Piscina, academia ou churrasqueira: o que os moradores realmente usam nos condomínios do Buritis?
Pesquisa mostra quais áreas de lazer são mais valorizadas e utilizadas nos condomínios e como estrutura, tamanho e manutenção ajudam a explicar a taxa no Buritis.

Piscina, academia ou churrasqueira: o que os moradores realmente usam nos condomínios do Buritis?
Pesquisa nacional mostra diferença entre o que os moradores valorizam e aquilo que efetivamente utilizam. Levantamento de empreendimentos do Buritis também mostra por que a quantidade de áreas de lazer, sozinha, não determina o valor do condomínio.
Para quem procura um apartamento no Buritis, a lista de áreas de lazer pode ser um dos itens mais chamativos do anúncio: piscina, academia, churrasqueira, espaço gourmet, quadra, salão de festas, playground e até brinquedoteca.
Mas existe uma pergunta que nem sempre aparece na hora da compra ou da locação: quanto desse lazer realmente é utilizado pelos moradores — e quanto ele pesa no condomínio todos os meses?
Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica ajuda a responder a primeira parte. E uma análise de empreendimentos do próprio Buritis mostra que a segunda é mais complexa do que simplesmente contar quantas áreas de lazer existem.
A academia é uma das áreas mais valorizadas, mas ainda está presente em poucos condomínios
Realizada em junho de 2026 com 1.200 pessoas em todo o Brasil, a pesquisa da Brain comparou a presença, a importância, a utilização e o desejo dos moradores em relação às principais áreas de lazer dos condomínios.
Academia ou espaço fitness e piscina adulta aparecem empatados como os itens de lazer considerados mais importantes pelos entrevistados, com 56% das citações cada.
Existe, porém, uma diferença significativa entre os dois equipamentos.
A piscina adulta está presente em 53% dos condomínios pesquisados, enquanto a academia aparece em apenas 34%.
Ou seja: a academia é muito valorizada, mas ainda não está disponível na maioria dos condomínios pesquisados.
Entre as pessoas que não possuem academia no prédio, 34% gostariam de contar com uma.
Mas o equipamento mais utilizado é outro
Se a pergunta deixar de ser “o que você gostaria de ter?” e passar a ser “o que você realmente usa?”, o resultado muda.
O espaço gourmet ou churrasqueira é a área de lazer mais utilizada entre as estruturas pesquisadas. Ele está presente em 55% dos condomínios e é utilizado frequentemente por 37% dos moradores entrevistados.
No Sudeste, região onde está Belo Horizonte, a presença do espaço gourmet ou churrasqueira chega a 71% e o uso frequente a 47%.
A piscina adulta vem depois, presente em 53% dos condomínios e utilizada frequentemente por 34% dos entrevistados.
A academia, apesar de ser considerada uma das áreas mais importantes, apresenta uso frequente de 20%.
O contraste é interessante: a academia é muito valorizada, mas a churrasqueira é mais utilizada.
Salão de festas e piscina infantil apresentam uma diferença ainda maior entre presença e uso
A pesquisa também encontrou equipamentos com uma distância significativa entre disponibilidade e utilização.
O salão de festas aparece em 52% dos condomínios pesquisados e é considerado importante por 42% dos moradores. Porém, apenas 12% afirmam utilizá-lo frequentemente.
A piscina infantil apresenta uma diferença ainda maior: está presente em 30% dos condomínios, mas apenas 4% dos entrevistados dizem utilizá-la frequentemente.
Isso não significa necessariamente que essas estruturas sejam inúteis. Um salão de festas, por exemplo, pode ser utilizado poucas vezes por cada família, mas continuar sendo importante justamente porque está disponível quando ocorre uma festa ou reunião.
Da mesma forma, a piscina infantil pode ter utilização concentrada em determinadas famílias e períodos do ano.
Os números mostram, portanto, que frequência de utilização e percepção de valor são coisas diferentes.
No Buritis, os condomínios mostram que lazer completo não significa automaticamente condomínio mais caro
Uma análise de empreendimentos do bairro ajuda a colocar os números nacionais em perspectiva.
