Ela dormiu uma semana na rodoviária de BH. Hoje, aos 67 anos, continua cuidando de pessoas
Aos 20 anos, Rosemeire Martins chegou a Belo Horizonte sem dinheiro e sem onde morar. Conheça sua trajetória até o Buritis e sua atuação comunitária.

Da rodoviária ao Buritis: a história de Rosemeire Martins, uma mulher que escolheu cuidar de pessoas
Aos 20 anos, ela deixou São Paulo sem dinheiro e sem ter onde morar. Passou uma semana dormindo na rodoviária de Belo Horizonte até conseguir trabalho. Décadas depois, aposentada, continua estudando, trabalhando e dedicando parte da vida à comunidade.
Algumas histórias começam com um plano. A de Rosemeire Martins começou com uma necessidade: sair de casa e reconstruir a própria vida.
Nascida na capital paulista, Rosemeire perdeu o pai quando tinha apenas cinco anos e foi morar com os avós. Aos 20, decidiu deixar São Paulo por causa dos abusos que, segundo ela, sofria do avô.
Ela veio para Belo Horizonte inicialmente a passeio. Não tinha emprego, dinheiro ou sequer um lugar onde ficar.
O começo foi difícil. Rosemeire conta que passou uma semana dormindo nos bancos da rodoviária de Belo Horizonte, até conseguir um pequeno quarto e encontrar trabalho.
Foi ali que começou uma nova vida.
Depois de conseguir onde morar e trabalhar, voltou a estudar. Passou alguns meses naquele primeiro quarto e, posteriormente, foi morar no Conjunto JK, na região da Rua dos Timbiras, onde viveu durante 12 anos.
Em Belo Horizonte, construiu também sua trajetória profissional. Formou-se em Secretariado e Contabilidade e trabalhou durante cerca de 40 anos com carteira assinada.
Ao longo da vida, também se formou como corretora de imóveis. Hoje, aos 67 anos, está aposentada, mas não parou.
Atualmente, cursa Serviço Social e pretende concluir a graduação no próximo ano. Continua trabalhando e mantendo uma rotina de participação e voluntariado.
Quatro dias que ela nunca esqueceu
Entre tantas experiências vividas ao longo dos anos, uma das mais marcantes aconteceu em Brumadinho.
Após o rompimento da barragem da Vale, Rosemeire passou quatro dias no local como voluntária, ajudando pessoas e animais.
Foi uma experiência que a marcou profundamente. Ela conta que viu pessoas na lama e animais mortos. Também conseguiu ajudar alguns animais durante aqueles dias.
“Foram dias que nunca mais irei esquecer”, resume.
A experiência ajuda a entender uma característica que atravessa sua trajetória: a disposição de estar presente quando outras pessoas precisam de ajuda.
Uma nova história no Buritis
Rosemeire vive no Buritis há mais de 30 anos. E foi no bairro que sua atuação comunitária ganhou uma nova dimensão.
Durante mais de 11 anos, participou da gestão da Associação do Bairro Buritis, onde chegou à vice-presidência. A experiência aproximou ainda mais Rosemeire dos problemas, demandas e necessidades dos moradores.
Para ela, cuidar de uma comunidade significa estar perto, ouvir as pessoas e procurar caminhos para que suas demandas sejam encaminhadas.
Essa experiência acabou dando origem ao Fala Morador BH, canal idealizado por Rosemeire para ouvir moradores, conectar demandas e buscar soluções junto aos órgãos responsáveis.
O projeto representa uma continuação de algo que já fazia parte de sua trajetória: transformar a disposição de ajudar em ação concreta.
Além do Fala Morador, Rosemeire participa de diferentes espaços de participação social e representação comunitária. Entre eles estão o Conselho Regional de Transportes e Trânsito (CRTT), o Comforça, ligado ao Orçamento Participativo da Prefeitura de Belo Horizonte, e o ConsepBH, relacionado à segurança pública.
Ela também participa do grupo MOVSEGBH e mantém atuação ligada à comunicação e às pautas da cidade.
Uma vida que ainda está sendo construída
Talvez um dos aspectos mais marcantes da trajetória de Rosemeire seja que, aos 67 anos, sua história ainda esteja longe de parecer encerrada.
A mulher que aos 20 anos chegou a Belo Horizonte sem dinheiro, sem trabalho e sem um lugar para morar tornou-se profissional, construiu relações duradouras, trabalhou durante quatro décadas, aposentou-se e decidiu voltar à sala de aula para estudar Serviço Social.
Continua trabalhando. Continua atuando. Continua criando projetos.
Ela também conta que ajudou na construção do Colégio Adventista Buritis, experiência pela qual posteriormente foi homenageada.
Hoje, Rosemeire se define como uma “voluntária da vida”. A expressão resume uma trajetória que começou muito longe do Buritis e que, há mais de três décadas, encontrou no bairro um lugar para construir uma nova etapa de sua história.
Sua caminhada passou por perdas, dificuldades, recomeços, trabalho, estudo e experiências que deixaram marcas profundas. Mas também passou pela escolha de continuar fazendo.
Da jovem que chegou a Belo Horizonte sem saber onde dormir à mulher que hoje dedica parte de sua vida a ouvir outras pessoas, existe uma linha que atravessa toda essa história: a decisão de não ficar indiferente diante daquilo que acontece ao seu redor.
Rosemeire Martins chegou a Belo Horizonte procurando uma maneira de reconstruir a própria vida.
Mais de quatro décadas depois, continua construindo.
E, no caminho, encontrou uma forma de fazer com que a própria trajetória também servisse para cuidar de outras pessoas.
Publicado em 26 de setembro de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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