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BH tem o 3º pior trânsito do Brasil — e o Buritis sente isso todos os dias

De Curitiba a BH: veja o ranking do pior trânsito do país e os gargalos do Buritis

Meu Bairro Buritis·13 de agosto de 2026
Ônibus e carros parados no trânsito intenso de uma via

Um novo levantamento colocou Belo Horizonte em um patamar preocupante de mobilidade urbana. Segundo o TomTom Traffic Index 2025, motoristas e passageiros da capital perderam, em média, 130 horas presos em congestionamentos ao longo do ano — o equivalente a mais de cinco dias inteiros parados no trânsito. O número deixa BH atrás apenas de Curitiba (135 horas) e São Paulo (132 horas) entre as capitais brasileiras, e empatada com Recife.

Os dados foram apresentados por Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), durante o Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em São Paulo, e repercutiram amplamente na imprensa mineira.

BH ultrapassou São Paulo — pela primeira vez

O detalhe mais chamativo do estudo é que, no índice médio de congestionamento, Belo Horizonte (58,6%) superou São Paulo (58,5%) — uma diferença mínima, mas simbólica, já que a capital paulista é historicamente sinônimo de trânsito caótico no imaginário nacional. No ranking global, que avaliou 492 cidades no mundo, BH aparece entre as 30 piores do planeta.

Outros números do levantamento:

- Terceira capital brasileira com maior aumento no índice de congestionamento em 2025 (alta de 0,6 ponto percentual ante 2024), atrás apenas de Porto Alegre e Recife.

- Velocidade média de 21,3 km/h nas vias da cidade.

- Em 15 minutos de deslocamento, um motorista belo-horizontino percorre, em média, apenas 5,3 km.

- Terças e quartas-feiras são os dias mais críticos, com picos de lentidão de manhã e no fim da tarde.

Para a CNT, um dos fatores que empurra cada vez mais gente para o carro é a falta de prioridade viária para o transporte coletivo. Segundo a entidade, quase metade dos usuários de ônibus relata considerar trocar o coletivo pelo veículo particular justamente pela ausência de faixas exclusivas e de agilidade no trajeto — um ciclo que, ao aumentar a frota nas ruas, só agrava o congestionamento.

E no Buritis, como fica isso?

Os números da cidade como um todo já preocupam, mas quem mora ou circula pelo Buritis sabe que o bairro tem seus próprios pontos de estrangulamento — e eles aparecem com frequência nos boletins de trânsito da capital.

O cruzamento entre a Avenida Professor Mário Werneck e a Avenida Raja Gabáglia é apontado repetidamente como um dos principais gargalos de acesso ao bairro, assim como a entrada pela Rua José Rodrigues Pereira, na Raja Gabáglia — a principal porta de entrada do Buritis para quem vem de outras regiões da cidade. Em dias de maior fluxo ou de ocorrências no Anel Rodoviário, a Mário Werneck costuma ficar congestionada num trecho longo, do Shopping Paragem até as imediações da Escola Americana, próximo ao acesso ao Anel pela Avenida Cristovam Chiaradia.

Outro ponto crítico da própria Mário Werneck é o trecho em frente à entrada do UniBH, que concentra grande volume de carros, vans escolares e pedestres nos horários de entrada e saída das aulas. O embarque e desembarque de alunos na via, sem estrutura adequada, é um fator que se soma aos demais gargalos do bairro e tem sido citado em propostas de melhoria do trânsito local, como o uso de espaços da BHTrans e do COP-BH para embarque e desembarque, justamente para tirar esse fluxo de cima da pista.

Como o Buritis depende fortemente da Raja Gabáglia e da Barão Homem de Melo para se conectar ao restante de BH, qualquer lentidão nessas duas avenidas — seja por excesso de veículos no horário de pico, seja por acidentes no Anel Rodoviário — tem efeito direto e quase imediato sobre quem mora no bairro. Não é à toa que propostas de melhoria do trânsito no Buritis, como a modernização da sinalização semafórica e intervenções no encontro Mário Werneck x Raja Gabáglia, têm aparecido com frequência em discussões sobre mobilidade na região.

Nos finais de semana, moradores notam a diferença: o fluxo cai bastante e o trânsito flui com mais tranquilidade pelas mesmas vias que, durante a semana, formam filas nos horários de pico.

O que os dados sugerem para o bairro

O quadro geral de Belo Horizonte reforça um ponto que já é sentido no dia a dia do Buritis: a dependência quase total do carro particular, combinada com poucas alternativas de vias de acesso, deixa o bairro vulnerável a qualquer imprevisto nas rotas que o ligam ao resto da cidade. Investimentos em prioridade para ônibus, sinalização inteligente e alternativas de acesso — pautas já defendidas por moradores e lideranças locais — ganham ainda mais relevância diante de um cenário em que BH já divide o pódio dos piores trânsitos do país.

Fontes: TomTom Traffic Index 2025; O TEMPO ("BH é a terceira capital com o pior trânsito do país, com 130 horas perdidas em congestionamento", 13/08/2026); reportagens sobre pontos de congestionamento na Mário Werneck e Raja Gabáglia.

Publicado em 13 de agosto de 2026

Atualizado em 26 de agosto de 2026

Por Meu Bairro Buritis

Fontes consultadas: TomTom Traffic Index

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