O Spazio Eco Vitta, na Rua Eli Seabra Filho, é um dos maiores exemplos. O empreendimento possui 568 apartamentos e uma estrutura que inclui piscina adulta e infantil, academia, sauna, salão de festas, espaço gourmet, churrasqueiras, playground e outras áreas de convivência.
Em uma base imobiliária consultada atualmente, o condomínio aparece com valor de referência de aproximadamente R$ 612. Outra base apresenta uma faixa de valores anunciados entre R$ 450 e R$ 900, mostrando que os números podem variar conforme os imóveis e os anúncios considerados.
O tamanho do empreendimento é relevante nessa comparação. São centenas de unidades dividindo os custos das áreas comuns.
Um condomínio menor pode ter estrutura semelhante e taxa diferente
O Vesper Grand Park, na Rua Rubens Caporali Ribeiro, é outro exemplo do bairro. O empreendimento tem 124 apartamentos, segundo a própria construtora, e conta com estrutura de lazer e serviços como academia, piscina, sauna e playground.
As bases imobiliárias consultadas apresentam atualmente uma faixa de condomínio bastante variável. A Loft registra valores entre aproximadamente R$ 410 e R$ 1.200, enquanto um anúncio atual encontrado no QuintoAndar informa R$ 1.047.
Isso não significa que exista um único “valor correto” para todos os apartamentos do condomínio. A taxa pode mudar com o orçamento aprovado, despesas extraordinárias, características da unidade e outras condições.
Park Residence Resort aparece em outro patamar
Outro exemplo é o Park Residence Resort, na Avenida José de Oliveira Vaz.
O empreendimento possui piscina, academia, quadra esportiva, salão de festas, playground, sauna, salão de jogos, brinquedoteca, área verde, portaria 24 horas e elevador.
Em anúncios atualmente disponíveis, a taxa de condomínio aparece em aproximadamente R$ 1.100 por mês.
Mais uma vez, entretanto, seria incorreto atribuir essa diferença exclusivamente à quantidade de áreas de lazer.
O número de apartamentos pode ser tão importante quanto a piscina
Imagine dois condomínios com piscina, academia, salão de festas e churrasqueira.
No primeiro, existem 500 apartamentos. No segundo, 50.
Os dois terão despesas de manutenção das áreas comuns, mas a forma como esses custos são distribuídos entre as unidades será completamente diferente.
É justamente por isso que o tamanho do condomínio é um dos fatores importantes na análise da taxa. Quanto maior o número de apartamentos, maior pode ser a capacidade de diluir determinados custos fixos.
Isso ajuda a explicar por que não podemos simplesmente comparar “prédio com piscina” contra “prédio sem piscina”.
Piscina realmente aumenta o condomínio?
Há evidências de que a presença de piscina está associada a taxas condominiais mais elevadas, mas é preciso cuidado com os números.
Um estudo da Loft baseado em dados de anúncios imobiliários de São Paulo encontrou uma diferença média de aproximadamente R$ 245 na taxa de condomínio entre imóveis em edifícios com e sem piscina. Para academia, a diferença encontrada foi de aproximadamente R$ 11.
Esses números, entretanto, não podem ser transportados diretamente para o Buritis.
O levantamento foi realizado em São Paulo e representa uma associação observada naquele mercado. Não significa que uma piscina em um condomínio do Buritis necessariamente acrescente R$ 245 à taxa mensal de cada apartamento.
Além disso, uma piscina pequena descoberta, uma piscina aquecida e um complexo aquático com múltiplos ambientes não têm necessariamente o mesmo custo de operação.
O que mais pesa na taxa do condomínio?
A taxa condominial é resultado de um orçamento muito mais amplo do que as áreas de lazer.
Entre os principais componentes estão:
portaria e segurança;
funcionários e encargos;
limpeza;
elevadores;
energia elétrica;
água;
jardinagem;
manutenção de piscinas e equipamentos;
manutenção das áreas comuns;
administração;
seguros;
obras e despesas extraordinárias.
Por isso, dois condomínios com quantidade semelhante de lazer podem apresentar taxas bastante diferentes.
