[{"data":1,"prerenderedAt":62},["ShallowReactive",2],{"noticia-relato-de-uma-tragedia-que-quase-aconteceu":3,"noticias-relacionadas-0e2647bc-b12c-40d0-94b8-f1cd1dd7fab6":22},{"id":4,"titulo":5,"subtitulo":6,"slug":7,"conteudo":8,"imagem_destaque_url":9,"imagem_destaque_alt":10,"categoria":11,"autor":12,"status":13,"data_publicacao":14,"seo_meta_titulo":15,"seo_meta_descricao":15,"seo_imagem_og":15,"seo_palavras_chave":16,"criado_em":17,"atualizado_em":17,"categoria_id":18,"subcategoria_guia_id":15,"tipo_conteudo":19,"atualizado_em_editorial":15,"ultima_verificacao":15,"cta_texto":15,"cta_href":15,"categoria_info":20,"subcategoria_info":15},"0e2647bc-b12c-40d0-94b8-f1cd1dd7fab6","Relato de uma tragédia que quase aconteceu","Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.","relato-de-uma-tragedia-que-quase-aconteceu","\u003Cp>Ontem à noite assisti ao último capítulo de uma tragédia que, por sorte, nunca aconteceu.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Mas o que aconteceu depois foi ainda mais perigoso.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O outro condutor decidiu que não bastava reclamar. Xingou, acelerou e iniciou uma perseguição pelas ruas do Estrela Dalva até a Ernani Agrícola. Em segundos, o trânsito virou um campo de batalha.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Os papéis se inverteram: quem cometeu a primeira infração passou a fugir por acreditar que sua vida estava em risco. Quem estava “certo” passou a aumentar o risco ao tentar interceptar outro veículo.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>A pergunta não é quem começou. É: quem decidiu aumentar o risco?\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Existe uma diferença enorme entre indignação e agir como juiz. O Código de Trânsito prevê punições e existem autoridades para fiscalizar. O que não existe é licença para transformar as ruas em arena de vingança.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>E quantas pessoas inocentes cruzaram aquele caminho sem saber que dois homens dirigiam sob o efeito da adrenalina? Uma criança, um motociclista ou uma família. Nenhum participou da discussão.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O desfecho foi quase cinematográfico. Quando pararam lado a lado, descobriram que eram conhecidos. Vizinhos. Os gritos deram lugar às desculpas e os insultos terminaram em um abraço.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Foi bonito, mas assustador. Dois homens quase destruíram suas próprias vidas — e talvez a de terceiros — antes de perceberem que brigavam com alguém cujo nome conheciam.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>E se fossem desconhecidos?\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Talvez hoje estivéssemos lendo uma notícia policial.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>A maior ilusão do trânsito é acreditar que estamos discutindo apenas com outro motorista. Não estamos. Estamos conduzindo uma máquina de mais de uma tonelada, capaz de causar uma tragédia em poucos segundos.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Quando a emoção assume o volante, a razão vai para o banco de trás. Talvez a maior demonstração de força no trânsito não seja acelerar, mas frear: o carro, o orgulho, a raiva e o impulso de provar quem está certo.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Você prefere ter razão ou voltar para casa?\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Na maioria das vezes, as duas coisas são compatíveis, desde que a intolerância não assuma a direção.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Texto de: @champbrasil\u003C\u002Fp>","https:\u002F\u002Fpeusailkyxqbhgdgmqyk.supabase.co\u002Fstorage\u002Fv1\u002Fobject\u002Fpublic\u002Fnoticias-imagens\u002F1786193606580-tl9db3.png","Ilustração de discussão entre motorista de carro e motociclista no trânsito","Trânsito ","Meu Bairro Buritis","publicado","2026-08-08T12:54:20.401+00:00",null,"trânsito","2026-08-08T12:54:21.208334+00:00","mobilidade-urbanismo","reportagem",{"id":18,"rotulo":21},"Mobilidade e