Relato de uma tragédia que quase aconteceu
Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.

Ontem à noite assisti ao último capítulo de uma tragédia que, por sorte, nunca aconteceu.
Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.
Mas o que aconteceu depois foi ainda mais perigoso.
O outro condutor decidiu que não bastava reclamar. Xingou, acelerou e iniciou uma perseguição pelas ruas do Estrela Dalva até a Ernani Agrícola. Em segundos, o trânsito virou um campo de batalha.
Os papéis se inverteram: quem cometeu a primeira infração passou a fugir por acreditar que sua vida estava em risco. Quem estava “certo” passou a aumentar o risco ao tentar interceptar outro veículo.
A pergunta não é quem começou. É: quem decidiu aumentar o risco?
Existe uma diferença enorme entre indignação e agir como juiz. O Código de Trânsito prevê punições e existem autoridades para fiscalizar. O que não existe é licença para transformar as ruas em arena de vingança.
E quantas pessoas inocentes cruzaram aquele caminho sem saber que dois homens dirigiam sob o efeito da adrenalina? Uma criança, um motociclista ou uma família. Nenhum participou da discussão.
O desfecho foi quase cinematográfico. Quando pararam lado a lado, descobriram que eram conhecidos. Vizinhos. Os gritos deram lugar às desculpas e os insultos terminaram em um abraço.
Foi bonito, mas assustador. Dois homens quase destruíram suas próprias vidas — e talvez a de terceiros — antes de perceberem que brigavam com alguém cujo nome conheciam.
E se fossem desconhecidos?
Talvez hoje estivéssemos lendo uma notícia policial.
A maior ilusão do trânsito é acreditar que estamos discutindo apenas com outro motorista. Não estamos. Estamos conduzindo uma máquina de mais de uma tonelada, capaz de causar uma tragédia em poucos segundos.
Quando a emoção assume o volante, a razão vai para o banco de trás. Talvez a maior demonstração de força no trânsito não seja acelerar, mas frear: o carro, o orgulho, a raiva e o impulso de provar quem está certo.
Você prefere ter razão ou voltar para casa?
Na maioria das vezes, as duas coisas são compatíveis, desde que a intolerância não assuma a direção.
Texto de: @champbrasil
Publicado em 08 de agosto de 2026
Por Meu Bairro Buritis
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