Quem deu nome às ruas do Buritis e Estoril? Conheça as histórias
As placas das ruas do Buritis e Estoril escondem histórias de engenheiros, empresários, religiosos, professores e personagens ligados à formação de Belo Horizonte.

Quem deu nome às ruas do Buritis e Estoril? Conheça as histórias
Você sabe quem foi Mário Werneck? E José Rodrigues Pereira? Já se perguntou quem era o Cônsul Walter ou por que uma rua do Estoril se chama Vitório Magnavacca?
Para quem mora no Buritis ou no Estoril, esses nomes fazem parte da rotina. Estão nos endereços de casas, condomínios, empresas, escolas, restaurantes e comércios. Mas, por trás de muitas dessas placas, existem personagens e histórias que ajudam a entender a formação dos bairros e também um pouco da própria história de Belo Horizonte.
O Meu Bairro Buritis pesquisou a origem de alguns dos principais nomes de ruas e avenidas da região, consultando documentos oficiais, pesquisas acadêmicas, instituições relacionadas aos homenageados e registros históricos locais.
E uma coisa ficou evidente: nem todas as histórias estão documentadas com o mesmo nível de detalhe. Por isso, esta reportagem separa o que conseguimos comprovar documentalmente daquilo que é preservado por fontes históricas locais.
Antes das ruas do Buritis, havia fazendas
Para entender a história dos nomes das ruas do Buritis e do Estoril, é preciso voltar ao período anterior à urbanização da região.
Pesquisas acadêmicas da UFMG mostram que a área que hoje abriga o Buritis fazia parte da zona rural de Belo Horizonte e passou por um processo de transformação e parcelamento a partir da década de 1970.
Entre as propriedades rurais associadas à região estava a Fazenda Tebaidas, ligada a Aggeo Pio Sobrinho. Estudos sobre a formação urbana do Buritis registram o desmembramento dessa área e as transformações provocadas pela expansão urbana de Belo Horizonte.
A história das antigas propriedades ajuda a explicar por que alguns personagens ligados à ocupação e à transformação da região acabaram também presentes na toponímia dos bairros.
Avenida Professor Mário Werneck: quem foi o homem que dá nome à principal avenida do Buritis?
A Avenida Professor Mário Werneck é provavelmente o endereço mais conhecido do Buritis. Mas o homem homenageado na placa teve uma trajetória muito mais ampla do que o nome da avenida deixa imaginar.
Mário Werneck de Alencar Lima foi engenheiro e professor. Sua trajetória esteve fortemente ligada à Escola de Engenharia de Belo Horizonte e à Universidade Federal de Minas Gerais.
A UFMG registra que Mário Werneck foi professor catedrático, dirigiu a Escola de Engenharia entre 1944 e 1964, foi secretário de Obras da Prefeitura de Belo Horizonte, presidiu a Sociedade Mineira de Engenheiros e participou da criação da Revista Mineira de Engenharia. A Escola de Engenharia da UFMG também confirma seu longo período à frente da instituição.
O nome do engenheiro chegou à principal avenida do Buritis ainda no período de formação da região. Segundo levantamento histórico publicado pelo Jornal do Buritis, a antiga Avenida 1 recebeu o nome de Avenida Professor Mário Werneck por meio do Decreto Municipal nº 3.535, de 30 de julho de 1979.
Ou seja: quando o morador passa hoje pela Avenida Professor Mário Werneck, está circulando por uma via que preserva o nome de um personagem importante da engenharia e da educação superior de Minas Gerais.
Rua José Rodrigues Pereira: um nome ligado à antiga Fazenda Cercadinho
A Rua José Rodrigues Pereira também guarda uma ligação com a história da ocupação da região.
Publicações históricas do Jornal do Buritis relacionam José Rodrigues Pereira à antiga Fazenda Cercadinho e à formação dos bairros.
Uma reportagem posterior da Itatiaia, baseada em documentação do 1º Cartório de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, acrescentou um dado importante para compreender essa história: os irmãos Jacy Rodrigues Pereira e José Rodrigues Pereira aparecem relacionados ao processo de loteamento de uma área da antiga Fazenda Cercadinho.
Por isso, é mais preciso dizer que José Rodrigues Pereira esteve ligado ao processo de transformação e loteamento daquela região do que afirmar, sem ressalvas, que ele teria sido sozinho o proprietário de toda a Fazenda Cercadinho.
