Muito além dos prédios: os animais que vivem no Buritis
Conheça os animais silvestres encontrados no Buritis e no Estoril, como micos, quatis, tucanos, jacus e siriemas, e entenda a importância do Parque Aggeo Pio Sobrinho, das áreas verdes e dos córregos para a fauna da região.

O Buritis é conhecido por seus prédios, trânsito, comércio e intensa movimentação de pessoas. Mas, entre as ruas e áreas urbanizadas, existe outro bairro que muita gente talvez não perceba: aquele habitado por micos, quatis, tucanos, jacus, siriemas e diversas outras espécies.
A presença desses animais não é apenas uma impressão de moradores. Registros da Prefeitura de Belo Horizonte, levantamentos ambientais e atividades recentes de observação da biodiversidade mostram que o Buritis e o Estoril ainda conservam áreas capazes de abrigar uma fauna bastante diversificada.
E talvez não exista personagem melhor para apresentar essa história do que o próprio Buri, o quati que representa o Meu Bairro Buritis. Afinal, ele não é o único animal silvestre que pode ser encontrado por aqui.
Um bairro urbano cercado por áreas de natureza
Um dos principais motivos para a presença de fauna é a existência de grandes áreas verdes em meio à urbanização.
O maior exemplo é o Parque Municipal Aggeo Pio Sobrinho, na Avenida Professor Mário Werneck. Com aproximadamente 612 mil metros quadrados, o parque teve sua área originada no processo de parcelamento do solo que criou o bairro Buritis e integra parte do maciço da Serra do Curral.
O parque reúne vegetação associada aos biomas Mata Atlântica e Cerrado, além de áreas de mata de galeria, campo sujo, campo limpo e vegetação secundária. Essa diversidade vegetal ajuda a explicar a variedade de animais registrada no local.
O Aggeo também possui uma característica ambiental especialmente importante: três nascentes existentes no parque formam o Córrego Ponte Queimada, que é afluente do Córrego Cercadinho, integrante da bacia do Ribeirão Arrudas.
É uma conexão que muitas vezes passa despercebida por quem circula diariamente pelo bairro. Por trás da paisagem urbana existe um sistema formado por mata, nascentes, córregos e áreas verdes que contribui para a manutenção da biodiversidade.
Micos: uma presença que muitos moradores já conhecem
Entre os animais mais conhecidos pelos moradores estão os micos.
A própria Prefeitura registra micos entre os mamíferos encontrados no Parque Aggeo Pio Sobrinho. E há uma confirmação ainda mais direta: uma reportagem oficial sobre a área verde da sede da BHTrans, na Avenida Engenheiro Carlos Goulart, relata a presença de micos, esquilos, quatis, jacus, siriemas e tucanos no local.
Na região ambiental do Cercadinho também há registros do mico-estrela, ou sagui-de-tufo-preto, espécie nativa que pode ocupar áreas de vegetação próximas a ambientes urbanos.
É importante lembrar que observar esses animais não significa que eles devam ser alimentados ou tratados como animais domésticos. A própria Prefeitura mantém ações de educação ambiental no Aggeo para alertar sobre os riscos de oferecer comida à fauna silvestre.
O quati, personagem que virou símbolo
Se existe um animal que ganhou um lugar especial na identidade do Meu Bairro Buritis, é o quati.
O quati aparece oficialmente na relação de fauna do Parque Aggeo Pio Sobrinho. E a espécie também é citada pela Prefeitura entre os animais observados na área verde da sede da BHTrans.
A presença do quati na região também já foi objeto de pesquisa acadêmica envolvendo o campus Buritis da UniBH e seu entorno.
O animal, portanto, não foi escolhido para representar o bairro apenas por ser simpático. Ele realmente faz parte da fauna silvestre encontrada na região.
O pequeno caxinguelê
Outro morador que pode passar despercebido é o caxinguelê, nome popular utilizado para espécies brasileiras de esquilo.
Esquilos são citados pela Prefeitura entre os animais observados na área verde da BHTrans e também fazem parte da relação de fauna do Parque Aggeo Pio Sobrinho.
A própria Prefeitura explica que a variedade de árvores e plantas existentes na área da BHTrans ajuda a atrair a fauna. Sementes de palmeiras e frutos de árvores existentes no terreno servem de alimento para esquilos, jacus e outras aves.
Jacu, siriema e tucano também estão por aqui
As aves de maior porte são algumas das que mais chamam a atenção de quem consegue observá-las.
Na área verde da BHTrans, a Prefeitura registra especificamente jacus, siriemas e tucanos.
A siriema também aparece na relação oficial de fauna do Parque Aggeo Pio Sobrinho. O tucano, por sua vez, foi novamente incluído entre as aves que poderiam ser observadas durante uma atividade do Projeto Avistavis realizada no parque em maio de 2025.
