorno com o incidente da adutora. Possivelmente, outras rotas de abastecimento poderiam ter suprido nossa demanda no bairro Buritis. Esse episódio inclusive nos mostra muito sobre nossas vulnerabilidades no sistema. E para corrigir tem que fazer obra, tem que colocar dinheiro. Eu fui na COPASA na ocasião e estive com a presidente cobrando medidas emergenciais para sanar o problema e restabelecer o fornecimento no Buritis e demais bairros principalmente da região Oeste. Mas temos outros problemas que até hoje não se movimentaram. Já viu aquela adutora que passa na Rua Paulo Diniz Carneiro? Ela impede a implantação de uma solução de trânsito requerida há décadas para melhorar o cruzamento com a Rua Geórgia e Rua Áustria. Acredito que esses problemas agora vão ter solução pois com a empresa capitalizada abre frente para essas intervenções. Para finalizar, gosto sempre de mencionar também a Lagoa da Pampulha. Até hoje temos problemas de poluição que chega lá. É um absurdo até hoje isso não ter sido corrigido.
O que o MBB verificou — Propag e privatização da Copasa
O Propag efetivamente permite que estados utilizem ativos para a amortização de parte da dívida com a União. Minas Gerais aderiu ao programa oferecendo ativos suficientes para a amortização de 20% do saldo devedor.
Entretanto, é importante fazer uma distinção: o Propag não determina que Minas Gerais tenha de privatizar a Copasa como única forma de aderir ao programa ou refinanciar a dívida. O próprio Governo de Minas apresentou diferentes categorias de ativos e fontes de recursos para alcançar a amortização prevista no programa. A privatização da Copasa faz parte da estratégia adotada pelo governo estadual, mas não é sinônimo de uma exigência geral do Propag.
O que o MBB verificou — o problema de abastecimento no Buritis
O episódio de falta de água ocorrido no Buritis em agosto de 2026 foi confirmado pela Copasa e teve como causa imediata documentada o rompimento de uma adutora na região da Rua Xapuri com a Avenida Barão Homem de Melo, seguido de ajustes operacionais no sistema.
A hipótese apresentada pelo candidato de que investimentos anteriores em expansão da rede poderiam ter reduzido os impactos do rompimento, ou de que outras rotas poderiam ter suprido o bairro, é uma possibilidade técnica levantada por ele. O MBB não encontrou, nas informações públicas consultadas, elementos suficientes para afirmar que essa foi a causa do episódio.
7. Ativismo judicial e impeachment de ministros do STF
O senhor critica o chamado “ativismo judicial” e defende mudanças nas regras relacionadas ao impeachment de ministros do STF. Qual é, concretamente, o problema que pretende corrigir e como evitar que essas mudanças sejam usadas como instrumento de pressão política sobre o Judiciário?
Resposta de Bráulio Lara:
Esta é, inclusive, uma das minhas propostas de campanha: “Combate ao ativismo judicial que ultrapassa as competências constitucionais”. A independência entre os Poderes é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito e exige que Executivo, Legislativo e Judiciário exerçam suas funções dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. Para combater esse problema, vou propor mecanismos que reforcem a autocontenção dos tribunais e o respeito às competências do Legislativo e do Executivo, especialmente em decisões que envolvam políticas públicas e escolhas orçamentárias. O problema central é a usurpação de competências: o Judiciário deve julgar com base na Constituição, e não legislar ou governar, o que cabe ao Congresso eleito pelo povo. O objetivo é assegurar que cada Poder cumpra sua função constitucional. Com maior respeito à separação de Poderes, o processo democrático ganha previsibilidade, as decisões políticas passam a ser tomadas por quem recebeu mandato popular e a segurança jurídica é fortalecida para todos os cidadãos. Vamos propor regras específicas para Impeachment de ministros do STF (não dá para aceitar distorções jurídicas em desrespeito às próprias leis). É fundamental aperfeiçoar a legislação para estabelecer regras mais claras, objetivas e previsíveis para o processo de impeachment de ministros do STF, definindo critérios para o recebimento das denúncias, prazos para análise, requisitos mínimos de admissibilidade e procedimentos que assegurem contraditório e ampla defesa.
O que o MBB verificou — o impeachment de ministros do STF já existe
A Constituição Federal atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. A Lei nº 1.079/1950 também estabelece crimes de responsabilidade aplicáveis aos ministros do STF e prevê a possibilidade de denúncia.
Portanto, a proposta apresentada por Bráulio Lara não seria de criar o mecanismo de impeachment de ministros do STF, mas de aperfeiçoar ou detalhar suas regras e procedimentos, incluindo critérios de admissibilidade, prazos e garantias processuais.
O ponto sobre como impedir que novas regras sejam utilizadas como instrumento de pressão política não é respondido de maneira específica na resposta do candidato. Ele menciona critérios objetivos, contraditório, ampla defesa e respeito à separação dos Poderes, mas não apresenta mecanismos concretos de proteção contra eventual uso político do instrumento.
8. Campanha eleitoral e poluição visual
Moradores já criticaram o volume de material publicitário de suas campanhas, pelo impacto na poluição visual e na geração de resíduos. Independentemente de estar dentro da legislação eleitoral, o senhor considera que sua campanha deveria adotar limites próprios para reduzir esse impacto? O que fará diferente em 2026?
