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O cinema acabou, a saudade ficou e os preços subiram. Ir ao cinema em BH está cada vez mais caro.

A saudade do cinema do Paragem — e o preço de ir ao cinema em Belo Horizonte

Meu Bairro Buritis·10 de agosto de 2026
Bilheteria de cinema com cartazes de filmes em exibição

Quem mora no Buritis há alguns anos provavelmente guarda alguma lembrança do antigo cinema do Shopping Paragem. Para muita gente, bastava descer de casa, atravessar algumas ruas e chegar ao shopping para assistir a uma estreia. Não era necessário pegar a BR-356, enfrentar trânsito, procurar uma vaga em um grande centro comercial ou pensar no preço do estacionamento.

Hoje, essa realidade faz parte da memória do bairro.

O cinema do Paragem funcionou durante cerca de 17 anos. Inaugurado em 2005, junto com o próprio shopping, o complexo ocupava o segundo piso e tinha cinco salas. Ao longo dos anos, passou por diferentes administradoras e, a partir de 2012, passou a ser operado pela Cineart.

A pandemia de Covid-19 mudou essa história.

Os cinemas de Belo Horizonte ficaram entre os estabelecimentos mais afetados pelas restrições sanitárias. O Cine Paragem chegou a retomar as atividades em novembro de 2020, seguindo protocolos como redução da capacidade e medidas para diminuir o contato entre funcionários e clientes. Mas a retomada do público não foi suficiente para garantir a continuidade da operação.

Em 2022, o cinema encerrou definitivamente as atividades no Buritis.

Pouco tempo depois, o espaço das antigas salas ganhou uma nova função. Em maio daquele ano foi inaugurado o boliche do Paragem, que atualmente ocupa a área onde funcionavam as cinco salas de cinema.

O novo empreendimento trouxe outra opção de lazer para o bairro, mas não apagou a memória de quem frequentava o cinema.

E talvez a saudade tenha ficado ainda maior porque, atualmente, assistir a um filme em Belo Horizonte normalmente significa ir a um shopping.

Um levantamento recente da programação da cidade mostra uma concentração muito grande dos cinemas comerciais dentro de centros de compras. Entre os complexos atualmente em operação estão Cinemark BH Shopping, Cinemark Pátio Savassi, Cinemark Diamond Mall, Cineart Boulevard, Cineart Cidade, Cineart Del Rey, Cineart Minas Shopping, Cineart Ponteio, Cineart Via Shopping e Cinépolis Estação BH. 3

Existem alternativas fora desse modelo, principalmente ligadas à programação cultural. O Una Cine Belas Artes, em Lourdes, é reconhecido oficialmente como o único cinema de rua da cidade e mantém uma programação voltada principalmente para filmes independentes e de arte. A cidade também conta com espaços como o Cine Santa Tereza e o Cine Humberto Mauro, que possuem uma proposta diferente dos grandes multiplexes comerciais. 4

Para o morador do Buritis, os cinemas mais próximos continuam concentrados justamente na região da BR-356. O Cinemark do BH Shopping é o maior cinema da cidade, com dez salas, enquanto o Cineart Ponteio fica praticamente no mesmo corredor. 5

Ou seja: opções de cinema não faltam. O que mudou foi a experiência.

E é aí que entra uma reclamação que tem aparecido cada vez mais entre os consumidores: o custo total de uma ida ao cinema.

Nas últimas semanas, uma publicação no Threads chamou atenção justamente por esse motivo. Uma moradora de Belo Horizonte contou que foi ao BH Shopping assistir a um filme de três horas e pagou R$ 74 de estacionamento. A postagem gerou uma série de respostas de pessoas relatando experiências semelhantes.

Em uma das respostas, um usuário afirmou ter pago R$ 92. Outro contou que teve uma experiência parecida no Pátio Savassi. Também apareceram comentários de pessoas dizendo que passaram a evitar determinados cinemas por causa dos preços e até de quem prefere utilizar outras formas de transporte para não pagar estacionamento.

A reclamação não surgiu do nada.

Em maio deste ano, os estacionamentos do BH Shopping, DiamondMall e Pátio Savassi, todos administrados pela Multiplan, tiveram reajustes significativos. O valor de R$ 23 passou a contemplar uma permanência de até três horas, e depois disso começou a cobrança adicional por fração de tempo. Para quatro horas, por exemplo, o valor podia chegar a R$ 46. 6

Em julho, outro caso ganhou grande repercussão: um consumidor publicou um comprovante mostrando o pagamento de R$ 92 para deixar o carro no BH Shopping durante 5 horas e 49 minutos. A publicação ultrapassou 46 mil curtidas e teve quase 3,5 mil comentários, muitos deles com críticas ao valor cobrado. 7

O problema é que uma sessão de cinema naturalmente exige uma permanência maior no shopping. Um filme de duas ou três horas pode facilmente fazer o consumidor ultrapassar a faixa inicial do estacionamento. Se houver jantar, lanche, compras ou outra atividade antes ou depois da sessão, a conta aumenta ainda mais.

É por isso que a discussão deixou de ser apenas sobre o preço do ingresso.

Para uma pessoa que vai ao cinema de carro, o custo pode envolver combustível, estacionamento, ingresso e alimentação. Para uma família, o valor final pode se tornar considerável.

E esse cenário ajuda a explicar por que algumas pessoas olham para o passado com nostalgia.

No antigo Cine Paragem, o morador do Buritis tinha um cinema dentro do próprio bairro. Não precisava transformar uma sessão de filme em uma pequena operação logística. Não havia a necessidade de atravessar a cidade ou escolher entre pagar um estacionamento caro e procurar uma alternativa para deixar o carro.

Era simplesmente “vamos ao cinema”.

Hoje, o Buritis continua próximo de algumas das melhores salas de Belo Horizonte. Há opções de diferentes redes, salas premium, IMAX e cinemas com propostas culturais distintas. O problema, para parte do público, é que a experiência de assistir a um filme passou a vir acompanhada de uma série de custos e decisões que antes pareciam secundários.

E talvez seja justamente isso que explique a nostalgia pelo cinema do Paragem.

Não é apenas saudade das cinco salas.

É saudade de quando ir ao cinema parecia um programa mais simples.

Para quem viveu aquela época, fica a lembrança: quantas sessões foram assistidas naquele segundo andar do Paragem? Qual foi o primeiro filme que você viu ali? E se o cinema voltasse ao bairro, você frequentaria?

A pergunta fica para os moradores do Buritis.

Publicado em 10 de agosto de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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