Buritis é um bairro seguro? O que dizem os dados sobre criminalidade na região
Buritis é seguro? Veja o que os dados da Sejusp, PM e Polícia Civil mostram sobre furtos, roubos, homicídios e segurança no bairro.

Quem mora no Buritis ou pensa em morar no bairro provavelmente já se fez esta pergunta: afinal, o Buritis é um lugar seguro?
A resposta não cabe em um simples “sim” ou “não”. Os dados disponíveis mostram que o cenário muda bastante conforme o tipo de crime analisado. Enquanto o bairro não aparece entre os principais pontos de concentração de crimes violentos de Belo Horizonte, furtos, arrombamentos e furtos de veículos continuam sendo pontos de atenção.
O que os dados mostram sobre os crimes violentos
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) mantém uma série histórica de crimes violentos baseada nos registros do REDS, com dados disponíveis para Belo Horizonte e outros municípios do estado. A base mais recente disponibilizada em 2026 estava atualizada em setembro deste ano.
Um levantamento com recorte específico por bairro, utilizando dados da Sejusp, identificou 33 ocorrências no Buritis entre março de 2025 e fevereiro de 2026 nas categorias contempladas por essa base territorializada: roubos, homicídios, extorsões e sequestro ou cárcere privado.
Foram 20 roubos consumados, dois roubos tentados, quatro extorsões consumadas, quatro extorsões tentadas, um homicídio consumado, um homicídio tentado e um sequestro ou cárcere privado consumado.
Esse número, porém, precisa ser interpretado com cuidado. Ele não representa todos os crimes ocorridos no Buritis. A base territorializada utilizada para esse levantamento não contempla todas as modalidades de criminalidade, incluindo os furtos.
O Buritis não aparece como um dos grandes focos de violência grave
Um levantamento anterior, divulgado pelo Estado de Minas com dados da Polícia Militar, ajuda a colocar esses números em perspectiva. Entre janeiro e julho de 2022, Belo Horizonte registrou 5.514 crimes violentos. No Buritis foram 24 ocorrências.
Naquele levantamento, vários bairros da capital apresentavam números absolutos superiores aos do Buritis. O resultado não permite criar um ranking definitivo de segurança entre os bairros, mas indica que o Buritis não estava entre os principais concentradores de crimes violentos naquele período.
Também é importante considerar o tamanho do bairro. O Buritis é uma das regiões mais populosas de Belo Horizonte, o que torna inadequado comparar bairros apenas pelo número bruto de ocorrências.
Quando o assunto é furto, o cenário muda
É nos crimes contra o patrimônio que aparece uma preocupação mais recorrente para quem vive no bairro.
Em maio de 2025, a 126ª Companhia da Polícia Militar informou que o Buritis havia registrado uma redução de 20,22% nos furtos no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2024. Mesmo com a queda, os furtos continuavam entre as ocorrências acompanhadas pela corporação.
Os dados também mostram que o problema não se limita a furtos genéricos. Um levantamento realizado pelo Meu Bairro Buritis com base nos dados abertos da Sejusp identificou 63 furtos de veículos no Buritis entre janeiro e junho de 2026.
O número colocou o bairro na 8ª posição entre os bairros de Belo Horizonte em quantidade absoluta de furtos de veículos naquele primeiro semestre. O Estoril, bairro vizinho, registrou 48 ocorrências no mesmo período.
O problema também aparecia em anos anteriores. Entre janeiro e novembro de 2024, foram registrados 63 furtos de veículos no Buritis, contra 70 no mesmo período de 2023. Como os períodos de 2024 e 2026 não são iguais, os números não podem ser comparados diretamente como se representassem a mesma janela de tempo. Eles, porém, ajudam a mostrar que o furto de veículos permanece como uma questão recorrente.
Arrombamentos também estão no radar da Polícia Militar
Em agosto de 2026, a Polícia Militar lançou a Operação Buritis Seguro, depois de identificar um número elevado de crimes registrados recentemente na região.
Segundo a corporação, a operação passou a reforçar o patrulhamento nos locais e horários de maior incidência, com atenção especial aos furtos por arrebatamento e aos arrombamentos de veículos e residências.
A criação da operação é um indicativo importante: a preocupação com esses crimes não está restrita à percepção dos moradores. Eles também são considerados uma questão operacional pela própria Polícia Militar.
A Polícia Civil também aponta os furtos como prioridade
Em entrevista publicada em 2025, o delegado Flávio Grossi, responsável pela área policial que atende o Buritis e o Estoril, classificou a região entre as mais seguras de Belo Horizonte.
Ao mesmo tempo, ao tratar das prioridades específicas para o Buritis, citou o combate aos furtos de veículos, de pedestres e de estabelecimentos comerciais.
As duas informações não são contraditórias. Um bairro pode apresentar uma incidência relativamente baixa de crimes violentos graves e, ainda assim, enfrentar um problema relevante de crimes patrimoniais.
