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O político que só aparece de quatro em quatro anos

Coluna de Carlos H. M. Pires critica políticos que se aproximam da população apenas em períodos eleitorais e defende mandatos marcados por presença, fiscalização e trabalho contínuo.

Meu Bairro Buritis·06 de outubro de 2026
O político que só aparece de quatro em quatro anos

O POLÍTICO DE QUATRO EM QUATRO ANOS

Tem político que descobre o povo exatamente quando a eleição se aproxima. Durante quatro anos, desaparece. Ninguém vê no bairro, não se vê na rua, não se vê fiscalizando obra, cobrando serviço público, enfrentando problema de verdade. Ninguém comenta sobre uma única propositura legal.

Esse tipo de político não aparece quando a praça está abandonada, quando o posto de saúde está com dificuldade, quando a rua está esburacada ou quando a população precisa de alguém que faça barulho onde realmente importa.

Mas basta chegar o ano eleitoral e, de repente, surgem os rostos!

Fotografia retocada. Sorriso ensaiado. Santinho, outdoor, adesivo, bandeira, cavalete, vídeo produzido em estúdio e uma quantidade absurda de material espalhado pela cidade. Como se presença publicitária fosse sinônimo de trabalho. Como se o eleitor fosse incapaz de distinguir quem trabalhou de quem apenas contratou uma agência para parecer trabalhador.

A recente disputa mostrou uma coisa que deveria servir de lição para muita gente. Entre os 26 vereadores de Belo Horizonte que tentaram subir de degrau, somente 4 conseguiram. E os que chegaram lá não chegaram simplesmente porque imprimiram mais santinhos ou fizeram a fotografia mais bonita.

Todos os quatro eleitos para deputados estadual e federal são fortes militantes de causas populares e fiscalizadores atuantes.

A política não deveria ser uma escada que o sujeito usa para subir e depois esquecer quem ficou embaixo.

Quem ocupa um mandato precisa entender que o bairro não é cenário eleitoral, pelo contrário, é território de trabalho. O eleitor não deveria conhecer o vereador apenas pelo rosto estampado em uma bandeira que tremula ao vento e polui o visual da rua atrapalhando o trânsito. Deveria conhecê-lo pela presença, pelas cobranças, pelas soluções, pelas brigas que comprou em defesa da comunidade e, principalmente, pelo que fez quando não havia eleição nenhuma para ganhar.

Senhor político: O povo não é besta!

O povo ode até esquecer um nome. De forma generalizada, a galera pode até não acompanhar todos os detalhes de um mandato. Mas percebe quando alguém aparece somente de quatro em quatro anos. Percebe quando a propaganda é maior que o trabalho. Percebe quando a foto é bonita demais e a atuação é pequena demais.

E aqui no bairro, a gente conhece alguns desses personagens. Eles querem crescer. Querem ser deputados, querem ser prefeito, querem cargos maiores. Tudo legítimo. O problema é querer subir sem antes demonstrar que merecem o próximo degrau.

Mandato não é trampolim. É responsabilidade.

E quem passa quatro anos sem trabalhar pelo povo não deveria acreditar que algumas semanas de propaganda conseguirão apagar quatro anos de ausência.

A cidade não precisa de políticos que apareçam nas fotos, emporcalhando as ruas com seus lixos eleitorais. A cidade precisa de políticos que apareçam quando ninguém está fotografando.

Aprendam isso ou aquietem-se em suas insignificâncias!

Carlos H M Pires

Instagram: champbrasil

YouTube: meiodomundo

ADENDO EDITORIAL

O texto acima é uma coluna de opinião assinada por Carlos H. M. Pires e representa exclusivamente a visão do autor sobre a atuação política de forma geral.

A publicação não constitui crítica, elogio, apoio ou posicionamento editorial do Meu Bairro Buritis em relação a qualquer político específico, partido ou mandato. Eventuais referências a situações ou personagens presentes no texto devem ser interpretadas dentro do contexto e da responsabilidade autoral da coluna.

Publicado em 06 de outubro de 2026

Por Meu Bairro Buritis

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