Urbanismo",[23,36,50],{"id":24,"slug":25,"autor":12,"status":13,"titulo":26,"conteudo":27,"cta_href":15,"categoria":15,"criado_em":28,"cta_texto":15,"subtitulo":29,"categoria_id":18,"atualizado_em":28,"seo_imagem_og":15,"tipo_conteudo":19,"categoria_info":30,"data_publicacao":31,"seo_meta_titulo":32,"subcategoria_info":15,"seo_meta_descricao":15,"seo_palavras_chave":16,"ultima_verificacao":15,"imagem_destaque_alt":33,"imagem_destaque_url":34,"subcategoria_guia_id":15,"atualizado_em_editorial":35},"99ff0191-cef5-4b20-a767-3cf445910fdc","bh-tem-o-3-pior-transito-do-brasil-e-o-buritis-sente-isso-todos-os-dias","BH tem o 3º pior trânsito do Brasil — e o Buritis sente isso todos os dias","\u003Cp>Um novo levantamento colocou Belo Horizonte em um patamar preocupante de mobilidade urbana. Segundo o \u003Ca href=\"https:\u002F\u002Fwww.tomtom.com\u002Ftraffic-index\u002F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TomTom Traffic Index\u003C\u002Fa> 2025, motoristas e passageiros da capital perderam, em média, 130 horas presos em congestionamentos ao longo do ano — o equivalente a mais de cinco dias inteiros parados no trânsito. O número deixa BH atrás apenas de Curitiba (135 horas) e São Paulo (132 horas) entre as capitais brasileiras, e empatada com Recife.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Os dados foram apresentados por Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), durante o Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em São Paulo, e repercutiram amplamente na imprensa mineira.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>BH ultrapassou São Paulo — pela primeira vez\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O detalhe mais chamativo do estudo é que, no índice médio de congestionamento, Belo Horizonte (58,6%) superou São Paulo (58,5%) — uma diferença mínima, mas simbólica, já que a capital paulista é historicamente sinônimo de trânsito caótico no imaginário nacional. No ranking global, que avaliou 492 cidades no mundo, BH aparece entre as 30 piores do planeta.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Outros números do levantamento:\u003C\u002Fp>\u003Cp>- Terceira capital brasileira com maior aumento no índice de congestionamento em 2025 (alta de 0,6 ponto percentual ante 2024), atrás apenas de Porto Alegre e Recife.\u003C\u002Fp>\u003Cp>- Velocidade média de 21,3 km\u002Fh nas vias da cidade.\u003C\u002Fp>\u003Cp>- Em 15 minutos de deslocamento, um motorista belo-horizontino percorre, em média, apenas 5,3 km.\u003C\u002Fp>\u003Cp>- Terças e quartas-feiras são os dias mais críticos, com picos de lentidão de manhã e no fim da tarde.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Para a CNT, um dos fatores que empurra cada vez mais gente para o carro é a falta de prioridade viária para o transporte coletivo. Segundo a entidade, quase metade dos usuários de ônibus relata considerar trocar o coletivo pelo veículo particular justamente pela ausência de faixas exclusivas e de agilidade no trajeto — um ciclo que, ao aumentar a frota nas ruas, só agrava o congestionamento.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>E no Buritis, como fica isso?\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Os números da cidade como um todo já preocupam, mas quem mora ou circula pelo Buritis sabe que o bairro tem seus próprios pontos de estrangulamento — e eles aparecem com frequência nos boletins de trânsito da capital.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O cruzamento entre a Avenida Professor Mário Werneck e a Avenida Raja Gabáglia é apontado repetidamente como um dos principais gargalos de acesso ao bairro, assim como a entrada pela Rua José Rodrigues Pereira, na Raja Gabáglia — a principal porta de entrada do Buritis para quem vem de outras regiões da cidade. Em dias de maior fluxo ou de ocorrências no Anel Rodoviário, a Mário Werneck costuma ficar congestionada num trecho longo, do Shopping Paragem até as imediações da Escola Americana, próximo ao acesso ao Anel pela Avenida Cristovam Chiaradia.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Outro ponto crítico da própria Mário Werneck é o trecho em frente à entrada do UniBH, que concentra grande volume de carros, vans escolares e pedestres nos horários de entrada e saída das aulas. O embarque e desembarque de alunos na via, sem estrutura adequada, é um fator que se soma aos demais gargalos do bairro e tem sido citado em propostas de melhoria do trânsito local, como o uso de espaços da BHTrans e do COP-BH para embarque e desembarque, justamente para tirar esse fluxo de cima da pista.