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Ele foi criado por uma lavadeira, venceu um câncer e transformou uma brincadeira do filho em uma missão de vida

Conheça a história de Karlinhos, morador do Buritis que enfrentou uma infância humilde, venceu um câncer e transformou um sonho do filho em um projeto que já ajudou centenas de crianças.

Meu Bairro Buritis·28 de setembro de 2026
Ele foi criado por uma lavadeira, venceu um câncer e transformou uma brincadeira do filho em uma missão de vida

GENTE DO BURITIS Da infância humilde ao sonho de transformar e salvar vidas: a história de Karlinhos Filho de uma lavadeira, órfão de pai com 1 ano e 8 meses, sobrevivente de um câncer no intestino e economiário, atualmente aposentado, Carlos Antônio Apolônio de Vasconcelos - KARLINHOS superou e transformou experiências difíceis da própria vida em um propósito que já alcançou centenas de crianças, adolescentes, pessoas sentenciadas e públicos 50 e 60+. Algumas histórias começam com grandes oportunidades. A de Carlos Vasconcelos, conhecido como Karlinhos, começou justamente no sentido contrário. Karlinhos cresceu em uma família que enfrentava muitas dificuldades financeiras, tendo que começar a trabalhar com 10 anos. Na infância, coisas que para outras crianças poderiam parecer simples — como um tênis, um chinelo ou materiais escolares — algumas vezes chegavam por meio de doações. Mesmo diante das limitações, ele seguiu estudando em escola pública e construiu, pouco a pouco, um caminho diferente daquele que a realidade de sua infância parecia lhe reservar. Formou-se em matemática e física, e em 1987 ingressou como professor de matemática no Colégio Nossa Senhora da Piedade, com proposta educacional inovadora. Aos 21 anos, foi aprovado em alguns concurso públicos e começou a trabalhar no BNH. O emprego representou uma mudança importante em sua vida. Karlinhos permaneceria durante 33 anos na instituição e no Colégio, construindo uma carreira e conquistando a estabilidade que sua família não havia tido quando ele era criança. Em 1991 pos-graduou-se em análises de sistemas, na atual UNI-BH. Em 1994-1995, iniciou suas atuações como voluntário, especialmente no Natal Sem Fome - Campanha Nacional do nosso Saudoso Betinho. Quando a vida muda de repente ... Depois de construir uma carreira e formar sua família, Karlinhos ainda precisaria enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua vida, um mês depois do nascimento de seu filho. Ele descobriu um câncer no intestino. Segundo seu próprio relato, chegou a ser desenganado pelos médicos. Mas conseguiu superar a doença, após muitas sessões de quimio e radioterapia. A experiência acabou se tornando um daqueles acontecimentos que dividem uma vida em antes e depois. Karlinhos já havia aprendido desde cedo a enfrentar dificuldades. Mas, depois de passar por uma doença grave, sua maneira de enxergar a própria vida também ganhou novos significados Uma promessa para o filho Anos depois, em 2008, surgiu uma ideia que inicialmente parecia pequena. Seu filho, André Luís, tinha sete anos e queria jogar futebol com os amigos. Karlinhos decidiu reunir as crianças e organizar algumas atividades esportivas em espaços públicos voluntariamente. Não havia, naquele momento, a intenção de criar uma grande organização social. Era apenas um pai tentando realizar o desejo do filho e inconformado com segregação no futebol, inclusive feminino. Mas outras crianças começaram a aparecer interessadas em aprender e jogar futebol. O grupo foi crescendo e aquilo que havia começado como uma atividade entre um pai, seu filho e alguns amigos ganhou uma dimensão muito maior. Em 5 de dezembro de 2009, nasceu oficialmente o Bom na Bola Bom na Vida, quando formou-se como Técnico de Futebol no Instituto Wanderley Luxemburgo em parceria com Faculdade Castelo Branco do Rio de Janeiro. A proposta era utilizar o esporte como ferramenta de educação, convivência e transformação social. Com o passar dos anos, o projeto deixou de atender apenas as crianças que participavam das primeiras atividades e passou a alcançar jovens de diferentes regiões de Belo Horizonte. Mesmo sem estar formalizado, Bom na Bola e Karlinhos começaram a ganhar Prêmios como Gentileza Urbana do IAB-MG (2013) e BeloHorizontino Nota 10 (Revista Veja); estimulando-o a regularizar o Projeto em janeiro de 2014. Em 2015, o projeto já atendia