Áreas verdes são um caso à parte
A pesquisa da Brain também encontrou um resultado interessante sobre áreas verdes.
Praças e áreas verdes aparecem entre as cinco áreas de lazer mais importantes para 22% dos entrevistados.
Quando a pergunta trata especificamente da importância de ter áreas verdes dentro do condomínio, porém, o resultado sobe para 93% entre os que consideram esse espaço importante ou muito importante.
Desse total, 59% classificam a presença de áreas verdes como “muito importante” e 34% como “importante”.
Entre os espaços verdes desejados pelos moradores, aparecem principalmente praça com bancos e áreas de convivência, jardim arborizado para contemplação, espaço para caminhada e área gramada para descanso.
O resultado sugere que as áreas verdes são percebidas menos como equipamento de entretenimento e mais como elemento de qualidade de vida e bem-estar.
Então vale a pena pagar mais por um condomínio com lazer completo?
Não existe uma resposta universal.
Para uma família com crianças pequenas, piscina, playground e áreas de convivência podem ter grande utilidade.
Para alguém que pratica exercícios diariamente, uma boa academia pode ser mais relevante.
Para quem recebe amigos e familiares, churrasqueira e espaço gourmet podem ser mais importantes do que uma quadra esportiva.
E para quem praticamente não utiliza nenhuma dessas estruturas, pagar centenas de reais a mais todos os meses pode representar um custo sem benefício correspondente.
A pesquisa da Brain mostra justamente esse desencontro: o equipamento mais desejado não é necessariamente o mais utilizado, e o equipamento mais utilizado não é necessariamente o considerado mais importante.
O que observar antes de escolher um apartamento no Buritis
Para quem está comparando imóveis, olhar apenas para o valor do condomínio pode ser insuficiente.
Também vale perguntar:
Quantos apartamentos existem no condomínio?
Quais áreas de lazer realmente existem?
A piscina é aquecida?
A academia tem equipamentos suficientes para os moradores?
Existe portaria 24 horas?
Quantos funcionários o condomínio mantém?
Quantos elevadores existem?
Como é o consumo de água e energia das áreas comuns?
Existem obras ou chamadas extraordinárias previstas?
Qual é o valor da taxa ordinária e quais despesas são cobradas separadamente?
E, principalmente:
quanto daquele lazer será realmente utilizado pela sua família?
Mais lazer não significa necessariamente melhor custo-benefício
Os dados disponíveis não permitem afirmar que exista uma relação direta entre a quantidade de equipamentos de lazer e o valor do condomínio no Buritis.
O que eles mostram é algo mais interessante: o custo de morar em um condomínio é resultado de uma combinação de fatores, e a estrutura de lazer é apenas uma parte dessa conta.
O próprio bairro oferece exemplos de empreendimentos com estruturas bastante completas e taxas diferentes, enquanto o número de unidades pode alterar significativamente a forma como os custos são distribuídos.
Também não é necessariamente desperdício pagar por uma área pouco utilizada. Algumas estruturas são usadas apenas ocasionalmente, mas ainda podem contribuir para a qualidade de vida e para a valorização do imóvel.
O problema aparece quando o morador paga por uma estrutura que não utiliza, não valoriza e não considera necessária.
No fim, talvez a melhor pergunta não seja “qual condomínio tem mais lazer?”, mas sim:
“qual condomínio oferece o lazer que combina com quem mora ali, por um custo que faz sentido?”
Fontes e metodologia
Os dados nacionais são da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica realizada em junho de 2026, com 1.200 entrevistados em todo o Brasil, entre 21 e 70 anos e com renda familiar mensal superior a R$ 2.500. O levantamento teve nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,83 pontos percentuais.
Para a análise do Buritis, foram consultadas bases imobiliárias e informações públicas dos empreendimentos citados. Os valores de condomínio são referências encontradas em anúncios e plataformas imobiliárias e podem variar conforme a unidade, o período, o orçamento aprovado pelo condomínio e eventuais despesas extraordinárias.
Os valores encontrados não devem ser interpretados como demonstração de causalidade entre determinada área de lazer e o valor da taxa condominial.
Publicado em 10 de setembro de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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