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Como o Buritis depende fortemente da Raja Gabáglia e da Barão Homem de Melo para se conectar ao restante de BH, qualquer lentidão nessas duas avenidas — seja por excesso de veículos no horário de pico, seja por acidentes no Anel Rodoviário — tem efeito direto e quase imediato sobre quem mora no bairro. Não é à toa que propostas de melhoria do trânsito no Buritis, como a modernização da sinalização semafórica e intervenções no encontro Mário Werneck x Raja Gabáglia, têm aparecido com frequência em discussões sobre mobilidade na região.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Nos finais de semana, moradores notam a diferença: o fluxo cai bastante e o trânsito flui com mais tranquilidade pelas mesmas vias que, durante a semana, formam filas nos horários de pico.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O que os dados sugerem para o bairro\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>O quadro geral de Belo Horizonte reforça um ponto que já é sentido no dia a dia do Buritis: a dependência quase total do carro particular, combinada com poucas alternativas de vias de acesso, deixa o bairro vulnerável a qualquer imprevisto nas rotas que o ligam ao resto da cidade. Investimentos em prioridade para ônibus, sinalização inteligente e alternativas de acesso — pautas já defendidas por moradores e lideranças locais — ganham ainda mais relevância diante de um cenário em que BH já divide o pódio dos piores trânsitos do país.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>Fontes: TomTom Traffic Index 2025; O TEMPO (\"BH é a terceira capital com o pior trânsito do país, com 130 horas perdidas em congestionamento\", 13\u002F08\u002F2026); reportagens sobre pontos de congestionamento na Mário Werneck e Raja Gabáglia.\u003C\u002Fp>","2026-08-13T17:13:08.551541+00:00","De Curitiba a BH: veja o ranking do pior trânsito do país e os gargalos do Buritis",{"id":18,"rotulo":21},"2026-08-13T17:13:07.991+00:00","BH tem o 3º pior trânsito do Brasil, mostra estudo","Ônibus e carros parados no trânsito intenso de uma via","https:\u002F\u002Fpeusailkyxqbhgdgmqyk.supabase.co\u002Fstorage\u002Fv1\u002Fobject\u002Fpublic\u002Fnoticias-imagens\u002F1786641173308-40m10d.png","2026-08-26T15:19:57.611+00:00",{"id":37,"slug":38,"autor":39,"status":13,"titulo":40,"conteudo":41,"cta_href":15,"categoria":15,"criado_em":42,"cta_texto":15,"subtitulo":43,"categoria_id":44,"atualizado_em":42,"seo_imagem_og":15,"tipo_conteudo":44,"categoria_info":45,"data_publicacao":47,"seo_meta_titulo":15,"subcategoria_info":15,"seo_meta_descricao":15,"seo_palavras_chave":15,"ultima_verificacao":15,"imagem_destaque_alt":48,"imagem_destaque_url":49,"subcategoria_guia_id":15,"atualizado_em_editorial":15},"ef806d33-1bdc-4f33-aced-f08a5985242c","uma-cidade-para-carros-ou-uma-cidade-para-pessoas","Carlos Pires — Colunista","Uma cidade para carros ou uma cidade para pessoas?","\u003Cp>Essa semana eu vi o poste (mais uma vez) mijar no cachorro. Não, não foi metáfora, ou talvez tenha sido.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Era quase seis da tarde, na Rua José Silveira, em frente ao BH Supermercados, naquela região da pista de cooper. Duas pessoas haviam acabado de fazer suas compras e chamaram um Uber ao mesmo tempo.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Dois carros chegaram, e, entre eles, uma senhora idosa, apoiada em uma muleta, tentando embarcar. Foi o suficiente...\u003C\u002Fp>\u003Cp>Os motoristas não pararam exatamente junto à guia da sarjeta. O supermercado não possui uma área adequada para embarque e desembarque, apenas o acesso à garagem. Os carros ficaram alguns segundos onde não deveriam, alguém buzinou, outro motorista xingou, outro provavelmente xingou quem xingou, e em poucos instantes tínhamos instalado, gratuitamente, um pequeno espetáculo de intolerância urbana.