A rua que leva seu nome permanece hoje como um dos principais logradouros do Buritis.
Rua Vitório Magnavacca: a antiga Rua 38 do Estoril
Entre as ruas pesquisadas, esta é uma das que possuem documentação particularmente clara sobre a origem do nome.
Antes de se chamar Rua Vitório Magnavacca, a via era identificada como Rua 38, no bairro Estoril.
O Decreto Municipal nº 5.102, de 23 de setembro de 1985, é explícito ao determinar: “Atribui o nome de Vitório Magnavacca à Rua 38, do Bairro Estoril”.
Nesse caso, portanto, não precisamos recorrer a interpretações para saber quando ocorreu a mudança ou qual era a identificação anterior da rua.
Pesquisas acadêmicas da UFMG também estudaram a presença da família Magnavacca na história de Belo Horizonte, dentro do contexto da imigração italiana e da formação da cidade.
É importante, porém, fazer uma distinção: informações sobre a família Magnavacca não devem ser automaticamente atribuídas a Vitório Magnavacca individualmente. A pesquisa histórica precisa separar aquilo que está documentado sobre a família daquilo que pode ser comprovado especificamente sobre o homenageado.
Rua Cônsul Walter: quem era o britânico que viveu em Belo Horizonte?
O nome “Cônsul Walter” pode parecer, à primeira vista, uma simples referência a uma função diplomática.
Mas existe uma pessoa por trás dele: Harold Victor Walter.
O Jornal do Buritis preservou uma pesquisa biográfica sobre Walter, registrando sua origem britânica e sua trajetória profissional em Belo Horizonte.
Uma fonte independente e institucional confirma parte importante dessa história. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais registra a Lei nº 2.362, de 12 de janeiro de 1961, que concedeu a H. W. Walter o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais. A legislação o identifica como vice-cônsul britânico em Belo Horizonte.
A história de Harold Victor Walter mostra como a presença estrangeira também fez parte da formação econômica e social da capital mineira.
Não encontramos, entretanto, documentação suficiente para afirmar com segurança qual foi a justificativa formal utilizada pelo Município para escolher seu nome para o logradouro. Por isso, não vamos inventar uma explicação para essa homenagem.
Rua Maria Heilbuth Surette: a professora que virou nome de rua
A Rua Maria Heilbuth Surette é outro exemplo de um nome que esconde uma história pouco conhecida pela maioria dos moradores.
De acordo com a pesquisa histórica publicada pelo Jornal do Buritis, Maria José Heilbuth Surette nasceu em Belo Horizonte em 1920 e formou-se professora de Língua Portuguesa no Instituto de Educação de Minas Gerais. Também trabalhou como funcionária pública.
A mesma pesquisa registra sua história familiar e afirma que a homenagem à professora partiu de uma iniciativa do então vereador Paulo Portugal, descrito como amigo da família.
A Câmara Municipal de Belo Horizonte confirma atualmente a existência da Rua Maria Heilbuth Surette no Buritis.
Como não localizamos o texto integral do projeto original de denominação nas bases públicas consultadas, a informação sobre a iniciativa do vereador é apresentada aqui como registro histórico do Jornal do Buritis, e não como uma afirmação baseada diretamente no texto da legislação.
Rua Alessandra Salum Cadar: uma homenagem que foi além do nome de uma rua
A Rua Alessandra Salum Cadar guarda uma história especialmente diferente.
Alessandra morreu ainda adolescente, aos 13 anos. Sua memória, entretanto, permaneceu associada a iniciativas de caráter social.
O Jornal do Buritis publicou uma pesquisa sobre sua trajetória e sobre o Centro Assistencial Alessandra Salum Cadar.
Há uma confirmação independente da relevância dessa instituição: o Governo de Minas declarou o Centro Assistencial Alessandra Salum Cadar de utilidade pública por meio do Decreto nº 27.869, de 12 de fevereiro de 1988.
Mais tarde, o Estado também utilizou o nome Alessandra Salum Cadar em outra homenagem, por meio do Decreto nº 35.936, de 23 de agosto de 1994.
Assim, a memória de Alessandra ultrapassou o próprio bairro e passou a fazer parte de outras homenagens oficiais.
Quanto à justificativa específica para a escolha de seu nome para a rua do Buritis, a pesquisa encontrou principalmente o registro histórico publicado pelo Jornal do Buritis. Como não localizamos o ato original com a exposição de motivos, não vamos apresentar como fato uma justificativa que não conseguimos confirmar documentalmente.