O jacu também chama atenção por outro motivo: a própria Prefeitura explica que as sementes de algumas das árvores existentes na área verde da BHTrans são utilizadas por essas aves.
E não são apenas aves grandes
O Aggeo abriga uma diversidade muito maior de aves.
Em uma atividade de observação realizada no parque em maio de 2025, a Prefeitura informou que poderiam ser encontradas espécies como beija-flor, sabiá-laranjeira, bem-te-vi, tucano, sanhaço, viuvinha e saí-azul. A atividade foi realizada pela ONG Ecoavis em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica.
O parque também possui registros de pomba-trocal, juriti, alma-de-gato, anu, tesourinha, gavião-carrapateiro e capacetinho-de-veludo, entre outras aves.
Isso significa que aquele canto de pássaro que o morador escuta pela manhã pode pertencer a uma fauna muito mais diversificada do que parece.
O Estoril também tem seus visitantes
A biodiversidade não está concentrada apenas no Aggeo.
No Estoril fica o Parque Bandeirante Silva Ortiz, conhecido como Parque Ecológico do Buritis. Aproximadamente 70% da área do parque é ocupada por vegetação típica de Cerrado e Mata Atlântica.
A Prefeitura registra no local beija-flor, pica-pau, sabiá, bem-te-vi, carretão, maritaca e alma-de-gato.
É mais uma demonstração de que os fragmentos verdes espalhados pelo bairro e pelo Estoril funcionam como espaços importantes para a fauna urbana.
Além dos animais mais conhecidos
A lista oficial do Parque Aggeo inclui ainda outros mamíferos, como tatu, gambá, preá, cuíca e ouriço-cacheiro.
Isso não significa que todos eles sejam vistos diariamente nas ruas ou que exista um ranking que indique quais são os animais mais frequentes do bairro. Não há, nas fontes públicas consultadas, um levantamento quantitativo desse tipo.
O que os registros demonstram é que essas espécies fazem parte da fauna documentada nas áreas verdes do Buritis.
Por que eles conseguem viver em uma região tão urbanizada?
A resposta está justamente nos fragmentos de natureza que permanecem entre a urbanização.
Árvores fornecem alimento e abrigo. Áreas de mata oferecem locais de descanso e reprodução. Nascentes e cursos d'água fazem parte do funcionamento desses ambientes. E parques como o Aggeo funcionam como grandes áreas de conservação em meio à cidade.
A sede da BHTrans é um exemplo interessante. O terreno possui 51,7 mil metros quadrados, dos quais 18,4 mil metros quadrados correspondem a uma área verde com árvores nativas, frutíferas e ornamentais. A Prefeitura atribui justamente à preservação e à diversidade vegetal a atração dos animais silvestres observados no local.
No Aggeo, essa relação é ainda mais evidente. O parque reúne vegetação nativa, nascentes e uma área extensa de mata, criando condições para a existência de diferentes espécies.
Um bairro onde a natureza ainda encontra espaço
Talvez a maior surpresa seja perceber que a fauna do Buritis não está necessariamente distante da vida cotidiana.
Um mico pode aparecer entre as árvores. Um tucano pode pousar em uma área verde. Uma siriema pode ser avistada caminhando. Um quati pode cruzar uma área próxima à mata. E aves como sabiás, bem-te-vis, sanhaços e maritacas podem fazer parte da paisagem sonora do bairro.
São encontros que lembram que o Buritis não é formado apenas por concreto, asfalto e edifícios.
Existe também uma rede de áreas verdes, nascentes, córregos e fragmentos de vegetação que mantém parte da biodiversidade da região.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre?
A principal recomendação é simples: observe à distância e não tente alimentar, capturar ou tocar o animal.
Alimentar animais silvestres pode alterar seu comportamento natural, aumentar a dependência em relação aos seres humanos e causar problemas de saúde. A Prefeitura mantém no Aggeo ações específicas de educação ambiental para alertar a população sobre os riscos dessa prática.
Também não é recomendável tentar levar um animal silvestre para casa, mesmo quando ele parece dócil.
Em caso de animal ferido, preso ou em situação que ofereça risco, o mais adequado é buscar orientação dos órgãos públicos competentes, em vez de tentar resolver a situação por conta própria.
E o Buri?
O nosso quati mascote ganhou uma missão inesperada: apresentar aos moradores alguns dos outros animais que compartilham o bairro com eles.
Porque, quando um mico passa pelos galhos, um tucano aparece em uma árvore ou um quati é visto próximo a uma área verde, não estamos diante de animais que simplesmente “invadiram” a cidade.
Estamos vendo parte da fauna que ainda encontra espaço para viver em uma região que conserva importantes fragmentos de natureza.
O Buri é um deles. Mas definitivamente não está sozinho.
Publicado em 06 de outubro de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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