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Era trânsito, mas também, nesse mesmo instante, era muito mais do que trânsito. Fiquei observando aquela cena patética, porque, curiosamente, ninguém ali parecia ser exatamente o vilão.\u003C\u002Fp>\u003Cp>O motorista queria pegar o passageiro, o passageiro queria ir embora. A senhora precisava de mais tempo para entrar no carro. Os outros motoristas queriam seguir. O supermercado precisava receber seus clientes, e a rua precisava continuar funcionando.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Todos tinham uma razão, e quando todos têm uma razão, mas ninguém pensa no outro, então, nasce o caos, e foi aí que percebi que talvez o problema não esteja apenas nas pessoas. Está também na maneira como construímos nossas cidades.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Grandes supermercados recebem centenas, às vezes milhares de pessoas por dia. Mas quantos foram projetados pensando que parte desses consumidores chegará de táxi, Uber ou outro veículo de aplicativo?\u003C\u002Fp>\u003Cp>No Buritis, basta observar. Supernosso, Verdemar, EPA, BH. Entramos, compramos, pagamos e saímos, mas onde está o espaço para aquele que não veio dirigindo? Onde está o lugar para o idoso? E o lugar para quem tem dificuldade de locomoção? Para quem chega de aplicativo? Para quem simplesmente precisa de trinta segundos para entrar em um carro?\u003C\u002Fp>\u003Cp>Parece um detalhe, mas não, não é. É justamente nos detalhes que uma cidade revela o quanto se importa com as pessoas.\u003C\u002Fp>\u003Cp>E nas igrejas o problema não é muito diferente. Em dias de missa, passar em frente à igreja no alto da ladeira da Alessandra Salum Cadar é quase um exercício espiritual, e talvez seja mesmo. Os carros formam fila dupla na subida e na descida, apesar da enorme placa colocada pela própria paróquia pedindo que isso não aconteça.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Na Igreja Boas Novas, na Barão, depois dos cultos, a situação se repete. Pessoas aguardam seus motoristas no meio da rua. Motoristas chegam desesperados, param onde conseguem, ligam o pisca-alerta e, naquele instante, parece que o restante da cidade deixa de existir. Quem vem atrás que espere. Quem precisa passar que desvie. Quem está a pé que se vire, e é justamente aí que a coisa fica filosófica.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Talvez o problema nunca tenha sido o carro, nem o Uber, nem o supermercado, nem a igreja. O problema somos nós, quando acreditamos que a nossa necessidade, naquele exato momento, vale mais do que a necessidade do outro.\u003C\u002Fp>\u003Cp>O motorista pensa: \"Só vou parar um minutinho.\" O passageiro pensa: \"É só entrar no carro.\" O outro motorista pensa: \"Não custa esperar.\" O pedestre pensa: \"Eles que desviem.\"\u003C\u002Fp>\u003Cp>E, quando percebemos, uma cidade inteira está funcionando à base do \"é só um minutinho\". Só que somos milhões de pessoas vivendo simultaneamente. Se cada um reivindicar para si apenas \"um minutinho\" de exceção, a cidade inteira para.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Talvez seja isso que significa viver em sociedade. Entender que o espaço público não é um espaço sem dono, ele é justamente o espaço de todos. A rua é minha, mas também é sua. A calçada é minha, mas também é do cadeirante. O estacionamento é meu direito, mas o embarque seguro também é direito de quem não dirige.\u003C\u002Fp>\u003Cp>O trânsito não é apenas um problema dos motoristas. É um problema de motoristas, passageiros, pedestres, comerciantes, igrejas, supermercados, arquitetos, urbanistas e, principalmente, de cidadãos.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Precisamos reaprender uma palavra que parece antiga, mas continua absolutamente moderna: colaboração. E talvez outra, ainda mais difícil: empatia. Não aquela empatia bonita das redes sociais, que aparece em frases prontas, mas a empatia prática, aquela que faz o motorista pensar no carro que está atrás, que faz o passageiro não exigir que o motorista pare no meio da rua, que faz o supermercado perceber que seu cliente não é apenas aquele que chega de carro próprio.