aproximadamente 150 participantes diretamente e também desenvolvia atividades em escolas, creches e outras instituições. Uma década depois de sua criação, o Bom na Bola Bom na Vida já alcançava cerca de 350 crianças e adolescentes em diferentes núcleos. Karlinhos e Projeto continuaram ganhando reconhecimento nacional e internacional, como em 2019 com Prêmio Bom Exemplo (Categoria Esportes) da Rede Globo e Fiemg, e Goleada do Bem do Estádio Mineirão e Fundação Dahw/Consulado da Alemanha. Uma escolha depois da aposentadoria Em 2014 chegou o momento de Karlinhos se aposentar e poder se dedicar ainda mais para as causas sociais. Poderia simplesmente encerrar aquele capítulo profissional e aproveitar a nova fase da vida. Mas decidiu fazer uma escolha diferente. Karlinhos abriu mão de cargos e melhores possibilidades pessoais e financeiras para se dedicar ao Bom na Bola e outras instituições do 3o Setor. A decisão significava, na prática, abrir mão de uma remuneração maior para viver com a aposentadoria e continuar trabalhando pelo Bom na Bola Bom na Vida. Em entrevista ao Jornal do Buritis, ele explicou que se considera um homem realizado. Tem uma família que considera maravilhosa e encontrou no trabalho social uma nova forma de dar sentido àquilo que havia conquistado ao longo da vida - "real propósito de vida". O menino que recebeu ajuda e decidiu ajudar Talvez exista uma conexão silenciosa entre o menino que Karlinhos foi e o homem que se tornou. A criança que cresceu em uma família humilde e precisou contar com doações para ter alguns itens básicos de estudo acabou criando uma iniciativa destinada justamente a oferecer oportunidades para outras crianças. O homem que precisou construir seu próprio caminho encontrou no esporte uma maneira de ajudar jovens a construírem os seus. E tudo começou com um pedido do próprio filho. A história poderia ter terminado naquele primeiro grupo de crianças jogando futebol. Não terminou. Cresceu, ganhou novos núcleos, novos parceiros e novas atividades, transformando o futebol em uma ferramenta para trabalhar educação, cidadania, cultura, meio ambiente e convivência. Uma história que continua Em 2022, Karlinhos deixou a presidência do Bom na Bola Bom na Vida. Sua saída da função, entretanto, não significou o abandono da iniciativa. Depois de tantos anos, o projeto já havia adquirido uma dimensão própria e continua seguindo seu caminho, inclusive com outras modalidades esportivas. E a história de Karlinhos também continua. Sua trajetória reúne capítulos muito diferentes: a infância marcada pela dificuldade, a ausência do pai, o trabalho da mãe como lavadeira, a conquista de uma carreira estável, os 33 anos no banco, o enfrentamento de um câncer e, finalmente, a decisão de dedicar parte da vida a outras pessoas. Não é apenas a história de alguém que criou um projeto social. É a história de alguém que viveu situações que poderiam ter definido sua trajetória de outra maneira e, ao longo do caminho, encontrou formas de transformar suas próprias experiências em oportunidades para outras pessoas. O menino que recebeu ajuda para estudar tornou-se o adulto que decidiu criar oportunidades. O pai que queria apenas realizar o sonho do filho para formar de time de futebol acabou criando uma iniciativa que alcançaria centenas de crianças, adolescentes e jovens. E o homem que um dia ouviu dos médicos que sua situação era extremamente grave continuou construindo sua história depois de superar a doença. A trajetória de Karlinhos começou com pouco. Passou pelo trabalho, pela conquista, pela doença e pela reconstrução. E encontrou no desejo de ajudar outras pessoas um novo propósito. Karlinhos continua atuando fortemente como voluntário no Bom na Bola, Fundamig, ABB, ABCR, Creche Lar da Fraternidade, como consultor social do Instituto GESC, Lar de Amor e outras em São Paulo. É justamente por histórias como essa que nasce o Gente do Buritis. Porque, muitas vezes, as pessoas que encontramos pelas ruas do bairro carregam histórias que seus próprios vizinhos ainda não conhecem. Essa é a história de Karlinhos, que leva que não cansa de afirmar ".. Crianças não dão trabalho ... dão frutos." GENTE DO BURITIS Pessoas que vivem aqui. Histórias que merecem ser conhecidas.

Publicado em 28 de setembro de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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