Resposta de Bráulio Lara:
É normal existir a crítica. Mas temos restrições sobre o que pode ser usado em uma campanha política. Minha campanha não gera resíduo algum de papel nas ruas do Buritis ou de BH. Temos sim materiais gráficos, porém nossa distribuição é direta com o eleitor (mão a mão / porta a porta). Se acontecer geração de resíduos gráficos (santinhos, santões, jornais) nas ruas é coisa pontual e não condiz com nosso modo de fazer política. Quanto às bandeiras, não as considero poluição visual, pois esse sim é nosso material principal para mostrar que sou candidato. Como você mesmo disse na pergunta, elas são legais e têm prazo de validade (final da eleição) e horário para colocação e retirada (6h às 22h). Entendo que algumas pessoas podem não gostar, mas garanto que ao final da eleição elas são retiradas sem prejuízo algum para o cidadão. Inclusive quando chega até a gente que alguma está atrapalhando o trânsito de veículos ou pedestres fazemos questão de remanejá-las, pois gosto de seguir as regras. O Buritis é a minha casa. Sempre quero o melhor para cá. Por isso, inclusive meu comitê de campanha é aqui. Inclusive deixo o convite para quem quiser passar lá, pois fica na esquina da Rua José Rodrigues Pereira com Av. Engenheiro Carlos Goulart, ao lado do My Mall.
O que o MBB verificou — regras para bandeiras e propaganda
A legislação eleitoral permite a utilização de bandeiras e mesas para distribuição de material de campanha em vias públicas, desde que sejam móveis e não dificultem o trânsito de pessoas e veículos. A regulamentação também estabelece horário para colocação e retirada desse tipo de material.
O MBB não tem como verificar de forma independente a afirmação de que a campanha “não gera resíduo algum de papel” nas ruas. Portanto, essa informação permanece como declaração do candidato.
Também é importante observar que a resposta não apresenta um limite voluntário específico além das regras eleitorais. O candidato afirma que pretende seguir a legislação vigente e retirar ou remanejar materiais quando houver prejuízo à circulação.
Por que o morador do Buritis deveria votar no senhor?
Por que o morador do Buritis deveria votar no senhor para deputado federal?
Resposta de Bráulio Lara:
O morador do Buritis e região conhece a minha história. Tudo começou aqui mais de dez anos atrás. Fui voluntário e presidente da Associação do Bairro, atuei na linha de frente das nossas batalhas locais e cheguei à Câmara Municipal com a força do nosso bairro e por isso destinei maior parte dos meus recursos para nossa região. Conheço cada rua, cada desafio do trânsito, a infraestrutura e o potencial do Buritis e região. O que conseguimos avançar nos últimos anos só aconteceu pois nossa região passou a ter representação política. O maior bairro de Minas Gerais (quase 50 mil habitantes) agora tem voz. Tem visibilidade. Tem orçamento. Levarei para Brasília a mesma postura do meu mandato: ficha limpa, combate aos privilégios, trabalho técnico e presença “pé no chão”. Votar em mim para Deputado Federal é garantir uma voz forte, de dentro da nossa comunidade, na Câmara dos Deputados. Na vida vamos deixando legados. Legado como pai de família, como empreendedor, como voluntário, como professor, como mandatário. Eu convido a todos a conhecerem meu trabalho e analisar esse histórico de resultados. Tudo o que fiz foi sempre tentando fazer o melhor.
O que o MBB verificou — população do Buritis
O Buritis é, de fato, o bairro mais populoso de Minas Gerais segundo os dados do Censo 2022. Entretanto, o número registrado pelo levantamento é de 42.342 moradores, e não “quase 50 mil”. A diferença não altera o argumento político apresentado pelo candidato sobre a dimensão do bairro, mas o dado oficial disponível é 42.342 habitantes.
O que fica da entrevista
As respostas de Bráulio Lara apresentam uma candidatura fortemente baseada na continuidade de sua atuação política no Buritis e na transferência dessa experiência para o Congresso Nacional. Mobilidade urbana, segurança, infraestrutura e destinação de recursos para o bairro aparecem como os principais eixos de sua apresentação.
Ao mesmo tempo, algumas das propostas apresentadas dependem de etapas que estão além da atuação direta de um deputado federal ou vereador, como execução de obras pela Prefeitura, disponibilidade orçamentária e decisões de outros órgãos públicos. Por isso, a distinção entre proposta, destinação de recursos, projeto, contratação e obra efetivamente executada continuará sendo relevante no acompanhamento das promessas feitas durante a campanha.
Na esfera nacional, o candidato apresenta uma posição claramente alinhada ao NOVO e a Romeu Zema em temas como responsabilidade fiscal, privatizações, redução do Estado e liberdade econômica. Também defende mudanças na relação entre os Poderes e novas regras para processos contra ministros do STF.
O Meu Bairro Buritis seguirá acompanhando as propostas dos candidatos que tenham relação com a região e, sempre que possível, confrontando declarações e promessas com documentos públicos, dados oficiais e informações verificáveis.
Publicado em 13 de setembro de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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