\u003C\u002Fp>\u003Cp>A empatia que faz uma igreja perceber que seus fiéis precisam sair sem transformar a rua em estacionamento, que faz todos nós lembrarmos que, antes de sermos motoristas, passageiros, fiéis, clientes ou pedestres, somos pessoas compartilhando o mesmo espaço.\u003C\u002Fp>\u003Cp>E foi por isso que comecei dizendo que vi o poste mijar no cachorro, porque, naquela tarde, todos estavam certos e todos estavam errados. O motorista reclamava do passageiro, o passageiro reclamava do trânsito, o trânsito reclamava dos carros, os carros reclamavam da falta de espaço, e a cidade, silenciosamente, reclamava de todos nós.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Talvez o verdadeiro problema seja que construímos cidades pensando em veículos e depois esperamos que seres humanos consigam caber dentro delas, e sim, não usarei um “talvez”. Já passamos da hora de inverter a essa lógica.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Antes de construir mais uma garagem, mais uma entrada monumental, mais uma fachada bonita ou mais algumas vagas de estacionamento, talvez alguém devesse perguntar: - \"E as pessoas? Como elas chegam? Como elas saem? E, principalmente, como fazemos isso sem atrapalhar a vida de quem está passando?\"\u003C\u002Fp>\u003Cp>Parece uma pergunta simples, não é? Mas talvez uma cidade civilizada comece exatamente quando aprendemos a fazê-la, porque, no fim, ninguém mora no trânsito, ninguém mora no supermercado, ninguém mora na igreja, nós moramos uns com os outros, e isso deveria ser suficiente para mudar a maneira como ocupamos a rua.\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003Cem>Carlos HM Pires :@champbrasil\u003C\u002Fem>\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003Cem>Foto: Idanir Pawelkiewicz\u003C\u002Fem>\u003C\u002Fp>","2026-08-11T17:57:13.678326+00:00","Quando o post mijou no cachorro - Coluna de Carlos Pires","opiniao",{"id":44,"rotulo":46},"Opinião","2026-08-11T17:57:13.132+00:00","Ônibus e carros parados no trânsito de uma rua do Buritis","https:\u002F\u002Fpeusailkyxqbhgdgmqyk.supabase.co\u002Fstorage\u002Fv1\u002Fobject\u002Fpublic\u002Fnoticias-imagens\u002F1786471020351-rmikon.png",{"id":51,"slug":52,"autor":53,"status":13,"titulo":54,"conteudo":55,"cta_href":15,"categoria":15,"criado_em":56,"cta_texto":15,"subtitulo":57,"categoria_id":44,"atualizado_em":56,"seo_imagem_og":15,"tipo_conteudo":44,"categoria_info":58,"data_publicacao":59,"seo_meta_titulo":15,"subcategoria_info":15,"seo_meta_descricao":15,"seo_palavras_chave":60,"ultima_verificacao":15,"imagem_destaque_alt":15,"imagem_destaque_url":61,"subcategoria_guia_id":15,"atualizado_em_editorial":15},"9ab20ae7-986a-4035-817d-ef9af02742f7","seis-dias-sem-agua-nao-sao-so-um-incomodo-so-um-falha-na-prestacao-do-servico","Carlos Pires","Seis dias sem água não são só um incômodo só um falha na prestação do serviço","\u003Cp>SEIS DIAS SEM ÁGUA NÃO SÃO UM “INCÔMODO”, SÃO UMA FALHA NA PRESTAÇÃO DE UM SERVIÇO ESSENCIAL\u003C\u002Fp>\u003Cp>Na madrugada de 19 de agosto de 2026, uma adutora da COPASA se rompeu na Rua Xapuri, esquina com a Avenida Barão Homem de Melo, no bairro Nova Granada, em Belo Horizonte. A força da água provocou alagamentos, danos a imóveis e comprometeu o abastecimento de dezenas de bairros da região Oeste. A própria COPASA reconheceu oficialmente a ocorrência e informou que 33 bairros foram afetados.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Ninguém questiona a complexidade técnica de reparar uma adutora de grande porte. Rompimentos acontecem. O que precisa ser questionado é a qualidade da resposta da concessionária e o tempo durante o qual consumidores permaneceram sem um serviço público essencial.\u003C\u002Fp>\u003Cp>No meu imóvel, foram seis dias sem água. Não seis horas, nem um período razoável de manutenção programada. Foram seis dias em que uma família precisou administrar cada litro disponível, reorganizar tarefas básicas e recorrer a alternativas para aquilo que deveria simplesmente estar disponível na torneira.\u003C\u002Fp>\u003Cp>A situação só não foi ainda mais grave porque meu imóvel possui dois reservatórios e faço captação, armazenamento e reaproveitamento de água de chuva. Isso, entretanto, não diminui a responsabilidade da concessionária. Eu possuo mecanismos particulares de contingência. A maioria dos consumidores não possui.