E os homicídios?
O Buritis não está livre de violência grave. Um homicídio ocorrido em outubro de 2025 foi investigado pela Polícia Civil, que posteriormente anunciou a prisão de um suspeito apontado como mandante.
Esse caso aparece no recorte que identificou um homicídio consumado no bairro entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Também houve outro homicídio noticiado posteriormente, em agosto de 2026. Como esse episódio ocorreu depois do encerramento daquele recorte estatístico, ele não deve ser simplesmente somado aos 33 registros anteriores sem alterar o período analisado.
A diferença entre os períodos é importante porque estatísticas de segurança pública precisam sempre indicar exatamente qual intervalo de tempo está sendo considerado.
Segurança pública e sensação de insegurança são coisas diferentes
Uma pesquisa acadêmica realizada na Universidade Federal de Minas Gerais estudou especificamente a relação entre percepção de insegurança e território urbano no Buritis.
A dissertação Correlações entre a percepção da insegurança e o território urbano no bairro Buritis – Belo Horizonte/MG, defendida em 2022, analisou como a experiência dos moradores e as características do território se relacionam com a percepção de insegurança.
O estudo chama atenção para a necessidade de interpretar os indicadores de violência junto com a experiência cotidiana das pessoas e com as características urbanas do lugar.
Isso significa que sensação de insegurança e criminalidade registrada não são sinônimos. Uma pessoa pode se sentir insegura mesmo em um local com baixa incidência de determinados crimes, enquanto um número elevado de ocorrências de uma modalidade específica pode ter impacto direto na percepção dos moradores.
Então, o Buritis é seguro?
Os dados disponíveis não sustentam uma resposta simplesmente positiva ou negativa.
Quando são analisados os crimes violentos com dados territorializados, o Buritis não aparece como um dos principais focos de violência grave de Belo Horizonte. Existem roubos, homicídios e outras ocorrências violentas, mas elas representam apenas uma parte da realidade criminal do bairro.
Quando o foco passa para os crimes contra o patrimônio, especialmente furtos, arrombamentos e furtos de veículos, aparece uma preocupação mais evidente. A recorrência dessas ocorrências levou inclusive a Polícia Militar a reforçar o policiamento e lançar uma operação específica em 2026.
Por isso, dizer simplesmente que o Buritis é “seguro” seria incompleto. Da mesma forma, classificar o bairro como “perigoso” não encontra respaldo no conjunto dos dados levantados.
O que os números indicam é um cenário mais específico: a violência grave não aparece como o principal problema estatístico do bairro, enquanto os crimes contra o patrimônio, especialmente os furtos e arrombamentos, continuam sendo um ponto de atenção.
O que os dados permitem — e não permitem — concluir
Os registros policiais não permitem afirmar qual é a probabilidade individual de um morador ser vítima de crime. Para isso seriam necessários outros indicadores, como população exposta, circulação de pessoas, localização das ocorrências, horários e características das vítimas.
Também não é adequado comparar bairros apenas pelo número absoluto de ocorrências. Regiões maiores, mais populosas ou com grande circulação de pessoas e veículos podem naturalmente concentrar mais registros.
Além disso, as bases públicas territorializadas não contemplam todas as modalidades criminais. Por isso, não existe um único número que possa ser apresentado como “a taxa de criminalidade do Buritis”.
O que existe é um conjunto de indicadores que ajuda a entender o perfil da criminalidade na região.
O retrato do Buritis pelos dados
Crimes violentos: existem registros no bairro, mas os levantamentos disponíveis não apontam o Buritis como um dos principais concentradores de violência grave de Belo Horizonte.
Furtos: são uma preocupação recorrente nos balanços da Polícia Militar, embora tenham apresentado redução em determinados períodos.
Furtos de veículos: foram 63 registros somente no primeiro semestre de 2026.
Arrombamentos: estão entre os crimes que motivaram o reforço do policiamento e a Operação Buritis Seguro.
Homicídios: existem registros, mas em quantidade muito inferior às ocorrências patrimoniais identificadas nos levantamentos disponíveis.
Percepção de segurança: uma pesquisa da UFMG mostra que a sensação de insegurança precisa ser analisada separadamente das estatísticas policiais.
Em outras palavras, os dados não descrevem um Buritis sem criminalidade — algo que seria incompatível com a realidade de qualquer bairro densamente povoado de uma grande capital. Mas também não sustentam a imagem de uma região caracterizada principalmente pela violência grave.
Para quem mora no bairro, a pergunta talvez seja mais útil quando deixa de ser apenas “o Buritis é seguro?” e passa a ser: quais crimes acontecem no bairro e quais deles representam o maior problema para quem vive aqui?
E, pelos dados disponíveis atualmente, a resposta aponta principalmente para os crimes contra o patrimônio.
Publicado em 02 de outubro de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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