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Quanto custa o condomínio no Buritis e no Estoril? Entenda por que a taxa virou o "segundo aluguel"

Portaria remota, área de lazer e mão de obra: o que faz o condomínio subir no Buritis e no Estoril

Meu Bairro Buritis·17 de agosto de 2026
Piscina e área de lazer de um condomínio residencial

A conversa tomou conta das redes sociais nesta semana: moradores de Belo Horizonte reclamando que a taxa de condomínio não para de subir e já pesa no orçamento tanto quanto o aluguel. O desabafo não é exagero. Levantamentos recentes do mercado imobiliário confirmam que o custo condominial na capital mineira está entre os que mais crescem do país — e o Buritis e o Estoril, dois dos bairros mais procurados da Zona Oeste, sentem esse movimento de perto, ainda que de formas diferentes.

O QUADRO GERAL EM BH

Segundo levantamento da Loft, empresa de dados do setor imobiliário, a taxa média de condomínio em Belo Horizonte fechou em torno de R$ 794 em abril deste ano, alta de cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano passado — um dos maiores avanços entre as capitais analisadas, atrás apenas de Curitiba e São Paulo. Para especialistas do setor, o principal vilão é o custo da mão de obra: o mercado de trabalho aquecido encarece salários de porteiros, zeladores e equipes de limpeza e manutenção, e esse gasto é o que mais pesa na composição da taxa.

Os bairros mais caros da cidade seguem concentrados na região Centro-Sul — Belvedere, Funcionários e Savassi lideram o ranking, com médias que passam de R$ 1.500 e chegam a ultrapassar R$ 2.700 nos condomínios mais completos. Já a média de toda a capital, somando bairros de todos os perfis, fica bem mais baixa, o que mostra como a distância entre extremos é grande.

E NO BURITIS?

No Buritis, dados de imobiliárias que atuam na região apontam uma taxa média entre R$ 800 e R$ 880 para apartamentos à venda, e um pouco abaixo disso — em torno de R$ 780 — nos imóveis para locação. Isso coloca o bairro acima da média geral da cidade, mas ainda distante do patamar dos bairros mais nobres da Centro-Sul.

A variação dentro do próprio Buritis, porém, é enorme. Prédios mais simples, sem área de lazer e com portaria básica, têm taxas a partir de R$ 400 ou R$ 500. Já os condomínios-clube — com piscina, academia, salão de festas, espaço gourmet, quadra e segurança 24 horas — facilmente ultrapassam R$ 1.200, podendo passar de R$ 1.800 nos empreendimentos mais recentes e completos. Como regra prática: quanto mais nova a torre e mais itens de lazer ela oferece, maior tende a ser a taxa.

E NO ESTORIL?

O Estoril, vizinho do Buritis, tende a apresentar taxas de condomínio um pouco mais baixas na média, em boa parte porque o bairro mistura prédios mais antigos e de menor porte com empreendimentos mais recentes. Não é incomum encontrar condomínios na faixa de R$ 300 a R$ 700, especialmente em edifícios menores, com poucas unidades e estrutura mais enxuta. Torres maiores e mais novas, com lazer completo, também existem no bairro e puxam a média para cima, repetindo o mesmo padrão observado no Buritis.

POR QUE A TAXA VARIA TANTO DE UM PRÉDIO PARA OUTRO?

Especialistas do setor apontam os mesmos fatores, repetidamente, como responsáveis pelas diferenças:

- Mão de obra: salários, encargos e benefícios de porteiros, zeladores, faxineiros e equipe de manutenção costumam ser o maior item da despesa condominial.

- Área de lazer e serviços: piscina, academia, salão de festas, playground, espaço gourmet e segurança 24h aumentam o custo de manutenção e, consequentemente, a taxa.

- Idade e tamanho do prédio: edifícios mais antigos costumam ter mais gastos com manutenção estrutural (elevadores, hidráulica, pintura), enquanto prédios com mais unidades diluem melhor o custo fixo entre os moradores.

- Número de unidades: quanto maior o condomínio, menor tende a ser o valor per capita de itens fixos, como portaria e administração.

- Localização e valorização do imóvel: bairros mais valorizados atraem empreendimentos com padrão construtivo mais alto, o que eleva o custo operacional do dia a dia.

A PORTARIA REMOTA ENTROU NA CONVERSA

Um dos comentários mais comentados no debate nas redes foi justamente sobre a portaria remota: um morador relatou que sua taxa caiu de R$ 876 para R$ 602 depois que o condomínio substituiu a portaria presencial pelo sistema remoto. Não é exagero. Estudos do setor de segurança condominial mostram que a substituição da portaria física por centrais de monitoramento à distância pode reduzir a despesa com pessoal em até 50%, já que elimina salários, encargos trabalhistas, benefícios e o risco de passivo trabalhista futuro. Como a folha de pagamento costuma ser o maior item da taxa condominial, a mudança tende a se refletir rapidamente no boleto — embora o tema ainda divida opiniões entre moradores, principalmente pela sensação de segurança que a presença de um porteiro físico proporciona.

O QUE FICA DESSE CENÁRIO

O condomínio deixou de ser um detalhe no orçamento e virou, de fato, um segundo custo fixo de moradia — em muitos casos, próximo ao valor de um aluguel de imóvel menor. No Buritis e no Estoril, a régua de comparação é clara: bairros ainda mais em conta que a Centro-Sul, mas com taxas que também sobem acima da inflação, puxadas pelo custo de mão de obra e pela chegada de prédios com cada vez mais estrutura de lazer. Para quem está escolhendo onde morar ou comprar, vale sempre somar a taxa de condomínio ao aluguel ou à prestação do financiamento antes de fechar negócio — e, para quem já mora, entender os fatores que compõem a taxa é o primeiro passo para discutir formas de reduzi-la em assembleia.

Fontes: Loft (levantamentos de condomínio em capitais brasileiras, 2026), imobiliárias com atuação no Buritis e Estoril, e estudos do setor de segurança condominial sobre portaria remota.

Publicado em 17 de agosto de 2026

Atualizado em 26 de agosto de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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