\u003C\u002Fp>\u003Cp>E houve ainda outro problema grave: a comunicação da COPASA. Durante os dias de interrupção, foram mais de dez respostas diferentes, com previsões que não se confirmavam e prazos sucessivamente substituídos por outros. Dia após dia, a expectativa era renovada, o prazo terminava, a água não vinha, e surgia um novo prazo. Isso não é comunicação eficiente. É transferência da ineficiência operacional para o consumidor.\u003C\u002Fp>\u003Cp>A própria COPASA informou que os trabalhos de manutenção foram concluídos na manhã de 20 de agosto, mas reconheceu que o abastecimento seguiria em normalização gradativa. Em 21 de agosto, ainda registrava oficialmente manutenção emergencial e possibilidade de intermitência em Grajaú, Nova Granada e bairros vizinhos, com previsão de normalização até a noite de 22 de agosto.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Portanto, não basta dizer que o reparo foi concluído. O consumidor não compra reparos, compra e paga muito caro por água. A obrigação da concessionária não termina quando a equipe técnica deixa o local do rompimento. Termina quando o abastecimento é efetivamente restabelecido.\u003C\u002Fp>\u003Cp>A água tratada não é um luxo. É um serviço essencial. Em uma emergência, dificuldades técnicas podem ser inevitáveis. O que não pode ser inevitável é transformar uma emergência operacional em emergência permanente para o consumidor, deixando famílias sem saber quando poderão tomar banho, cozinhar, lavar louça, higienizar suas casas ou simplesmente abrir uma torneira.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Se a COPASA não sabe quando o abastecimento será normalizado, deve dizer isso claramente. Se sabe, deve cumprir. Quando promete e não cumpre, mostra que é ineficiente, quiçá, irresponsável. O que não é aceitável é estabelecer sucessivos prazos exíguos, criar expectativas e, quando elas não se concretizam, simplesmente substituí-las por outras. Isso não é informação, é uma forma burocrática de administrar a insatisfação.\u003C\u002Fp>\u003Cp>A responsabilidade jurídica da concessionária deve ser analisada não apenas pelo rompimento da adutora, mas também pela continuidade do serviço, adequação da prestação, dever de informação e eventuais danos decorrentes da interrupção prolongada.\u003C\u002Fp>\u003Cp>No meu caso, foram seis dias. Seis dias sem água não podem ser tratados como uma simples estatística operacional. Do outro lado da estatística existe uma pessoa, uma casa, uma família, uma rotina interrompida, custos, transtornos e limitações que não aparecem no comunicado oficial da Companhia.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Por isso, a COPASA deve prestar contas: explicar as causas do rompimento, as condições de conservação da adutora, as medidas preventivas adotadas, a razão da demora no restabelecimento efetivo, os critérios utilizados para estabelecer e alterar os prazos, as medidas de contingência oferecidas aos consumidores e as providências que serão adotadas para impedir que uma ocorrência semelhante volte a produzir uma interrupção prolongada.\u003C\u002Fp>\u003Cp>O consumidor já pagou pela água. O mínimo que pode exigir é que ela seja fornecida e, quando isso não for possível, que receba informação verdadeira, precisa e responsável.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Seis dias sem água não são apenas seis dias. São seis dias de um serviço essencial que deixou de funcionar, e diante disso, não cabe ao consumidor simplesmente agradecer quando a água finalmente retorna.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Cabe à concessionária prestar contas.\u003C\u002Fp>\u003Cp>Carlos HM Pires\u003C\u002Fp>\u003Cp>Meu Instagram: @champbrasil\u003C\u002Fp>\u003Cp>YouTube: @meiodomundo\u003C\u002Fp>\u003Cp>\u003C\u002Fp>","2026-08-28T14:05:52.664713+00:00","COPASA precisa responder por seis dias sem um serviço essencial que deixou de funcionar",{"id":44,"rotulo":46},"2026-08-28T14:05:51.77+00:00","Copasa, agua","https:\u002F\u002Fpeusailkyxqbhgdgmqyk.supabase.co\u002Fstorage\u002Fv1\u002Fobject\u002Fpublic\u002Fnoticias-imagens\u002F1787925815601-cqw5u2.png",1790711724632]