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Relato de uma tragédia que quase aconteceu

Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.

Meu Bairro Buritis·08 de agosto de 2026
Ilustração de discussão entre motorista de carro e motociclista no trânsito

Ontem à noite assisti ao último capítulo de uma tragédia que, por sorte, nunca aconteceu.

Tudo começou com uma infração comum: um motorista não respeitou a sinalização de PARE. Errou. Poderia ter causado um acidente. Não houve.

Mas o que aconteceu depois foi ainda mais perigoso.

O outro condutor decidiu que não bastava reclamar. Xingou, acelerou e iniciou uma perseguição pelas ruas do Estrela Dalva até a Ernani Agrícola. Em segundos, o trânsito virou um campo de batalha.

Os papéis se inverteram: quem cometeu a primeira infração passou a fugir por acreditar que sua vida estava em risco. Quem estava “certo” passou a aumentar o risco ao tentar interceptar outro veículo.

A pergunta não é quem começou. É: quem decidiu aumentar o risco?

Existe uma diferença enorme entre indignação e agir como juiz. O Código de Trânsito prevê punições e existem autoridades para fiscalizar. O que não existe é licença para transformar as ruas em arena de vingança.

E quantas pessoas inocentes cruzaram aquele caminho sem saber que dois homens dirigiam sob o efeito da adrenalina? Uma criança, um motociclista ou uma família. Nenhum participou da discussão.

O desfecho foi quase cinematográfico. Quando pararam lado a lado, descobriram que eram conhecidos. Vizinhos. Os gritos deram lugar às desculpas e os insultos terminaram em um abraço.

Foi bonito, mas assustador. Dois homens quase destruíram suas próprias vidas — e talvez a de terceiros — antes de perceberem que brigavam com alguém cujo nome conheciam.

E se fossem desconhecidos?

Talvez hoje estivéssemos lendo uma notícia policial.

A maior ilusão do trânsito é acreditar que estamos discutindo apenas com outro motorista. Não estamos. Estamos conduzindo uma máquina de mais de uma tonelada, capaz de causar uma tragédia em poucos segundos.

Quando a emoção assume o volante, a razão vai para o banco de trás. Talvez a maior demonstração de força no trânsito não seja acelerar, mas frear: o carro, o orgulho, a raiva e o impulso de provar quem está certo.

Você prefere ter razão ou voltar para casa?

Na maioria das vezes, as duas coisas são compatíveis, desde que a intolerância não assuma a direção.

Texto de: @champbrasil

Publicado em 08 de agosto de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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