"Amanhã pode ser você" — o relato de quem parou para ajudar e foi hostilizada
Onde ficou a empatia? Relato expõe agressividade no trânsito da Mário Werneck

Moradora relata desespero e hostilidade após ajudar mãe com carro quebrado na Mário Werneck.
Um relato enviado por uma moradora da região expõe uma situação que aconteceu nesta semana na Avenida Professor Mário Werneck, próximo à Cobasi, e que ela pediu para compartilharmos como reflexão para quem circula e mora no bairro. A pessoa preferiu manter-se anônima.
Segundo o relato, um carro quebrou no sinal, bloqueando uma das faixas da avenida. Ao passar pelo local, ela viu a motorista completamente desesperada e parou para ajudar, percebendo em seguida que a mulher estava com duas crianças pequenas no banco de trás do veículo.
Confira o relato na íntegra:
"Oi, pessoal do Meu Bairro Buritis. Gostaria de compartilhar uma situação que vivi hoje na Avenida Professor Mário Werneck e, se vocês acharem pertinente, gostaria muito que publicassem como uma reflexão para quem circula e mora na região.
Um carro estragou no sinal, ao lado da Cobasi, bloqueando uma das faixas. Quando passei pelo local, vi uma moça completamente desesperada e parei para ajudá-la. Só depois percebi que ela ainda estava com duas crianças pequenas no banco de trás.
Ela já estava chorando, sem saber o que fazer, tentando falar com o marido, que não atendia. Enquanto isso, vários motoristas simplesmente buzinavam e gritavam com ela, como se ela tivesse escolhido parar o carro naquele lugar.
Meu noivo tentou destravar o câmbio para conseguirmos retirar o veículo dali, enquanto eu sinalizava e tentava controlar o trânsito para que pudéssemos descer o carro com segurança. O problema é que o câmbio realmente havia travado e não conseguimos movimentá-lo.
E foi justamente nesse momento que fiquei ainda mais assustada com a reação das pessoas.
Fui xingada de tudo quanto é nome. Pessoas gritando, buzinando, mandando tirar o carro dali imediatamente e, em determinado momento, um motorista chegou ao ponto de quase cuspir em mim. Tudo isso porque eu estava tentando ajudar uma mulher desesperada e com duas crianças dentro do carro.
Confesso que comecei a ficar desesperada também. A agressividade das pessoas foi tão grande que uma situação que já era difícil ficou ainda pior.
A Mário Werneck já tem um trânsito complicado e, naquele trecho, são poucas faixas para o fluxo de veículos. Eu entendo perfeitamente que um carro parado causa transtorno, engarrafamento e irritação. Mas nenhum atraso justifica perder completamente a educação, o respeito e a empatia.
Era uma mulher sozinha, chorando, com duas crianças dentro do carro, passando por uma situação que poderia acontecer com qualquer um de nós.
Hoje fui eu que parei para ajudar. Amanhã pode ser você, sua mãe, sua esposa, seu marido ou seu filho precisando que alguém tenha um pouco de paciência.
Talvez, antes de buzinar, xingar, ameaçar ou descarregar a raiva em alguém, valha a pena pensar por alguns segundos: será que aquela pessoa está ali porque quer ou porque realmente precisa de ajuda?
Trânsito já é estressante para todo mundo. Não precisamos transformar um problema mecânico em uma situação de humilhação e agressividade.
Um pouco de empatia também faz parte de viver em comunidade."
A Avenida Professor Mário Werneck é uma das principais vias de acesso e escoamento de tráfego da região do Buritis e Estoril, e situações de imprevistos mecânicos em pontos de fluxo intenso não são incomuns. O relato reforça um ponto que vale para qualquer via da cidade: imprevistos acontecem com qualquer motorista, e a forma como reagimos a eles diz muito sobre a comunidade que queremos construir.
Publicado em 19 de agosto de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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