Frei Hilário Meekes: uma história que veio da Holanda para o Estoril
O nome de Frei Hilário Meekes também está presente nas ruas do Estoril.
Neste caso, existe uma fonte institucional diretamente relacionada ao homenageado: o próprio Colégio Santo Antônio.
Segundo a instituição, Frei Hilário Meekes nasceu em Lichtenvoorde, na Holanda, em 1930. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1951 e foi ordenado sacerdote em 1958.
Em Belo Horizonte, foi vigário da Paróquia Santo Antônio entre 1982 e 1988 e diretor do Colégio Santo Antônio entre 1991 e 2000.
O Colégio Santo Antônio informa ainda que Frei Hilário foi homenageado no bairro Estoril, onde uma rua recebeu seu nome.
É uma das histórias em que a ligação entre o homenageado e a região pode ser compreendida também pela sua trajetória religiosa e educacional em Belo Horizonte.
Por que tantas ruas têm nomes de pessoas?
Ao observar os nomes das ruas do Buritis e do Estoril, fica evidente que a paisagem dos bairros também funciona como uma espécie de arquivo histórico.
Há nomes ligados à engenharia e à educação, como Mário Werneck.
Há personagens relacionados à ocupação e ao parcelamento da região, como José Rodrigues Pereira.
Há nomes associados à imigração e à atividade empresarial, como Vitório Magnavacca.
Há representantes da presença estrangeira em Belo Horizonte, como Harold Victor Walter.
Há professores e personagens ligados à vida social da cidade, como Maria Heilbuth Surette.
E há homenagens de natureza religiosa e social, como as de Frei Hilário Meekes e Alessandra Salum Cadar.
Cada nome revela uma parte diferente da história.
Nem toda história das ruas está completamente documentada
Pesquisar a origem dos nomes das ruas do Buritis e do Estoril revelou também uma dificuldade importante.
Os atos oficiais de denominação nem sempre estão disponíveis de maneira facilmente pesquisável na internet. Em alguns casos, encontramos o decreto ou outra documentação normativa. Em outros, encontramos pesquisas históricas locais muito detalhadas, mas não conseguimos localizar o documento original que explica a escolha do homenageado.
Por isso, esta reportagem não trata como certeza aquilo que não conseguimos comprovar.
Um exemplo é a Rua Vitório Magnavacca: sabemos documentalmente que a antiga Rua 38 do Estoril recebeu esse nome por meio do Decreto Municipal nº 5.102, de 1985.
Em outros casos, como Maria Heilbuth Surette, temos uma narrativa histórica detalhada sobre a origem da homenagem, publicada pelo Jornal do Buritis, mas não localizamos o documento legislativo original.
Essa diferença pode parecer pequena, mas é fundamental quando o objetivo é preservar a história de um bairro.
As placas que contam a história do Buritis
Na próxima vez que você passar pela Avenida Professor Mário Werneck, pela Rua José Rodrigues Pereira ou por qualquer outra rua do Buritis e do Estoril, talvez a placa tenha um significado diferente.
Por trás de um endereço pode existir a história de um engenheiro, de uma professora, de um empresário, de um religioso, de um imigrante ou de alguém cuja trajetória ficou registrada na memória da cidade.
As ruas são parte da infraestrutura dos bairros, mas seus nomes também são parte da memória de Belo Horizonte.
E conhecer essas histórias é uma maneira de conhecer melhor o lugar onde vivemos.
Fontes consultadas
Para esta pesquisa, foram consultados documentos e informações da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Câmara Municipal de Belo Horizonte, Colégio Santo Antônio, legislação municipal e pesquisas históricas publicadas pelo Jornal do Buritis, além de reportagens utilizadas para confrontar informações sobre a formação territorial da região.
O objetivo foi priorizar fontes primárias e institucionais e, quando isso não foi possível, identificar claramente a origem da informação em vez de apresentá-la como fato documental.
Publicado em 28 de agosto de 2026
Por Meu Bairro Buritis
Encontrou uma informação desatualizada ou incorreta? Avise a gente.
Leia também

Mulheres em Minas: viagens e bate-voltas para mulheres conhecerem Minas Gerais e fazerem novas amizades
Conheça o Mulheres em Minas, projeto que organiza viagens e bate-voltas para mulheres conhecerem destinos de Minas Gerais, fazerem amizades e saírem da rotina.
17 de setembro de 2026
